5 de julho de 2013

ESTE POEMA É ABSOLUTAMENTE DESNECESSÁRIO



Este poema é absolutamente desnecessário
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito
e ninguém sentiria a sua falta
Esta é a sua liberdade negativa a sua vacuidade dinâmica
e o movimento da sua abolição
a partir do seu vazio inicial
Mas qual é a sua matéria qual o seu horizonte?
Traçará ele uma linha em torno da sua nulidade
e fechar-se-á como uma concha de cabelos ou como um
                                                                                 [útero do nada?
Ou será a possibilidade extrema de uma presença inesperada
que surgiria quando chegasse a essa fronteira branca
que já não separaria o ser do nada e no seu esplendor absoluto
revelaria a integridade do ser antes de todas as imagens

a sua violência inaugural a sua volúvel gestação?


António Ramos Rosa (Portugal)

Um comentário:

António Eduardo Lico disse...

Ramos Rosa no seu esplendor.
Bom fim de semana.
Abraço.