11 de novembro de 2009

DOIS POEMAS PARA 11 DE NOVEMBRO


Agostinho Neto

NOITE


Eu vivo
nos bairros escuros do mundo
sem luz nem vida.


Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.


São bairros de escravos
mundos de miséria
bairros escuros.


Onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram
com as coisas.


Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.


Também a noite é escura.



António Agostinho Neto, Poeta e primeiro Presidente de Angola (Icolo e Bengo, 17 de Setembro de 1922 — Moscovo, 10 de Setembro de 1979)
(Poema in Sagrada Esperança)



***




Manuel Rui


BANDEIRA

é um braço de fevereiro e outro de novembro
que te içam.




os nossos olhos sobem lentamente
a ver teu desfraldar a noite as cores antigas
o vermelho e o preto.




bandeira catana de campesina luta
aliança na roda
dentada proletária força
sem fim até ao brilho sem limite
da estrela.




eles vinham pelo norte e pelo sul
para estar hoje mas não chegaram.
e de ti o luar começa a ser inveja!




olhamos-te bandeira agora
e vamos percorrer contigo este país
até semearmos novembro em toda a parte.


Manuel Rui Monteiro (Angola)


10 de novembro de 2009

POEMA

Moacy Cirne, autor de vários livros sobre histórias-em-quadrinhos (o primeiro deles em 1970) e um dos fundadores do poema/processo (em 1967), nasceu em São José do Seridó/Jardim do Seridó, RN, em 1943.
Uma pequena homenagem a quem divulga, no seu blogue, http://balaiovermelho.blogspot.com/ a poesia africana de língua oficial portuguesa, nomeadamente a angolana. Visitem o Balaio Porreta 1986, um bom lugar para se estar, ler e voltar.






o cheiro suculento da pinha
infância que se memória
abre-se para o canto das pedras
sob as chuvas de fevereiro e caicó.
fruticorpo orgasmo,
a pinha
se oferece à boca lenta e atenta
com seu aroma raro
seu aroma claro
e um branco de auroras arrependidas,
assim: a pinha.


[ in Balaio Incomun, n° 1178,
7 agosto 1999 ]

Moacy Cirne (Brasil)

9 de novembro de 2009

AMBIGUIDADE

Hoje, trago uma vez mais a minha poetisa e o seu blogue que aconselho a visitarem aqui: http://poesialilazcarmim.blogspot.com/





Desafiavas-me escondido por detras das vírgulas

E rias, rias iludido que nas reticencias frívolas
Arranjavas abrigo, um lar amigo para nossas demencias
Ahahahah...como os nossos risos cresciam...
Baloes de primaveras no outono de nossas vidas
Unguentos miraculosos sarando nossas feridas
Nao...nao falo de quimeras, mas sim das longas esperas
Com que perpetuámos os sentidos, reais e vividos
Nas rimas pintámos feras, e moldámos de barro
Muitas prosas, sonetos feitos duetos, laranjais frescos
De perfume indigo...dos sons fizemos esferas,
Bancos de jardins bebendo ópios de trigo.
Nas muralhas das odes...lindos arcos arabescos
Arquitectura debruada a linho...
Na ambiguidade da poesia...a fragancia de lilás e pinho!!!




Dinah Raphaellus (Portugal)

3 de novembro de 2009

QUANDO NASCI

UM POEMA DO NOVO LIVRO DE ROMÉRIO ROMULO: "PER AUGUSTO & MACHINA"






1.
quando nasci
uns bêbados diziam de eu ser cavalo,
um porco do cerrado,
um cachorro do mato.
bebi todos os copos que me abriram,
resvalei nas puras tempestades,
interpretei o ranço do silêncio.


bastardo da vida, fiz sobrar meu rasos.


2.
os rios me interrogaram de águas,
rasgaram minha garganta de luzes.
quantos peixes nadaram minha cara de cão?
mesmo plantas, do mato todas, se disseram de mim.
sobrou – da memória- a solidão vazada.


(( do livro Per Augusto & Machina ))

Romério Rômulo (Brasil)

http://romerioromulo.wordpress.com/

7 de outubro de 2009

III ANTOLOGIA DE POETAS LUSÓFONOS (Regulamento e inscricao)

III Antologia de Poetas Lusófonos




Regulamento



1.º Depois do sucesso das Antologias de Poetas Lusófonos (I e II) anteriores, com mensagens de parabéns de imensas personalidades, com destaque para os Digníssimos Presidentes da República de Portugal e Brasil assim como do Primeiro-ministro de Portugal, e com apresentações em várias cidades de portugal e Brasil. A Editora Folheto Edições & Design com o apoio institucional de várias Associações, Academias e Instituições dos Países Lusófonos, entendeu assim, lançar o regulamento para a III Antologia de Poetas Lusófonos com o intuito de continuar a promover a Poesia e os Poetas dos Países Lusófonos.

Para a II Antologia estão ainda agendadas apresentações para Paris (França), Zurique (Suíça) Lisboa, Porto, Alcanena, Silves e Açores

Desta forma a III Antologia pretende ser novamente um elo de ligação entre todos os Poetas da Língua Portuguesa. A III Antologia terá, além dos poemas a seleccionar, algumas notas de várias personalidades do Mundo Lusófono.



2.º A III Antologia de Poetas Lusófonos destina-se a todos os cidadãos naturais dos Países Lusófonos que residam em qualquer país do Mundo.



3.º A III Antologia de Poetas Lusófonos é coordenada editorialmente pela editora Folheto Edições & Design. A selecção dos poemas a editar é da responsabilidade da Comissão de Avaliação, constituída por elementos de cinco instituições ligadas à Lusofonia.



4.º Para fazer parte da III Antologia de Poetas Lusófonos cada participante deverá enviar até cinco poemas de sua autoria, com o máximo de 30 linhas (cada poema). Cada candidato responderá perante a Lei por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado com direitos de autor.



5.º Cada autor deverá enviar uma pequena nota de apresentação (máximo 4 linhas) e respectiva fotografia, para publicação junto do primeiro poema.



6.º O tema da III Antologia de Poetas Lusófonos é livre, cabendo no entanto à Comissão de Avaliação, considerar a pertinência da sua publicação. Todos os trabalhos inscritos serão submetidos à Comissão de Avaliação que, em tempo útil, informará o participante sobre a selecção ou não do(s) poema(s) enviado(s). Os critérios de apreciação serão da responsabilidade da Comissão de Avaliação.



7.º Os poemas deverão ser digitados em Word, corpo 12, Times New Roman, em língua portuguesa e deverão ser entregues em formato papel ou digital.

8.º Os poemas deverão ser enviados ou entregues para “Folheto Edições & Design”, Praça Madre Teresa de Calcutá, Lote 115, Loja 1 – 2410-363 Leiria – Portugal, ou através do endereço electrónico folheto@gmail.com, até ao dia 31 de Dezembro de 2009, acompanhados da respectiva ficha de inscrição. Este regulamento e ficha de inscrição estão disponíveis no seguinte blog: http://folhetoedicoesdesign.blogspot.com. Ou poderá obtê-lo enviando uma mensagem com a sua requisição para o endereço electrónico seguinte: folheto@gmail.com.



9.º

a) Para ter, então, o(s) seu(s) poema(s) incluído(s) na III Antologia de Poetas Lusófonos, após a selecção da Comissão de Avaliação, o autor seleccionado deverá finalizar a sua inscrição mediante pré-pagamento no valor de 20 Euros ou 25 Dólares (USA) por cada poema seleccionado (máximo de 5 poemas) e respectivos custos de transferência bancária (se for o caso). Na falta dessa inscrição final, ficará cancelada a participação do poeta no projecto em questão. Este pagamento só deverá ser feito depois do participante ser contactado, por escrito, pela Folheto Edições & Design. Isto é, cada poeta com o(s) seu(s) poema(s) seleccionado(s), será contactado de forma personalizada. Assim, o referido pré-pagamento dará direito ao autor receber 1 (um) volume da III Antologia por cada poema seleccionado, a enviar via CTT após a primeira apresentação pública. O valor em causa já incluí os custos de envio.



b) No caso de existir lucro com a publicação da III Antologia de Poetas Lusófonos este será direccionado para a IV Antologia de Poetas Lusófonos.



c) Cada participante terá direito a um certificado de participação que será entregue no dia da apresentação da III Antologia, ou será enviado pelo correio juntamente com o(s) livro(s) a que o participante tem direito após a apresentação do livro em causa.



10.º A III Antologia de Poetas Lusófonos terá o formato 17 x 24 cm, miolo papel IOR de 80 gr.s a uma cor, capa a 4/0 cores de 240 grs. Será editada, impressa e publicada pela Editora Folheto Edições & Design. Será ainda feito o registo da obra através do Depósito Legal e inscrição no ISBN (International Standard Book Number).



11.º Os poemas seleccionados, depois da edição da III Antologia de Poetas Lusófonos, poderão ser publicados noutras edições fora do âmbito da Folheto Edições & Design, visto que a Editora não assume os direitos dos mesmos, entendendo que cada autor é inteiramente livre de publicar os seus poemas onde e quantas vezes o entender.



12.º O participante assume o compromisso de conhecer e cumprir este regulamento e aceitar as decisões adoptadas pela Editora Folheto Edições & Design, entidade responsável pela coordenação e direcção da III Antologia de Poetas Lusófonos. O não cumprimento deste regulamento implica a exclusão dos trabalhos na III Antologia de Poetas Lusófonos.

Relembramos que as Antologias de Poetas Lusófonos são reconhecidas pelo Governo Civil do Distrito de Leiria.




Ficha de inscrição

III Antologia de Poetas Lusófonos



Nome Completo:

Data de Nascimento: (dd/mm/ano)

Sexo: Feminino 0

Masculino 0


Naturalidade:

País onde reside:

Bilhete de Identidade Arquivo:

N.º de Contribuinte:

Endereço:

Código Postal/CEP: - Local.: país

Telefone: Fax:

Telemóvel: E_mail:

Web:

Blog:



Para mais contactos/informacoes:

Folheto Edições & Design, Lda

Praça Madre Teresa de Calcutá
Lote 115, loja 1


2410-363 Leiria - Portugal




Tel./Fax: 244 815 198
Email: folheto@gmail.com


http://folhetoedicoesdesign.blogspot.com/

HUMBI-HUMBI (DJAVAN)

Uma bela cancao do folclore angolano, no idioma Umbundu (centro/sul de Angola) aqui interpretada por Djavan. Humbiumbi é um pássaro que anuncia coisas boas e voa alto, sempre mais alto convidando, com o seu canto, todos os outros pássaros a voarem mais alto, anunciando aos homens o nascer do dia, as sementeiras, a chuva...

 




HUMBI-HUMBI



(Música & Letra do Folclore de Angola, adaptada por Filipe Mukenga, interpretada por Djavan)




*Humbi-humbi Yange Yele_La Tuende
Kakele Katchimbamba Osala Posi


Humbi-humbi Yange Yele_La Tuende
Kakele Katchimbamba Osala Posi


**Vakuene Vayelela Yele_La Tuende
Kakele Katchimbamba Osala Posi


Vakuene Vayelela Yele_La Tuende
Kakele Katchimbamba Osala Posi


**********************************

HUMBI-HUMBI



*Humbi-humbi meu, vôa, vôa vamos embora
Coitada da katchimbamba que não sai do chão


**Os outros voam, vôa tu também, vamos embora
Coitada da katchimbamba que não sai do chão




[yele_la, de okuyelela=voar]
katchimbamba [acho q é avestruz]




(Tradução do Umbundu de Gociante Patissa)





CARTA DE UM CONTRATADO

Um dos maios belos poemas de António Jacinto, poeta angolano já falecido e neste video dito magistralmente por José Ramos acompanhado pela nao menos magistral música de Travadinha, músico caboverdiano.



Biografia

António Jacinto (1924-1991 - Angola)

António Jacinto, cujo nome completo é António Jacinto do Amaral Martins, nasceu em Luanda em 1924 e faleceu em 1991. Orlando Távora é o pseudónimo utilizado por António Jacinto como contista.
Por razoes políticas esteve preso entre 1960 e 1972. Militante do MPLA, foi co-fundador da Uniao de Escritores Angolanos, membro do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola e participou activamente na vida política e cultural angolana. Foi empregado de escritório e técnico de contabilidade, Ministro da Educacao de Angola e Secretário de Estado da Cultura.
Colaborou com producoes suas em diversas publicacoes nomeadamente Jornal de Angola, Notícias do Bloqueio, Itinerário, Império e Brado Africano e foi membro da revista Mensagem.
António Jacinto é considerado, por muitos, um dos maiores escritores angolanos.



 

CARTA DE UM CONTRATADO



Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio
de te perder
deste mais bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta de confidencias íntimas,
uma carta de lembrancas de ti,
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como diloa
dos teus olhos doces como maboque
do teu andar de onca
e dos teus carinhos
que maiores nao encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que recordasse nossos tempos a capopa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixao
e a amargura da nossa separacao...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que a nao lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamae Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo o Kilombo
outra a ela nao tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa
uma carta que os cajús e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levassem puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor....

Eu queria escrever-te uma carta...

Mas ah meu amor, eu nao sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu nao sabes ler
e eu - Oh! Desespero! - nao sei escrever também



(Poemas, 1961)






18 de setembro de 2009

POEMA DE DINAH RAPHAELLUS

A escuridão grita rosas

Negras no silêncio ferindo
As sonoras orquídeas
Amarelo laranja
Duma claridade ausente
De chuvas rubras.








Dinah Raphaellus (Portugal)
http://poesialilazcarmim.blogspot.com/

17 de setembro de 2009

PRADO PAIM - LEMBRAM-SE DE "BARTOLOMEU"?




Domingos Prado Paím foi o primeiro músico do país a conquistar o Disco D´Ouro, com 34 mil cópias vendidas em 1974. Intérprete e compositor, hoje aos 67 anos de idade, o célebre cantor vê-se inteiramente votado ao abandono, sem qualquer recurso para dar continuidade sobretudo aos seus projectos artísticos.






O cantor queixa-se da falta de tudo: desde apoios à realização de concertos e galas adequados à sua vertente artística. Prado Paím deixou de gravar há 35 anos, exactamente na altura em que conquistou o Disco D´Ouro.




Com a venda das 34 mil cópias do seu único disco conseguiu comprar, no mesmo ano, a sua casa de madeira, no município do Sambizanga, onde ainda se encontra a residir. Uma casa que se encontra em estado deteriorado, a necessitar de obras de reabilitação urgentes.






Prado Paím confessa sentir-se cada vez mais abandonado, diz que já bateu a várias portas, algumas delas resultando em meras promessas: “Para mim, a felicidade é aquilo que nós alcançamos no decurso da nossa vida, o bem-estar. Mas como tudo corre mal na vida, este desejo não se alcança e muitas vezes sentimo-nos muito aflitos e choramos”, disse. O cantor está parado desde 1974.






O seu último espectáculo realizou-se em 1992, em Portugal, no âmbito dos acordos de Bicesse. De lá para cá, a sua vida artística foi regredindo aos poucos por motivos de saúde, por um lado, por falta de incentivos por outro. Actualmente, vai sobrevivendo com alguns apoios, sobretudo dos próprios filhos. “Tenho o primeiro Disco D´Ouro, conquistado em 1974. O caso não é para brincadeiras, não é uma obra que eu fiz à toa. Não a fiz por mera casualidade; tenho um troféu, está aí e justifica plenamente.




Foi conquistado antes da Independência e até agora não se diz nada, não se divulga nada e eu também não me sinto bem. Vejam que o troféu surge num período muito delicado. É triste que hoje ninguém reconheça este feito”, desabafou.




Prado Paim refere que quer aproveitar as energias de que ainda dispõe para gravar o CD há muito desejado, o que no seu entender, mesmo que seja o último, poderá honrar o compromisso que tem para com a família e o público, considerando que a sua idade, aliada a vários factores, poderá levá-lo a fechar as vistas a qualquer momento. Além das músicas antigas que fizeram dele um artista de sucesso, deixando a sua marca nas décadas de 70 e 80 com trechos como “Bartolomeu” (semba em homenagem ao seu amigo assassinado no Sambizanga por acudir uma jovem que fora violada) “Esperança” e “Zênze”, Prado Paím disse ter preparados dez novos temas, podendo incluir outros durante os ensaios.






Toda a acção está dependente de patrocínios para poder entrar em estúdio e gravar, de modo a satisfazer os admiradores e apreciadores da sua música. “Estou razoavelmente bem de saúde e queria fazer o meu último lançamento. De repente posso fechar as vistas e as minhas obras ficarem sem efeito. Tenho boas obras por lançar. Estou a andar de baixo para cima à procura de apoios para lançar o meu disco, poderá não ser o último, mas digo já o último, porque quanto menos se espera, a qualquer momento um indivíduo cai.






Por exemplo, diabo seja surdo, de repente, posso sentir-me mal, cair a qualquer momento e morrer. Então fico sem deixar o meu testemunho, as obras, e como sabe, começam a apanhá-las e executí-las de qualquer maneira por outros indivíduos, conforme tenho acompanhado, e tudo acaba por ficar nos diversos, sem qualquer justificação. E quem ganha com isso são outras pessoas.






Quero evitar que tal aconteça”, realçou Paím. O artista lançou um alerta às entidades ligadas à promoção de actividades culturais para prestarem o seu apoio ao lançamento do tão almejado disco, para o qual diz ter já seleccionado alguns instrumentistas, como Joãozinho, Bana Maior, entre outros. “Esperança de fazer um novo CD nunca perdi, porque eu nasci para a música. Quando eu era mais novo, naquele tempo, eu sonhava com alguém a me dar música, sou de uma família originária de músicos, cantores e compositores, e sempre cantaram muito bem. Mas, actualmente, lamento simplesmente a falta de apoios”.


 
Créditos: O País on line

15 de setembro de 2009

POEMA DE MARIA A. DÁSKALOS



"Onde cairá o orvalho se as pedras perderam dono"







Onde cairá o orvalho se as pedras perderam dono


e história


e só as coisas torpes e destruídas


cobriram os campos e tornaram cinza o verde?






Oiço exércitos do norte do sul e do leste


fantasmas lançado o manto das trevas


os rostos exilando-se de si mesmos.


Oiço os exércitos e todo e qualquer som abafarem.


- Não ouves a chuva lá fora, a voz de uma mulher,


o choro de uma criança?


Oiço os exércitos, oiço


os exércitos.






Quero reconstruir tudo - alguém disse


e ouvimos cair as árvores.


E vimos a terra coberta de acácias


e as acácias eram sangue.






Estamos à beira de um caminho


- que caminho é este?


Inventam de novo o vôo dos


pássaros.


Aqui já se ouviu o botão da rosa a desabrochar.






Maria Alexandre Dáskalos (Angola)

MUXIMA

Muxima, da autoria de Liceu Vieira Dias, um verdadeiro hino da alma angolana. A cidade de Muxima, na margem do Kwanza, tem o mais importante santuário mariano da África Austral, dedicado a Nossa Senhora da Conceicao, conhecida em Angola como Nossa Sra. da Muxima, Mama Muxime, ou seja, Nossa Sra. do Coracao, do coracao dos angolanos.

14 de setembro de 2009

O SOM DAS MARIMBAS - ANGOLA

13 de setembro de 2009

CONTO DE JOAO TALA

ESTE É UM CONTO DE JOAO TALA (POETA ANGOLANO) QUE PODE ENCONTRAR NO BLOGUE DO AUTOR: http://blogtala.blogspot.com/ OU NA CONFRARIA DO VENTO: http://www.confrariadovento.com/revista/numero21/conto01.htm
JOAO TALA É UM DOS NOVOS TALENTOS DA LITERATURA ANGOLANA.
Joao Tala (poeta e escritor angolano)
ANA RITA - CONTO DE JOAO TALA (ANGOLA)




O sorriso ainda é o mesmo apesar de contrariado por um rosto flácido, pousado sobre o peso dos anos. Li-lhe na sombra os olhos da alma e pareceu-me igual a tantas e tantas mulheres apreensivas dos constantes recuos de suas vidas. Não era sempre que se podia conservar um sorriso a largo dos acontecimentos mais disparatados no interior de um território que pouco ou nada se realizava no sonho da gente. Reconheci-a ante o susto dessa velhice.
– Ana Rita, quanto tempo já nos comeram – disse-lhe ansioso de ouvir de novo o timbre agudo da sua garganta; tinha voz receosa, talvez cautelosa. E sofrimento.
Respondeu-me finalmente, agora fazendo sobressaltar a voz.
– Tem muitos anos, nos conhecemos. Aonde estavas durante essa vida em que nos puseram fogo? – disse, a sua linguagem é o retrato da guerra.
Em 1969, Ana Rita abandonava os estudos para se casar. O noivo era um militar do exército colonial, uma pessoa de quem se lembra como vinda de boas famílias. Naquela altura, Ana completaria dezoito anos, tão moça e arrumadinha, se lhe notava o sonho na lentidão dos passos – sabe aquela adolescência no sono de mulher?
Então. O noivado descoseu-se, o casamento não se realizou. Muitos anos depois disseram-me que o homem tinha sido seduzido por uma gatuna chegada do puto; e que Ana tivera então que descobrir as outras duas partes de um “rosário” feminino – são promessas que dão à mulher. – Na época uma mulher da gente tinha apenas três opções: ser casada, beata ou prostituta. Digo mais ou menos nessa proximidade, já que solteira não tinha vez.
As opções de Ana Rita foram sempre agravadas por azar. Por conseguinte, ela é de uma família católica formada de muitas mulheres onde o catolicismo tinha pinta de obrigatoriedade. Duas de suas primas eram madres e a irmã mais crescida concorria para tal. Tinha também um tio padre que vivia no Congo.
Assim ela achou-se numa opção contundente, diante da Fé de todas as crenças. Teceu um manto religioso para a alma e com o instrumento da fé foi a abrir conventos para refugiar-se daquele mundo que não a desagravara.
Não sei por quanto tempo, nem ela o sabia, as portas atrás de si permaneceriam fechadas; quanto duraria o degredo – apesar de que coisas da alma duram quanto o tamanho da fé e de Ana esse mundo é pequeno ante a crónica da sua alma.
Então. Restou aqui fora aquele sorriso que nem velhice consegue riscar, num rosto que perambulava aí, no susto das épocas que degradaram nossos semblantes – como se vê, pessoas ainda assustadas, esquinadas na espera de qualquer coisa que vem aí, ninguém sabe o quê, mas qualquer raiva de novo a deflagrar de nós próprios. Aliás, sempre fomos assim, não tem conversa.
Encontrei-a sobre o peso dos seus anos arrastando um corpo magro. Provavelmente nada mais lhe dói. Fica-me ainda a rememoração de tudo que se passou daquela vez que Ana Rita desconseguiu na vocação.
Não saiu do convento pelos fundos, mas pela porta que lhe estava permanentemente destinada; uma porta se abria aos seus desejos como se fosse magia. Abriu-se lenta, completa; o som gutural de dobradiças nos caixilhos.
Começou após aquela visita sofisticada que eu e o meu amigo Beto Bengala efectuamos à comunidade das Irmãs Clarissa.
Beto possuía uma religiosidade centrada no catolicismo que também vinha de família, pergaminhos da fé que sobejava por Malanje inteira. Dele diziam ser um homem crepuscular...
Não entendo. Vive de crepúsculos ou contando crepúsculos? Depois é que ele me deu a conhecer que se ajoelhava ao pôr e ao nascer do sol para rezar, com a perseverança de um muçulmano, passe o exagero. Minha euforia em Cristo aumentou com a sua dedicação à minha enfraquecida alma e fê-lo para aumentar nossa amizade.
Se não fosse ele, jamais conseguiria entrar no recinto fortificado das Clarissa para olhar o rosto da Ana Rita, um rosto que sempre me encarava próximo ao choro, como uma criança apanhada em erro com medo de ser castigada. Assim ela era, uma sensibilidade se arrastava sobre a minha pele – ela tocava demais meu exterior, como a lava expelida de um vulcão interiorizado.
É proibida a visita de machos no convento. Não pelo simples facto de ser homem – macho é um estado diferente do carácter formado no celibato. O Beto Bengala desconta-se porque é diferente: antigo sacristão, vindo de uma família forjada na palavra de Deus. Estando a mais, junto-me às suas afinidades.
Recobrada da aflição, entre deixar-nos entrar e a proibição tradicional no espaço das Clarissa, a Madre Superior deu-nos muita alegria.
Com Ana Rita apareceu um coro de raparigas, adivinha-se logo desejos de rever por um dia, nem que seja a sombra de um homem. Um encontro insólito de que vou me lembrar sempre.
Primeiro, chegaram com o coro absoluto do silêncio; depois, uma delas – ainda me lembro do seu vestido branco com auréolas vermelhas e lenço azul marinho na cabeça, subiu sobre a onda e em seu pedestal se destacou para quebrar a mudez.
– Nunca mais vi um homem. – disse com uma tonalidade exclamativa, com um impulso apenas feminino.
– Precisava ver? – indaguei a despropósito com um gesto visivelmente sensível.
Precisei agradar mulheres na idade de partir o coco, postando de vez meu lado masculino. A maioria das meninas, senão todas, não viam um homem por mais de seis meses, disseram, o cheiro de machos se lhes tocava por isso fundo.
É uma questão de vocação.
– E você tem vocação? – indaguei a Ana Rita que parecia penalizada com tudo aquilo.
Agora um olhar trêmulo; um sorriso assustado; de cara com a sua timidez.
A moça que dissera nunca mais ter visto um homem portava-se com assanhadice. Era uma moçambicana com ares de ingenuidade, mas que adentrava nos olhares lúbricos e furtivos com que a adornei.
Diante de nós, separados por uma grade metálica, pousavam cerca de doze jovens belas, suaves, comunicativas. Não me fiz rogado, dei-me a elas a falar da relação homem/mulher. Tremiam o riso mas encantavam-se aquelas mulheres que meses e meses lhes estava vedada a proximidade masculina porque o segundo instinto se impôs e cupido chegou de boleia.
Não faltaria afinal uma espia, uma madre caducada e fria. E o que estava bom demais logo coartado com o fim da comédia. Foram imediatamente recolhidas as raparigas do outro mundo.
Beto Bengala que tinha uma irmã entre as moças passou o tempo restante me acusando e amaldiçoando, quase me chamava psicopata. Eu disse: fui lá para não rezar com as meninas – lógico, não é mesmo?
– Tanta puta por aí e você vai logo de zombaria sobre aquelas pobres meninas, comprometidas com a Palavra. Só um anormal como tu. – Xinguilava [gesticulava]raivoso o Beto.
Pelo menos o Beto tinha fundamentos, com toda a razão. Mais razão ainda depois que certas coisas aconteceram: a excitação de freiras é algo soberbo mas por vezes maligno, e impaciente; deixá-las com a angústia num torvelinho de hormónios. Tudo isso madrugou, sem a despertação, uma série de lembranças imortais no sonho absoluto de Ana Rita.
Portava-se uma mulher febril numa catástrofe de delírios. Seu primeiro sonho depois daquele encontro inesperado foi esmagado por uma convulsão generalizada e faminta, gemidos rosados mas caóticos abalos nas palavras contorcidas; corpo santiforme no equívoco do mundo com os desejos mundanos do inconsciente derramados no lençol. O lençol sempre encharcado com suor, baba, fluídos vaginais e urina; e sonhos. Sonhos altos, sonhos imundos para aquela comunidade religiosa preste a dar noivas e esposas caprichosas para Jesus Cristo.
Viveu Ana Rita na redondeza do sonho durante muitos dias. Despertava para o sonambulismo que voltava a agravar-se de febre, delírios e contorções sensuais. Um dia acordou de vez, fraca, porém mais esclarecida. Voltou-lhe aquele sorriso de sol num rosto dúbio. Abriu as portas do convento e chamou a si aqueles desejos dum mundo quente.
Contam que fora tanto o fogo e a sofreguidão que se achasse um homem no halo do seu percurso, certamente lhe trepava logo para sacudir o tédio e as teias que ganhara num lugar parado onde se vive conciliado com a morte – não pelos dias sinistros que nos anos 70 se alastravam como aquelas noites que a memória aterroriza; a morte a rir-se do que está vivo; não da morte assim como ela é, verdadeira e terminal mas, isto sim, a idade de que se idealiza parada, sequestrada... E o mundo só parece acontecer fora das unidades fechadas, fora da internação.
Saíra a procura dos sonhos. Desde aquela vez que me ouviram uma linguagem nova, passei a ser para ela e para muitas outras mulheres apertadas naquele convento, a abundância dos escassos dias oníricos que em Ana Rita pioravam para o conhecido purgatório dos delírios e alucinações meteóricas.
Tudo isso levara anos. Depois que se completou a metamorfose dela eu não estava mais cá fora. Tinha sido rusgado para a tropa. Naquele tempo era rigorosamente assim, apanhavam involuntários (uma rusga é um processo em que se permite o sequestro oficial) que incorporavam nas fileiras marxista de um governo que parecia embruxado, perto do povo mas irrealizável.
– Onde está aquele que tem chamas na boca? – perguntava insistente para o Beto Bengala.
Beto é um tipo muito simples. Mais fácil para ele seria exercitar-se para o divino do que abrir metáforas de fogo; não enche a boca com palavras sexuais para as deitar no meio da depravação mundial, onde qualquer mulher pode ser banalizada. Não se sabe se algum dia ele vai se casar por alguma razão nobre que não seja sacramental.
Também dizem que Beto é vagaroso com as mulheres, que jamais olha para a bunda duma dama. Tem tudo – dizem as fêmeas – para agradar filhinhas de papai, porém, nunca namorou garota alguma. Mas tem mesmo gente assim... não tem?
Ana Rita foi entrando, à minha procura, pelas ruas da vida; e sua confusão mental abonava mais desesperanças com deambulação sonolenta de rua em rua.
– Onde está o fogueiro com o calor que preciso sentir? São as minhas sensações que ele tem na boca. – Solicitava, mas minhas palavras não foram desse fogo todo que ela clama e reclama.
Falta de respeito – lhe falaram confessos puritanos e beatas e beatos que sempre andam demais na sua vida – não toma nenhum cuidado com a língua. E pensar, ia ser freira... Pobre Cristo!
Algum padre inadvertido, muito tolerante para com a paixão humana, tentou protegê-la com a sua fé. Defendê-la dos acasos mundanos na encruzilhada de qualquer infidelidade.
– Haja compaixão. É apenas uma ovelha desgarrada – ele disse.
Ouviu do bom:
– As putas também são, padre.
Contaram-me tudo o que aconteceu com esse amor desaparecido, a Ana Rita. Eu estava impossível, perdido na história militar.
Anos depois que voltei da kuemba [serviço militar], fui encontra-la totalmente diferente. Chamavam-lhe “bandida” e carregava uma gravidez indesejada, de algum amante desconhecido. Seu conceito de vida aterrorizou-me. Tinha um rosto frio como eu tinha visto em filmes de agentes secretos, embora abrisse, a calhar, ainda o sorriso agradável. Eu desejava que falasse do seu futuro filho, o menino iria nascer do seu ventre.
Ríspida! Ela se tornou numa mulher bastante ríspida. Irrisória.
– Que esse pavor me venha parar nos braços –; disse, nem lastimosa – se nascer um gato ou uma esperança, o nome é depois.
– Ritinha, não se fala assim de um filho... nem nasceu ainda, coitado. – Implorei.
– Eu me desgastei. Onde tu estavas enquanto eu aqui me desgastava de todas as dores?
– Ana Rita, ouça-me: nunca um homem pode ser tanto. Ninguém desgasta à toa mulher que seja.
– Nunca mais vou sentir a dor de uma voz. – Ironizou, era uma crítica à minha ausentada vida enquanto ela procurava...
– Eu procurei o teu nome... vai estar sempre perdido como ninguém. – Finalizou desesperançada. Afinal nem conhecia meu nome.Formidável – formulei em meu pensamento vinte anos depois que o caso de Ana Rita me deixava de espírito atormentado. Talvez fosse por demasiada compaixão ou por excesso de zelo. – Formidável.
Como disse no começo, o sorriso é ainda tão claro apesar da apreensão secular que se nos repartiu de todas as guerras angolanas. Vinte anos tinham pesado firme sobre caminhos que ela não pisou, que não a levaram para lado nenhum.
Estavam mortos os caminhos por que devia passar, de viagem nocturna para a sobriedade. Tudo que perseguiu, depois que ela não me viu mais, foram desejos inconfessáveis ou sigilos do munhungo [libertinagem] – o mesmo que o mundo ainda vê mas que para si guarda como se tal mundo nada mais de si pode achar: degeneração. Apesar de que os olhos continuam sorridentes.
Agora é tarde demais para recomeçar.
 
 
Joao Tala (Angola)

9 de agosto de 2009

RAUL SOLNADO (1929 - 2009)








21 de julho de 2009

CHUVA DE ACÁCIAS BRANCAS


Deixo-vos este belo poema que nos transporta para uma musicalidade sublime e simbolista...






A chuva Madura
De acácias brancas,
Batia fortemente
No peito feito Sol nascente.
Onde botoes de sangue,
Floresciam na tarde
Rubra e quente...adivinhando
O poente, fruto feito
Noite dolente,
Gemendo escalas, cascatas...
Nascentes da lua feita...
Parda guitarra!!!


Dinah Raphaellus (Portugal)

POEIRA VOLTOU



Poeira, o chefe do posto
Voltou
Mudou de nacionalidade
Cor e rosto
E voltou com sua brutalidade
Mudou de nacionalidade e regressou!

Poeira voltou
Para kuatar os filhos dos outros
Para kuatar os filhos dos negros
Mudou de rosto
E regressou
Mudou de rosto e regressou para nosso desgosto!

Poeira voltou
E anda pelos musseques do Rangel, Sambizanga, Samba…
São Paulo, Baixa, Mutamba…
Poeira regressou
Para novamente kuatar os filhos dos outros
Para novamente kuatar os filhos dos negros!

E andam muitos, um, dois, três, quatro Poeiras…
Andam em carrinhas pela cidade
Atrás das vendedoras
Atrás das zungueiras, com brutalidade
Poeira voltou
E cabeças a abanarem de desgosto, hum, hum, Poeira regressou!

Poeira voltou
E desce da carrinha armado a correr
Desce da carrinha armado e toca a bater
Porrada na zungueira
Porrada na vendedora
E mãos na cabeça em lamentos, aiué, aiué, Poeira regressou!

Poeira voltou
Recebe o negócio das zungueiras
Bate nas vendedoras
E corrida com os ambulantes
Poeira voltou, kibutos apressados em cabeças descontentes
E pensamentos revoltados, hum, hum, Poeira regressou!

Poeira voltou
Kibutos espalhados no passeio
Ponta-pés impiedosos no negócio da vendedora
Ponta-pés no ganha-pão da zungueira
Poeira voltou, ponta-pés implacáveis no suor alheio
E corações ressentidos, hum, hum, Poeira regressou!

Poeira, o colono que kuatava os filhos dos outros
O colono que kuatava os filhos dos negros
Mudou de cor e voltou
Mudou de nacionalidade e regressou
Poeira voltou e bate na vendedora
Poeira voltou e recebe o negócio da zungueira!

Poeira, o chefe do posto
Mudou de nome e nacionalidade e voltou com outra cor e outro rosto!



Kuatar: agarrar, prender
Zungueira: vendedoura ambulante
Kibutos: coisas, pertences

Décio Bettencourt Mateus (Angola)

In “Os Meus Pés Descalços”

18 de junho de 2009

SOU COMO SOU





Que o mundo entre em festa
Batam testos ou tambores
Para mim não importa,
Não são dissabores.
E sabem porquê?
Porque eu não sou esta,
Mas sim a outra...
que ninguém vê.
Sim sou e com orgulho
Nos olhos e na boca.
Com vaidade e comoção
Não sou lambe-cús,
Falsa, bajuladora...
De sufisma sempre na mão!
Sou qual águia, voando
pelo Céu afora,
sou palavra, liberdade
no Céu na terra...
onde me pecam a verdade,
Lá estarei qual fera.
Sou o que sou e não me importa
Gritem os Deuses...
O Demo que feche a porta...
Sou o que sou e não deixarei
De o ser ...mesmo quando morta!!!



Dinah Raphaellus (Portugal)



3 de junho de 2009

FOTÓGRAFO ANGOLANO

O fotógrafo angolano, José Pinto "Tonspi", foi seleccionado para o ALL STARS team do programa TWENTY TEN.
O Twenty Ten (2010) é um programa que selecciona 36 radialistas e 36 fotógrafos e fotojornalistas e 36 jornalistas para "contarem estórias, "fazerem bonecos" sobre e até Julho de 2010 relacionados com o Campeonato Mundial de Futebol a ter lugar na África do Sul.
Eis algumas fotos da sua autoria, para apreciar mais fotos deste excelente fotógrafo angolano siga este link:










6 de maio de 2009

LÍNGUA




Língua
Gal Costa
Composição: Caetano Veloso (Brasil)

Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para prosa
Assim como o amor está para amizade
E quem há de negar que essa lhe é superior
E deixem os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala Mangueira!
Fala!
Flor do Lácio sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer e o que pode essa língua?
Vamos atentar para sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê?
Vamos na vele da dicção choo choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E xeque-mate
Explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e imã imã imã imã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Matoso
E Arrigo Barnabé e Maria da Fé e Arrigo Barnabé
Flor do Lácio sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer e o que pode essa língua?
Incrível! É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Se você tem uma idéia incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer azevedo
E o recôncavo e o recôncavo e o recôncavo
Meu medo!
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria tenho mátria e quero frátria
Poesia concreta prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap chic-left com banana
Será que ele está no Pão de Açúcar?
Tá craude brô você eu tu lhe amo
Que é que eu te faço nêgo?
Bote ligeiro!
Nós canto falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores nos guetos de Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixem que digam, que pensem, que falem.

29 de abril de 2009

PER AUGUSTO & MACHINA


Esta postagem foi retirada na íntegra do blogue da minha amiga Meg, com sua devida permissao e que podeis visitar neste endereco: http://recalcitrantemor.blogspot.com/ um blogue que vale a pena visitar!!!












Hoje, trago-vos, em antecipação, quatro poemas do amigo e grande poeta,
Romério Rómulo, que constam do livro "Per Augusto & Machina",
a chegar muito em breve às nossas mãos, pela editora Altana
.
de quantas nuvens se faz uma loucura?é construída a mão que bate o prego?as estações do corpo só revelamo hábito eloqüente do delírio.que nos corroa a pedra, o visgo loucoda agonia!desmonte do tamanho, o extirpado dente,gengiva em sangue são a mesma facedo hábito terrível de ser homem.quanta eloqüência travada no meu olho!.(uma bravura regenera a noite).
.~~~..
a vaga decisão de ser meu corpo
o elo de teu ventre com a terra.
devo extirpar o gesto adquirido
num, por somenos, ato reticente
de ver distância de mim ser teu intent
eu tenho que arrancar da tua nuca
quando as valas mostrarem nosso rumo
quando as formigas resvalarem atos
de um só ser em nós se validar
vou te mostrar a minha mão candente
meu corpo todo ele enluarado
e o meu dente podre de manhã.
há de sobrar de nós-o quê? –só torpes
rasgos de vento no olho do tufão.
a pura pedra me diz:
quando fui homem?
.
(arrancar da tua nuca)
.
.~~~
..meu corpo traz uma equação de nuvem.
pobres resgatados, desmorados, osso e braço
rezam no ar de penitência suas águas.
proprietários do sobrado, pouco lhes resta.
de tempo, arreganham dentes de uma fome sólida.
ralos de feijão, seus corpos sabem o horizonte da terra.
escaldados, cândidos, um sopro.
.
(cândidos, um sopro)
.
.
~~~
.
.
o meu pecado é válido, se podre
arranca luzes da cidade alta.
qualquer amante a noite se refaz
deixando a güela ressarcir desejos.
quando mães, estacas, se filiam
às quadras do delírio permanente?
se, à noite, piso infernos e bordéis
é que um destino vago me repisa.
somos filhotes desta dor e medo.
somos filiados à mazela rústica.
quanto de podridão varreu-me sempre
se só o acaso dedilha meus olhares?
sou vil filhote desta dor e medo.
.
(todo sertão é um caldo de tortura)
.
.
.
Romério Rómulo
.
.
.«««o»»»
.
.ROMÉRIO RÓMULO...no Café Literário
"O Novidades & Velharias, reintroduzindo o quadro de entrevistas intitulado “café literário[1]”, contará com a presença do poeta mineiro Romério Rômulo para debater questões relacionadas aos seus horizontes de criação, preferências e concepções literárias e alguns elementos perceptíveis em seu novo livro de poesia, intitulado Per Augusto e Machina. (...)"Hercília Fernandes
«««o»»»
A propósito da entrevista acima anunciada, Romério Rómulo, deixou-me um convite que é dirigido também a todos os amigos do Recalcitrante, e que passo a transcrever...
meg :
uma notícia.
a professora hercília fernandes,da universidade federal do rio grande do norte,brasil
(ela é conterrânea do moacy cirne),fez uma longa entrevista comigo,e disponibilizou
no
http://novidadesevelharias-fernandeshercilia.blogspot.com/
deixo o meu convite à leitura da matéria a todos os amigos do blog
um beijo.
romério .
.
.
«««o»»»
.
.
Já li a extensa entrevista e confesso que me surpreendeu... fiquei a conhecer muito melhor o Homem e o Poeta ...o seu trabalho, a sua obra e o novo livro de poesia.
Recomendo-a vivamente... a todos.
Bem haja, Hercília Fernandes!
Obrigada, Romério!

22 de abril de 2009

BIBLIOTECA DIGITAL DA UNESCO




A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou esta terça-feira a Biblioteca Digital Mundial, que permitirá consultar gratuitamente pela Internet o acervo de grandes bibliotecas e instituições culturais de inúmeros países.

21 de abril de 2009

DinâMica Interna Da Terra


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12 de abril de 2009

ACERVO DIGITAL DA REVISTA VEJA - ABRIL EDITORA






Para vocês o link de acesso a todas as revistas VEJA, editadas pela Abril (Brasil) nos últimos 40 anos.
Da capa à contra-capa, incluindo todas as páginas.
Um trabalho admirável pela qualidade, fidelidade e tecnologia aplicada.
Todas as edições de VEJA poderão ser consultadas na íntegra na web, um acervo de 40 anos de existência na internet.
Todas as edições poderão ser consultadas na íntegra em formato digital no endereço:

http://veja.abril.com.br/acervodigital

BOLINGO - Abel Duere Benguela Angola



Seu timbre de voz inconfundível mistura a magia, o encanto e a força da mãe África.Show ao vivo gravado em Setembro de 2007.

7 de abril de 2009

GLOBALIZAÇÃO





Do consenso saiu a máxima:
“É preciso globalizar os mercados”.
Daí em diante disseram mais:
“Derrubem tudo...
Todas as barreiras derrubem. Façam cair todos os muros.
Não poderá haver limites para o capital.
Os lucros são mais importantes que homens”.

E assim deu-se a Globalização!
Criou-se para toda nação
um deus-mercado...

Mito sagrado da dominação
Aos poucos foi espalhando pelo mundo
O credo da igreja de Washington
Pecado agora é desobedecer o mercado
Portanto juntem-se todos numa só oração:
Louvai o deus-mercado
Somente ele é capaz de livrar da escravidão...


Quanta enganação deste mandamento!

O miserável povo
No enredo de miseráveis procissões
Vai transferindo dos infernos
Da pobreza...
E da fome
Para os céus das grandes nações
Almas escapeladas
Ungidas pelo fogo dos senhores donos do mundo
Num ritual macabro de miseráveis crucificações...
E nada pode aplacar a fúria do deus-mercado
Que cobra cada vintém
Mesmo daquele que nada mais tem
Para comprar o pão nosso de cada dia
Que alimentaria
O filho seu...

Ó sina das sinas!

Até quando este povo deserdado
Há-de suportar quanta e tanta subjugação?
Até quando!?

Há uma profecia que nasce do espírito das nações vencidas:
“Para vencer a necessidade existe apenas a necessidade de vencê-la”
Este terço precisa ser dobrado no coração de cada fiel
Somente assim
Sob o manto dessa contrição ao Deus puro
Comum e solidário
Todo o povo alcançará o céu
© De João Batista do Lago (Brasil)

3 de abril de 2009

UM POEMA DE LUÍS QUINTAIS

I

O estrépito que o passado faz.

As palavras gritadas.

A terrível máquina de dizer

e calar.

Tudo gira no nada

e no nada se compraz.

Uma fúria ergue-se

no plasma.

Uma cidade é destruída.

Escuta os muros

que se abatem.

Desenha árvores,

o rápido deslizar de nuvens,

o desenho que a mão faz

quando teme agarrar o sentido,

e o sentido é escuro, escuro.

II

O dia acaba, e com ele

a incerta medida dos teus erros.

Uma lâmina de vento

inicia-se no escuro.

A noite apaga o teu zelo.

O vestígio do ontem

cruza o sítio da memória,

somente atenuado

por outras presenças.

III

O rio escurecia

e depois aclarava e depois escurecia.

As árvores gravitavam nas margens

da tua memória,

faziam correr estilos de morte e promessa.

As personagens do inscrevível

seriam afinal mais monstruosas

do que se suspeitara,

e os insectos emudeciam

enquanto o outono regurgitava as suas vítimas.

E tu, tu? E tu fazias abolir

o sentido para fazer eclodir de novo

o novo sentido. E tu procuravas entre despojos

um aro de bicicleta partido,

um casaco com bolsos que dessem para o improvável,

um qualquer outro achado preso à cega geometria

e à circunstância do procurar.

IV

Atravessas a ponte, lês o jornal, alheias-te

do rio, mas o rio sitia-te

com a sua música de eleição,

a que julgaste escutar,

apesar dos sinais de morte

te encadearem

com a sua luz extrema.

Terás tu ainda a certeza do começo

movendo-se no écran

do primitivo medo

de que não há limite,

fuga, consolo.

V

Animal afeiçoado à metamorfose e à fuga,

o rio muda de cor

e tu anotas o denso espelho

e imaginas a métrica

que o levará à foz.

O rio é o teu deserto

e a palavra

apenas palavra

com que o descreves

a tenda onde o provisório

vem habitar.

Luís Quintais nasceu em 1968 em Angola, Luena (exLuso). Antropólogo, poeta e ensaísta, lecciona no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra. Como antropólogo tem publicado ensaios em diversas revistas da especialidade sobre as implicações sociais e culturais do conhecimento biomédico, em particular sobre a psiquiatria e seus contextos. Como poeta, publicou A Imprecisa Melancolia (1995), Lamento (1999), Umbria (1999), Verso Antigo (2001), Angst (2002), Duelo (2004), obra a que foram atribuídos o Prémio Pen Clube de Poesia e o Prémio Luís Miguel Nava – Poesia 2005 e Canto Onde(2006).

1 de abril de 2009

COMO ARREFECER O PLANETA

Nos últimos tempos tem-se assistido ao debate em torno do planeta Terra, da sua sustentabilidade e preservação num futuro próximo. Muitos são os alertas de cientistas, biólogos, físicos, químicos, políticos e defensores de uma causa que a todos deverá preocupar, afinal estamos a falar do futuro das gerações vindouras. A constante emissão de dióxido de carbono que retém o calor na atmosfera e aquece o planeta está a provocar danos irreparáveis, havendo até quem fale no fim do planeta Terra, tornando-se este inabitável para a vida humana. Não sendo tão alarmista, mas chamando a atenção para o problema João Lin Yun faz uma análise ao equilíbrio da Terra e à sua relação com o sol em termos energéticos, aborda o efeito de estufa, o papel regulador dos oceanos e aponta soluções como reduzir as emissões sem parar a economia, reflorestar, o recurso a novas fontes de energia e sugestões para arrefecer o planeta. O autor termina com os riscos que Portugal já está a sofrer e como irá sair afectado com o aquecimento e conclui com um capítulo onde incentiva a reflexão e mudança de postura de cada um de nós. Uma obra vital e incontornável para o bem-estar e continuidade de todas as espécies.


Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 140
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722339551
Preço c/iva: €12,50




Curriculum do autor:
João Lin Yun é licenciado em Física pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e doutorado em Astronomia e Física pela Universidade de Boston. É Professor Associado no Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, dividindo a sua actividade entre o ensino e a investigação, na área da Astronomia e Astrofísica. Publica regularmente, em revistas internacionais, artigos científicos com os resultados da sua investigação.

26 de março de 2009

MAIS UM ELO PARA A LUSOFONIA

Escrever é algo mais do que espalhar letras, entornar palavras ou construir frases. Escrever é transmitir ideias, é concretizar desejos, é realizar sonhos, é prolongar a firme voz de comunicar. Escrever é cunhar identidade pela diversidade cultural que une países, regiões, cidades e aldeias.

A Lusofonia não é apenas um conjunto de países onde se fala a Língua Portuguesa. A Lusofonia está espalhada por todos os países do Mundo. Em todos eles existe alguém que fala ou escreve esta tão amada Língua.

Neste Planeta, em que parte da sociedade o considera global, não existem fronteiras para a Lusofonia nem para a Poesia, como defendia António Gedeão: “Minha aldeia é todo o mundo”.

A II Antologia de Poetas Lusófonos surge com os objectivos nobres de promover a Língua Portuguesa, de promover a Lusofonia e de promover os Poetas que espalham as suas veias inspiradoras por todo o Mundo, tal como o fizeram os grandes vultos da Lusofonia, com especial destaque para o Padre António Vieira, que além da Língua conseguiu unir Continentes.

Este é um livro que tenta unir regiões de vários Continentes. Unir poetas que nesta aldeia global, conseguem unir esforços e vontades para levar a efeito este livro.

O Padre António Vieira deixou escrito que um “Livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”. Este livro é apenas mais uma semente lançada ao vento e que, de certo, irá ajudar a promover a Lusofonia no meio de um acordo que já se discute desde o século XIX.

A II Antologia de Poetas Lusófonos apresenta, nestas quase 500 páginas, 134 poetas de 11 países: Angola, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, França, Índia, Inglaterra, Moçambique, Portugal, Suíça e Timor.

As poesias que tatuam as páginas deste livro não são todas de índole académica. Queremos, também, dar voz à poesia mais popular. Mas, uma coisa é certa: neste livro todas as poesias têm mensagem. Todas elas transmitem sentimentos. Todas elas cantam a mesma Língua. E mais, todas elas nasceram tão distantes umas das outras e conseguiram um elo de verdadeira união através da II Antologia de Poetas Lusófonos.

Este livro nasce de uma grande força de vontade, bem espelhada por todos aqueles que nela participam. E, essa força, nasce em cada um dos 134 poetas destes 11 países, que desejaram e conseguiram saltar este obstáculo, que é a fronteira invisível das nações. Alexandre Herculano defendia que “o erro vulgar consiste em confundir o desejar com o querer. O desejo mede obstáculos; a vontade vence-os”.

Esta é uma Antologia que atravessa Oceanos, une Continentes e espalha Mensagens pelo punho de cada um dos 134 Poetas.

A todos eles e a todos aqueles que permitem que a II Antologia de Poetas Lusófonos seja uma realidade, tenho que deixar em nome das equipas editorial e técnica, os mais cordiais e sinceros agradecimentos.

Um especial agradecimento para as Associações, Academias e Instituições que ajudaram a divulgar o regulamento da II Antologia e, um grande abraço a todos os Poetas.

Como escreveu o poeta açoriano, Armando Côrtes-Rodrigues, “O mar da minha vida não tem longes”.

Até à III Antologia de Poetas Lusófonos.

Adélio Amaro

Coordenador Editorial

Quem estiver interesado em adquirir esta Antologia pode faze-lo deste modo:

A II Antologia de Poetas Lusófonos, ficará à venda logo após a apresentação da mesma, nas livrarias em Leiria, Marinha Grande, nas Livrarias Bulhosa em Lisboa e Porto, nas Livrarias Bertrands e FNAC e ficará também à venda através do site http://folheto.paravenda.com, onde poderá fazer as suas compras de maneira segura por internet. Poderão adquirir ainda nas nossas instalações, ou fazendo a sua encomenda através de telefone que nós enviaremos o livro à cobrança.
Contactos:

Folheto Edições e Design, Lda

Praça Madre Teresa de Calcutá

Lote 115, loja 1

2410-363 Leiria

Tel./Fax: 244 815 198

Email: folheto@gmail.com

Blog: http://folhetoedicoesdesign.blogspot.com

17 de março de 2009

II ANTOLOGIA DE POETAS LUSÓFONOS (CONVITE)







Brevemente irei participar da II Antologia de Poetas Lusófonos. A apresentação da obra será no dia 5 de Abril de 2009, no Mosteiro Santa Maria da Vitória, Batalha, Leiria, Portugal.

A cerimónia terá início às 15h30, nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro, com a actuação da Orquestra Filarmonia das Beiras, seguindo-se, pelas 16h30 horas, a apresentação da II Antologia de Poetas Lusófonos, no Auditório do Mosteiro da Batalha.

Esta Antologia conta com a participação de quase 140 poetas, oriundos de 12 países. A mesma terá 480 páginas.


A Antologia é editada pela:


Folheto Edições e Design, Lda

Praça Madre Teresa de Calcutá

Lote 115, loja 1

2410-363 Leiria



Tel./Fax: 244 815 198

Blog:
http://folhetoedicoesdesign.blogspot.com



Blog da minha poesia: http://poesiangolana.blogspot.com/

5 de março de 2009

Texto de Guerra Junqueiro - Pátria - 1896 ou nao será 2009???

Este texto foi escrito pelo escritor portugues Guerra Junqueiro há 113 anos criticando a situacao política de Portugal no final do século XIX. A sua actualidade leva-nos a pensar que Portugal é um país ESTAGNADO no tempo.

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
[.] Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.

2 de março de 2009

FOI PARA TI...

Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume.

Eugénio de Andrade (Portugal)

24 de fevereiro de 2009

MUSEUS NO MUNDO



Alemanha www.smb.spk-berlin.de
Canadá www.national.gallery.ca
Canadá www.mmfa.qc.ca
China www.chinapage.com
Espanha www.museoprado.mcu.es
Estados Unidos www.amnh.org
Estados Unidos www.metalab.unc.edu
Estados Unidos www.metmuseum.org
Estados Unidos www.tamu.edu
Estados Unidos www.artic.edu
Finlândia www.nba.fi
França www.louvre.fr
França www.lyon.cci.fr
França www.museedelapub.org
Israel www.imj.org.il
Japão www.kyohaku.go.jp
México www.arts-history.mx

Portugal http://www.ipmuseus.pt/pt/museus/M4/TM.aspx

Portugal http://www.rpmuseus-pt.org/Pt/html/index2.html

Portugal http://www.geira.pt/mmilitar/

Portugal etc…..
Reino Unido www.nms.ac.uk
Reino Unido www.tate.org.uk
Rússia www.hermitagemuseum.org
Suécia www.nationalmuseum.se
Vaticano www.christusrex.org
www.vanmuseum.bc.ca


MUSEUS NO BRASIL
www.visualnet.com.br/cmaya/

12 de fevereiro de 2009

EVOLUTION - THE TRIUMPH OF AN IDEA (NOS 200 ANOS DE DARWIN)

Darwin's On the Origins of Species was breathtaking -- beautifully written, staunchly defended, defiantly radical. Yet it emerged long before paleontologists and geologists worked out the chronology of life on Earth, long before biologists uncovered the molecules that underlie heredity and natural selection. The great irony of Darwin's seminal work is that not until the 20th century would its true power be recognized.

In this remarkable new book, a rich and up-to-date view of evolution is presented that explores the far-reaching implications of Darwin's theory.

A companion to one of the most important television series in PBS history, this dazzling volume with more than 150 color illustrations emphasizes the power, significance, and relevance of evolution to our lives today. After all, we ourselves are the product of evolution, and we can tackle many of our gravest challenges -- from the lethal resurgence of antibiotic-resistant diseases to the wave of extinctions that looms before us -- with a sound understanding of evolution. It can help us see our lives in connection to everything that has come before and to everything on Earth today.

Filled with rich narrative, award-winning science writing, and the most up-to-date information on topics ranging from coevolution, Darwinian medicine, and sexual selection to the origins of language, evolutionary psychology, and the controversies surrounding creationism, Evolution tells in riveting detail the story of a remarkable scientific journey from the emergence, to the triumph, of an idea.

Contents:

Part 1 Slow Victory: Darwin and the Rise of Darwinism
1 Darwin and the Beagle
2 "Like Confessing a Murder": The Origin of Origin of Species
3 Deep Time Discovered: Putting Dates to the History of Life
4 Witnessing Change: Genes, Natural Selection, and Evolution in Action

Part 2 Creation and Destruction
5 Rooting the Tree of Life: From Life's Dawn to the Age of Microbes
6 The Accidental Tool Kit: Chance and Constraints in Animal Evolution
7 Extinction: How Life Ends and Begins Again

Part 3 Evolution's Dance
8 Coevolution: Weaving the Web of Life
9 Doctor Darwin: Disease in the Age of Evolutionary Medicine
10 Passion's Logic: The Evolution of Sex

Part 4 Humanity's Place in Evolution and Evolution's Place in Humanity
11 The Gossiping Ape: The Social Roots of Human Evolution
12 Modern Life, 50,000 B.C.: The Dawn of Us
13 What about God?

****************************************************************************************************

(Portugues, edicao brasileira - O LIVRO DE OURO DA EVOLUÇÃO - O Triunfo de uma Idéia - Ediouro)


O livro começa contando toda a trajetória de Darwin e de sua teoria. Depois, continua através das outras descobertas, mais ou menos contemporâneas, que ajudaram a dar forma e a desenvolver a teoria evolucionista. E prossegue analisando a evolução, de todos os pontos de vista, até os dias de hoje, incluindo visões sobre a extinção de espécies; sobre a co-evolução (animais e plantas, por exemplo, evoluindo juntos, um dependendo do outro) e uma de suas consequências – a eterna luta do homem contra as pragas das lavouras; sobre as mutações de bactérias e vírus (uma análise da SIDA faz parte desta questão) até estudos com macacos e a questão Deus x ciência.

Nenhuma revolução científica pode igualar as descobertas de Darwin no modo como elas perturbaram nossas certezas e confortos anteriores. Ela revolucionou nossa visão quanto ao nosso próprio significado e essência, nos trazendo profundos questionamentos sobre nossa própria existência.

A evolução é uma ideia que junta toda a informação que biólogos e naturalistas reuniram através da história. Ela une o nosso conhecimento recente sobre os genes com o nosso conhecimento sobre o passado biológico e tece uma história de ancestralidade comum para todas as criaturas vivas.

Este livro é parte do projecto “Evolução”, uma co-produção da WGBH/ Unidade Científica da NOVA e Clear Blue Sky Production. O projeto também inclui uma série de televisão de sete capítulos, um site na Internet, uma biblioteca multimídia e um programa educativo extenso.

Se você gosta deste assunto, quer entender a vida no nosso planeta, ou simplesmente é curioso, leia "O Livro de Ouro da Evolução", que é fruto de muita pesquisa e foi escrito especialmente para você.

9 de fevereiro de 2009

MULHERES DO SUL (ANGOLA)


Ngola 1483 - Duo Ouro Negro

1 de fevereiro de 2009

mystical

31 de janeiro de 2009

212 LIVROS GRÁTIS PARA DOWNLOAD




É só clicar no título para ler ou imprimir.


A Divina Comédia -Dante Alighieri
A Comédia dos Erros -William Shakespeare
Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
Dom Casmurro -Machado de Assis
Cancioneiro -Fernando Pessoa
Romeu e Julieta -William Shakespeare
A Cartomante -Machado de Assis
Mensagem -Fernando Pessoa
A Carteira -Machado de Assis
A Megera Domada -William Shakespeare
A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
Dom Casmurro -Machado de Assis
Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
A Carta -Pero Vaz de Caminha
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
Macbeth -William Shakespeare
Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
A Tempestade -William Shakespeare
O pastor amoroso -Fernando Pessoa
A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
O Mercador de Veneza -William Shakespeare
A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
A Mão e a Luva -Machado de Assis
Arte Poética -Aristóteles
Conto de Inverno -William Shakespeare
Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
A Metamorfose -Franz Kafka
A Cartomante -Machado de Assis
Rei Lear -William Shakespeare
A Causa Secreta -Machado de Assis
Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare
Júlio César -William Shakespeare
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
Cancioneiro -Fernando Pessoa
Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público -Fundação Biblioteca Nacional
A Ela -Machado de Assis
O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
Dom Casmurro -Machado de Assis
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
Adão e Eva -Machado de Assis
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
A Chinela Turca -Machado de Assis
As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
Poemas Selecionados -Florbela Espanca
As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
Iracema -José de Alencar
A Mão e a Luva -Machado de Assis
Ricardo III -William Shakespeare
O Alienista -Machado de Assis
Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
A Carteira -Machado de Assis
Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
Senhora -José de Alencar
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
Sonetos -Luís Vaz de Camões
Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
Iracema -José de Alencar
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
O Guarani -José de Alencar
A Mulher de Preto -Machado de Assis
A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
A Pianista -Machado de Assis
Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
A Herança -Machado de Assis
A chave -Machado de Assis
Eu -Augusto dos Anjos
As Primaveras -Casimiro de Abreu
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
Quincas Borba -Machado de Assis
A Segunda Vida -Machado de Assis
Os Sertões -Euclides da Cunha
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
O Alienista -Machado de Assis
Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
Medida Por Medida -William Shakespeare
Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
A Alma do Lázaro -José de Alencar
A Vida Eterna -Machado de Assis
A Causa Secreta -Machado de Assis
14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
Divina Comedia -Dante Alighieri
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
Coriolano -William Shakespeare
Astúcias de Marido -Machado de Assis
Senhora -José de Alencar
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
A "Não-me-toques"! -Artur Azevedo
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
Obras Seletas -Rui Barbosa
A Mão e a Luva -Machado de Assis
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
Aurora sem Dia -Machado de Assis
Édipo-Rei -Sófocles
O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
Pai Contra Mãe -Machado de Assis
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
Tito Andrônico -William Shakespeare
Adão e Eva -Machado de Assis
Os Sertões -Euclides da Cunha
Esaú e Jacó -Machado de Assis
Don Quixote -Miguel de Cervantes
Camões -Joaquim Nabuco
Antes que Cases -Machado de Assis
A melhor das noivas -Machado de Assis
Livro de Mágoas -Florbela Espanca
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
Helena -Machado de Assis
Contos -José Maria Eça de Queirós
A Sereníssima República -Machado de Assis
Iliada -Homero
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
Anedota Pecuniária -Machado de Assis
A Carne -Júlio Ribeiro
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
Don Quijote -Miguel de Cervantes
A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
A Semana -Machado de Assis
A viúva Sobral -Machado de Assis
A Princesa de Babilônia -Voltaire
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
Papéis Avulsos -Machado de Assis
Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
Cartas D'Amor -José Maria Eça de Queirós
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
Almas Agradecidas -Machado de Assis
Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
Contos Fluminenses -Machado de Assis
Odisséia -Homero
Quincas Borba -Machado de Assis
A Mulher de Preto -Machado de Assis
Balas de Estalo -Machado de Assis
A Senhora do Galvão -Machado de Assis
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
Cinco Minutos -José de Alencar
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
Lucíola -José de Alencar
A Parasita Azul -Machado de Assis
A Viuvinha -José de Alencar
Utopia -Thomas Morus
Missa do Galo -Machado de Assis
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
Hamlet -William Shakespeare
A Ama-Seca -Artur Azevedo
O Espelho -Machado de Assis
Helena -Machado de Assis
As Academias de Sião -Machado de Assis
A Carne -Júlio Ribeiro
A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
Antes da Missa -Machado de Assis
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
A Carta -Pero Vaz de Caminha
LIVRO DE SÓROR SAUDADE -Florbela Espanca
A mulher Pálida -Machado de Assis
Americanas -Machado de Assis
Cândido -Voltaire
Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
El Arte de la Guerra -Sun Tzu
Conto de Escola -Machado de Assis
Redondilhas -Luís Vaz de Camões
Iluminuras -Arthur Rimbaud
Schopenhauer -Thomas Mann
Carolina -Casimiro de Abreu
A esfinge sem segredo -Oscar Wilde
Carta de Pero Vaz de Caminha. -Pero Vaz de Caminha
Memorial de Aires -Machado de Assis
Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
A última receita -Machado de Assis
7 Canções -Salomão Rovedo
Antologia -Antero de Quental
O Alienista -Machado de Assis
Outras Poesias -Augusto dos Anjos
Alma Inquieta -Olavo Bilac
Agradeco ao meu primo Armando...

EUROPEANA

Cultura: Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa com mais de 2 milhoes de obras.

Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa com mais de dois milhões de obras
A biblioteca multimédia online da Europa, "Europeana", está acessível desde hoje ao público, que através da Internet poderá aceder a mais de dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia.
Esta biblioteca virtual conta com livros, mapas, gravações, fotografias, documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE, tendo por exemplo de Portugal a Carta plana de parte da Costa do Brasil, um mapa de 1784.

Acessível, em todas as línguas da UE, através do endereço (
www.europeana.eu ), a biblioteca multimédia europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris, que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções.

Segundo a Comissão Europeia, que lançou esta iniciativa em 2005, este é "apenas o começo", pois a ideia é expandir a biblioteca, envolvendo também o sector privado, e o objectivo é que em 2010 a Europeana dê acesso a pelo menos dez milhões de obras "representativas da riqueza da diversidade cultural da Europa e terá zonas interactivas, nomeadamente para comunidades com interesses especiais".

"Com a Europeana, conciliamos a vantagem competitiva da Europa em matéria de tecnologias da comunicação e de redes com a riqueza do nosso património cultural. Os europeus poderão agora aceder com rapidez e facilidade, num único espaço, aos formidáveis recursos das nossas grandes colecções", comentou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Por seu turno, a comissária europeia para a Sociedade da Informação e os Meios de Comunicação, Viviane Reding, apelou "às instituições culturais, editoras e empresas de tecnologia europeias para que alimentem a Europeana com mais conteúdos em formato digital".

Segundo dados da Comissão, desde a "abertura" da biblioteca, hoje de manhã, houve dez milhões de visitas por hora, tendo esta "tempestade de interesse" forçado mesmo a "deitar o sistema abaixo" por algum tempo para duplicar a capacidade do "site".

LUSA



26 de janeiro de 2009

FELIZ ANO NOVO - HAPPY NEW YEAR (CHINESE)

Feliz Novo Ano chines - ano do boi -

Happy Chinese New Year - year of the ox -

Chinese New year/Novo ano chines - Buddha Light Ceremony

23 de janeiro de 2009

IGUALDADE... (SLIDE SHOW)


By Dinah

FONTE JAPONESA EM CENTRO COMERCIAL

20 de janeiro de 2009

I, TOO, SING AMERICA

I am the darker brother.
They send me to eat in the kitchen
When company comes,
But I laugh,
And eat well,
And grow strong.

Tomorrow,
I'll be at the table
When company comes.
Nobody'll dare
Say to me,
"Eat in the kitchen,"
Then.

Besides,
They'll see how beautiful I am
And be ashamed--

I, too, am America.




Langston Hughes - USA



VIDEO DA NASA - VOOS COMERCIAIS DURANTE 24 HORAS


Vídeo feito pela NASA com o monitoramento de todo o tráfego aéreo comercial
do mundo num período de 24 horas.

Observem a variação do tráfego em função da hora e local em cada continente e
pense na riqueza que isso representa.

Parece que o Hemisfério Sul ainda não sabe o que é tráfego aéreo pesado...




Tudo AMARELO que se move são aeronaves!


OU A DIFERENCA ENTRE RICOS E POBRES....

19 de janeiro de 2009

MARTIN LUTHER KING - A TIME TO BREAK THE SILENCE


16 de janeiro de 2009

A MENINA DO MAR (Conto de Sophia)





Era uma vez uma casa branca nas dunas, voltada para o mar. Tinha uma porta, sete janelas e uma varanda de madeira pintada de verde. Em roda da casa havia um jardim de areia onde cresciam lírios brancos e uma planta que dava flores brancas, amarelas e roxas.

Nessa casa morava um rapazito que passava os dias a brincar na praia. Era uma praia muito grande e quase deserta onde havia rochedos maravilhosos. Mas durante a maré alta os rochedos estavam cobertos de água. Só se viam as ondas que vinham crescendo do longe até quebrarem na areia com barulho de palmas. Mas na maré vazia as rochas apareciam cobertas de limos, de búzios, de anémonas, de lapas, de algas e de ouriços. Havia poças de água, rios, caminhos, grutas, arcos, cascatas. Havia pedras de todas as cores e feitios, pequeninas e macias, polidas pelas ondas. E a água do mar era transparente e fria. Às vezes passava um peixe, mas tão rápido que mal se via.

Dizia-se «Vai ali um peixe» e já não se via nada. Mas as vinagreiras passavam devagar, majestosamente, abrindo e fechando o seu manto roxo. E os caranguejos corriam por todos os lados com uma cara furiosa e um ar muito apressado.

O rapazinho da casa branca adorava as rochas. Adorava o verde das algas, o cheiro da maresia, a frescura

transparente das águas. E por isso tinha imensa pena de não ser um peixe para poder ir até ao fundo do mar sem se afogar. E tinha inveja das algas que baloiçavam ao sabor das correntes com um ar tão leve e feliz.

Em Setembro veio o equinócio. Vieram marés vivas, ventanias, nevoeiros, chuvas, temporais. As marés altas varriam a praia e subiam até à duna. Certa noite, as ondas gritaram tanto, uivaram tanto, bateram e quebraram-se com tanta força na praia, que, no seu quarto caiado da casa branca, o rapazinho esteve até altas horas sem dormir.

As portadas das janelas batiam. As madeiras do chão estalavam como madeiras de mastros. Parecia que as ondas iam cercar a casa e que o mar ia devorar o Mundo. E o rapazito pensava que, lá fora, na escuridão da noite, se travava uma imensa batalha em que o mar, o céu e o vento se combatiam. Mas por fim, cansado de escutar, adormeceu embalado pelo temporal.

De manhã quando acordou estava tudo calmo. A batalha tinha acabado. Já não se ouviam os gemidos do vento, nem gritos do mar, mas só um doce murmúrio de ondas pequeninas. E o rapazinho saltou da cama, foi à janela e viu uma manhã linda de sol brilhante, céu azul e mar azul. Estava maré vaza. Pôs o fato de banho e foi para a praia a correr. Tudo estava tão claro e sossegado que ele pensou que o temporal da véspera tinha sido um sonho.

Mas não tinha sido um sonho. A praia estava coberta de espumas deixadas pelas ondas da tempestade. Eram fileiras e fileiras de espuma que tremiam à menor aragem. Pareciam castelos fantásticos, brancos mas cheios de reflexos de mil cores. O rapaz quis tocar-lhes, mas mal punha neles as suas mãos os castelos trémulos desfaziam-se.

Então foi brincar para as rochas. Começou por seguir um fio de água muito claro entre dois grandes rochedos escuros, cobertos de búzios. O rio ia dar a uma grande poça de água onde o rapazinho tomou banho e nadou muito tempo. Depois do banho continuou o seu caminho através das rochas. Ia andando para o sul da praia que era um deserto para onde nunca ninguém ia. A maré estava muito baixa e a manhã estava linda. As algas pareciam mais verdes do que nunca e o mar tinha reflexos lilases. O rapazinho sentia-se tão feliz que às vezes punha-se a dançar em cima dos rochedos. De vez em quando encontrava uma poça boa e tomava outro banho Quando ia já no décimo banho, lembrou-se que deviam ser horas de voltar para casa. Saiu da água e deitou-se numa rocha a apanhar sol.

«Tenho que ir para casa», pensava ele, mas não lhe apetecia nada ir-se embora. E, enquanto assim estava deitado, com a cara encostada às algas, aconteceu de repente uma coisa extraordinária: ouviu uma gargalhada muito esquisita, parecia um pouco uma gargalhada de ópera dada por uma voz de «baixo»: depois ouviu uma segunda gargalhada ainda mais esquisita, uma gargalhada pequenina, seca que parecia uma tosse: em seguida uma terceira gargalhada, que era como se alguém dentro de água fizesse «glu, glu». Mas o mais extraordinário de tudo foi a quarta gargalhada: era como uma gargalhada humana, mas muito mais pequenina, muito mais fina e muito mais clara. Ele nunca tinha ouvido uma voz tão clara: era como se a água ou o vidro se rissem.

Com muito cuidado para não fazer barulho levantou-se e pôs-se a espreitar escondido entre duas pedras. E viu um grande polvo a rir, um caranguejo a rir, um peixe a rir e uma menina muito pequenina a rir também. A menina, que devia medir um palmo de altura, tinha cabelos verdes, olhos roxos e um vestido feito de algas encarnadas. E estavam os quatro numa poça de água muito limpa e transparente toda rodeada de anémonas. E nadavam e riam.

- Oh! Oh! Oh! - ria o polvo.

- Que! Que! Que! - ria o caranguejo.

- Glu! Glu! Glu! - ria o peixe.

- Ah! Ah! Ah! - ria a menina.

Depois pararam de rir e a menina disse:

-Agora quero dançar.

Então, num instante, o polvo, o caranguejo e o peixe transformaram-se numa orquestra.

O peixe, com as suas barbatanas, batia palmas na água.

O caranguejo subiu para uma rocha e com as suas tenazes começou a tocar castanholas.

O polvo trepou para cima dos rochedos e esticando muito sete dos seus oito braços prendeu-os pelas pontas com as suas ventosas na pedra e, com o braço que tinha ficado livre, começou a tocar guitarra nos seus sete braços.

Depois pôs-se a cantar.

Então a menina saiu da água, subiu para uma rocha e principiou a dançar. E a água junto dos seus pés ia e vinha e bailava também.

Escondido, atrás do rochedo, o rapaz, imóvel e, calado, olhava.

Quando a cantiga e a dança acabaram, o polvo pegou na menina e com os seus oito braços muito escuros pôs-se a embalá-la.

- Vem aí a maré alta, são horas de nos irmos embora - disse o caranguejo.

- Vamos - disse o polvo.

Chamaram o peixe e puseram-se os quatro a caminho. O peixe ia à frente a nadar com a menina ao lado, depois vinha o polvo e no fim o caranguejo, sempre com um ar muito desconfiado e furioso.

Foram indo por entre as areias e as rochas, até que chegaram a uma gruta para onde entraram os quatro. O rapaz quis ir atrás deles, mas a entrada da gruta era muito pequena e ele não cabia. E como a maré estava a subir, teve que se ir embora, pois se ali ficasse morria afogado.

Foi para casa muito espantado com o que tinha visto e durante esse dia não pensou noutra coisa. Na manhã seguinte mal acordou foi a correr para a praia. Foi pelo caminho da véspera, tornou a esconder-se atrás das duas pedras, espreitou e ouviu as mesmas gargalhadas da véspera. A menina, o caranguejo, o polvo e o peixe estavam a fazer uma roda dentro de água. Estavam divertidíssimos.

O rapaz, louco de curiosidade, não conseguiu ficar quieto mais tempo. Deu um salto e agarrou a menina.

Ai, ai, ai! Que desgraça! Gritava ela.

O polvo, o caranguejo e o peixe tinham desaparecido, aterrorizados, num abrir e fechar de olhos.

Ó polvo, ó caranguejo, ó peixe, acudam-me, salvem-me – gritava a Menina do mar.

Então o polvo, o caranguejo e o peixe, apesar de estarem cheios de medo, saíram detrás das algas onde se tinham escondido, e começaram a tentar salvar a Menina. Faziam o que podiam: o polvo trepava pelas pernas do rapaz, o caranguejo com as suas tenazes belisca-lhe os pés, o peixe mordia-lhe nas canelas. Mas o rapaz era maior e tinha mais força, deu-lhes alguns pontapés e fugiu para longe com a Menina do mar que continuava a chamar:

- Ó polvo, ó caranguejo, ó peixe! - Não grites, não chores, não te assustes – dizia o rapaz. Eu não te faço mal nenhum.

-Eu sei que me vais fazer mal.

-Que mal é que eu hei-de fazer a uma menina tão pequenina e tão bonita?

- Vais-me fritar - disse a Menina do mar. E pôs-se outra vez a chorar e a gritar: - Ó polvo, ó caranguejo, ó peixe!

- Eu fritar-te! Para quê? Que ideia tão esquisita! - disse o rapaz espantadíssimo.

Os peixes dizem que os homens fritam tudo quanto apanham.

O rapaz pôs-se a rir e disse:

- Isso são os pescadores. Os pescadores é que apanham os peixes para os fritar. Mas eu não sou pescador e tu não és um peixe. Não te quero fritar nem te quero fazer mal nenhum. Só te quero ver bem, porque nunca na minha vida vi uma menina tão pequena e tão bonita. E quero que me contes quem tu és, como é que vives, o que é que fazes aqui no mar e como é que te chamas.

Então ela parou de gritar, limpou as lágrimas, penteou e alisou os cabelos com os dedos das mãos a fazerem de pente, e disse:

- Vamos sentar-nos os dois naquele rochedo e eu conto-te tudo.

- Prometes que não foges?

- Prometo.

Sentaram-se os dois um em frente do outro e a menina contou:

- Eu sou uma menina do mar. Chamo-me Menina do Mar e não tenho outro nome. Não sei onde nasci. Um dia uma gaivota trouxe-me no bico para esta praia. Pôs-me numa rocha na maré vazia e o polvo, o caranguejo e o peixe tomaram conta de mim. Vivemos os quatro numa gruta muito bonita. O polvo arruma a casa, alisa a areia, vai buscar a comida. É de nós todos o que trabalha mais, porque tem muitos braços. O caranguejo é o cozinheiro. Faz

caldo verde com limos, sorvetes de espuma, e salada de algas, sopa de tartaruga, caviar e muitas outras receitas. É um grande cozinheiro. Quando a comida está pronta o polvo põe a mesa. A toalha é uma alga branca e os pratos são conchas. Depois, à noite, o polvo faz a minha cama com algas muito verdes e muito macias. Mas o costureira dos meus vestidos é o caranguejo. E é também o meu ourives: ele é que faz os meus colares de búzios, de corais e de pérolas. O peixe não faz nada porque não tem mãos, nem braços com ventosas como o polvo, nem braços com tenazes como o caranguejo. Só tem barbatanas e as barbatanas servem só para nadar. Mas é o meu melhor amigo.

Como não tem braços nunca me põe de castigo. É com ele que eu brinco. Quando a maré está vazia brincamos nas rochas, quando está maré alta damos passeios no fundo do mar. Tu nunca foste ao fundo do mar e não sabes como lá tudo é bonito. Há florestas de algas, jardins de anémonas, prados de conchas. Há cavalos marinhos suspensos água com um ar espantado, como pontos de interrogação. Há flores que parecem animais e animais que parecem flores. Há grutas misteriosas, azuis-escuras, roxas, verdes e há planícies sem fim de areia branca, lisa. Tu és da terra e se fosses ao fundo do mar morrias afogado. Mas eu sou uma menina do mar. Posso respirar dentro da água como os peixes e posso respirar fora da água como os homens. E posso passear pelo mar todo e fazer tudo quanto eu quero e ninguém me faz mal porque eu sou a bailarina da Grande Raia. E a Grande Raia é a dona destes mares. É enorme, tão grande que é capaz de engolir um barco com dez homens dentro. Tem cara de má e come homens e peixes e está sempre com fome. A mim não me come porque diz que eu sou pequena de mais e não sirvo para comer, só sirvo para dançar. E a Raia gosta muito de me ver dançar. Quando ela dá uma festa convida os tubarões e as baleias e sentam-se todos no fundo do mar e eu danço em frente deles até de madrugada. E quando a Raia está triste ou mal disposta eu também tenho que dançar para a distrair. Por isso sou a bailarina do mar e faço tudo quanto eu quero e todos gostam de mim. Mas eu não gosto nada da Raia e tenho medo dela. Ela detesta os homens e também não gosta dos peixes. Até as baleias têm medo dela. Mas eu posso andar à vontade no mar e ninguém me come e ninguém me faz mal porque eu sou a bailarina da Raia. E agora que já contei a minha história leva-me outra vez para o pé dos meus amigos que devem estar aflitíssimos.

O rapaz pegou na Menina do Mar com muito cuidado na palma da mão e levou-a outra vez para o sítio de onde a tinha trazido. O polvo, o caranguejo e o peixe lá estavam os três a chorar abraçados.

- Estou aqui - gritou a Menina do Mar.

O polvo, o caranguejo e o peixe, mal a viram, pararam de chorar e atiraram-se os três como cães aos pés do rapaz e começaram outra vez a mordê-lo e a picá-lo. O polvo com os seus oito braços chicoteava-lhe as pernas.

- Estejam quietos, parem, não lhe façam mal, ele é meu amigo e não me vai fritar - gritou-lhes a Menina do Mar.

O polvo, o caranguejo e o peixe interromperam a pancadaria, espantadíssimos com estas palavras. O rapaz baixou-se e pôs a menina na água ao pé dos seus três amigos, que davam saltos de alegria e muitas gargalhadas. Pediu à Menina do Mar, ao polvo, ao caranguejo e ao peixe para voltarem no dia seguinte à mesma hora àquele mesmo sítio.

- Tenho tanta curiosidade da Terra – disse a Menina, - amanhã, quando vieres, traz-me uma coisa da terra.

E assim ficou combinado.

No dia seguinte, logo de manhã. o rapaz foi ao seu jardim e colheu uma rosa encarnada muito perfumada. Foi para a praia e procurou o lugar da véspera.

-Bom-dia, bom-dia, bom-dia - disseram a Menina, o polvo, o caranguejo e o peixe.

-Bom-dia - disse o rapaz. E ajoelhou-se na água, em frente da Menina do Mar.

- Trago-te aqui uma flor da terra - disse; chama-se uma rosa.

E linda, é linda - disse a Menina do Mar, dando palmas de alegria e correndo e saltando em roda da rosa.

- Respira o seu cheiro para veres como é perfumada.

A Menina pôs a sua cabeça dentro do cálice da rosa e respirou longamente.

Depois levantou a cabeça e disse suspirando:

- É um perfume maravilhoso. No mar não há nenhum perfume assim. Mas estou tonta e um bocadinho triste. As coisas da terra são esquisitas. São diferentes das coisas do mar. No mar há monstros e perigos, mas as coisas bonitas são alegres. Na terra há tristeza dentro das coisas bonitas.

- Isso é por causa da saudade - disse o rapaz.

- Mas o que é a saudade? - perguntou a Menina do Mar.

- A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora.

- Ai! - suspirou a Menina do Mar olhando para a Terra. Por que é que me mostraste a rosa? Agora estou com vontade de chorar.

O rapaz atirou fora a rosa e disse:

- Esquece-te da rosa e vamos brincar.

E foram os cinco, o rapaz, a Menina., o polvo, o caranguejo e o peixe pelos carreirinhos de água, rindo e brincando durante a manhã toda.

Até que a maré começou a subir e o rapaz teve que se ir embora.

No dia seguinte, de manhã, tornaram a encontrar-se todos no sítio do costume.

- Bom-dia - disse a Menina. - O que é que me trouxeste hoje?

O rapaz pegou na Menina do Mar, sentou-a numa rocha e ajoelhou-se a seu lado.

- Trouxe-te isto - disse. - E uma caixa de fósforos.

- Não é muito bonito - disse a Menina.

- Não; mas tem lá dentro uma coisa maravilhosa, linda e alegre que se chama o fogo. Vais ver.

E o rapaz abriu a caixa e acendeu um fósforo.

A Menina deu palmas de alegria e pediu para tocar no fogo. - Isso -- disse o rapaz - é impossível. O fogo é alegre mas queima.

- É um sol pequenino - disse a Menina do Mar.

- Sim - disse o rapaz - mas não se lhe pode tocar.

E o rapaz soprou o fósforo e o fogo apagou-se.

- Tu és bruxo - disse a Menina - sopras e as coisas desaparecem.

- Não sou bruxo. O fogo é assim. Enquanto é pequeno qualquer sopro o apaga. Mas depois de crescido pode devorar florestas e cidades.

- Então o fogo e pior do que a Raia? - perguntou - a Menina.

- É conforme. Enquanto o fogo é pequeno e tem juízo é o maior amigo do homem: aquece-o no Inverno, cozinha-lhe a comida, alumia-o durante. a noite. Mas quando o fogo cresce de mais, zanga-se, enlouquece e fica mais ávido, mais cruel e mais perigoso do que todos os animais ferozes.

- As coisas da terra são esquisitas e diferentes - disse a Menina do Mar. Conta-me mais coisas da terra.

Então sentaram-se os dois dentro de água e o rapaz contou-lhe como era a sua casa e o seu jardim e como eram as cidades e os campos, as florestas e as estradas.

- Ah! como eu gostava de ver isso tudo - disse a Menina cheia de curiosidade.

- Vem comigo - disse o rapaz - eu levo-te à terra e mostro-te coisas lindas.

- Não posso porque sou uma Menina do Mar. O mar é a minha terra. Tu se vieres para o mar afogas-te. E eu se for para a terra seco. Não posso estar muito tempo fora de água. Fora de água fico como as algas na maré vaza, que ficam todas enrugados e secas. Se eu saísse do mar, ao fim de algumas horas ficava igual a um farrapo de roupa velha ou a um papel de jornal, destes que às vezes há nas praias e que têm um ar tão triste e infeliz de coisa que já

não serve e que foi deitada fora e que já ninguém quer.

- Que pena que eu tenho de não te poder mostrar a terra! – disse o rapaz.

- E eu que pena tenho de não te poder levar comigo ao fundo do mar para te mostrar as florestas de algas, as grutas de corais e os jardins de anémonas!

E nessa manhã o rapaz e a Menina, enquanto nadavam na água, iam contando um ao outro as histórias do mar e as histórias da terra.

Até que a maré subiu e despediram-se.

No dia seguinte o rapaz chegou à praia, sentou-se ao lado da Menina do Mar e disse:

- Hoje trago-te uma coisa da terra que é bonita e tem lá dentro alegria. Chama-se vinho. Quem bebe fica cheio de alegria.

Enquanto dizia isto o rapaz pousou na ar um copo cheio de vinho. Era um daqueles copos muito pequenos que servem para beber licores. A Menina do Mar segurou o copo com as duas mãos e olhou o vinho cheia de curiosidade, respirando o seu perfume.

- É muito encarnado e muito perfumado - disse ela. - Conta-me o que é o vinho.

- Na terra -- respondeu o rapaz - há uma planta que se chama videira. No Inverno parece morta e seca. Mas na Primavera enche-se de folhas e no Verão enche-se de frutos que se chamam uvas e que crescem em cachos. E no Outono os homens colhem os cachos de uvas e põem-nos em grandes tanques de pedra onde os pisam até que o seu sumo escorra. E a esse sumo dos frutos da videira que chamamos o vinho. Esta é a história do vinho, mas o seu sabor não o sei contar. Bebe se queres saber como é.

E a Menina bebeu o vinho, riu-se e disse:

- É bom e é alegre. Agora já sei o que é a terra. Agora já sei o que é o sabor da Primavera, do Verão e do Outono.

Já sei o que é o sabor dos frutos. Já sei o que é a frescura das árvores. Já sei como é o calor duma montanha ao sol.

Leva-me a ver a terra. Eu quero ir ver a terra. Há tantas coisas que eu não sei. O mar é uma prisão transparente e gelada. No mar não há Primavera nem Outono. No mar o tempo não morre. As anémonas estão sempre em flor e a espuma é sempre branca. Leva-me a ver a terra.

- Tenho uma ideia - disse o rapaz. - Amanhã trago um balde e encho-o com água do mar e algas. E tu pões-te dentro do balde para não secares e eu levo-te comigo a ver a terra.

- Está bem - disse a Menina. - Amanhã vou contigo dentro do balde de água. E vou ver a tua casa e vou ver o teu jardim e vou ver passar os comboios: e vou ver a noite numa cidade cheia de luzes, de gente e de carros. E vou ver os animais da terra, os cães, os cavalos, os gatos: e vou ver as montanhas, as florestas e todas as coisas que me contaste.

E assim o rapaz e a Menina do Mar passaram o resto da manhã a fazer planos para a aventura do dia seguinte.

Até que a maré subiu e o rapaz foi-se embora.

No outro dia o rapaz veio para as rochas com o balde. Vinha muito alegre, entusiasmado com o seu projecto, cantando e dando saltos. Mas quando chegou à poça de água encontrou a Menina do Mar com um ar muito desesperado e o polvo, o caranguejo e o peixe todos três com cara de caso.

- Bom-dia - disse o rapaz. Trago aqui o balde. Vamos embora depressa.

- Eu não posso ir - disse a Menina do Mar. E desatou a chorar como uma fonte.

- Mas porquê? - perguntou o rapaz.

- Por causa dos búzios. Os búzios têm muito bom ouvido, ouvem tudo, são os ouvidos do mar. E ouviram as nossas conversas e foram contá-las à Raia que ficou furiosa e agora eu já não posso ir contigo.

- Mas a Raia não está aqui. Mete-te dentro do balde e vamos embora depressa.

- É impossível - disse a Menina do Mar. A Raia ordenou aos polvos que não me deixassem passar. As rochas estão cheias de polvos escondidos que nós não vemos, mas que nos vêem e espiam cada um dos nossos gestos.

Tenho que te dizer adeus para sempre. Amanhã já não volto aqui porque a Raia, para me castigar de eu ter querido fugir, decidiu que esta noite ao nascer da Lua eu serei levada pelos polvos, para uma praia distante, que eu não sei como se chama, nem onde fica. E nunca mais nos poderemos encontrar.

- Vamos experimentar fugir - disse o rapaz. Eu com as minhas duas pernas corro mais do que os polvos com os seus oito braços, que nem são braços nem são pernas.

E, tendo dito isto, pôs a Menina do Mar dentro do balde e pôs-se a correr. Mas, no mesmo instante, as rochas cobriram-se de polvos. Para qualquer lado que ele olhasse só via polvos. Procurou uma aberta por onde passar mas não havia nenhuma. Em sua roda os polvos tinham feito um círculo fechado. E ele estava no meio do círculo e não podia fugir. Então tentou saltar por cima dos polvos, mas logo dezenas de tentáculos lhe ataram as pernas.

- Larga-me, larga-me - dizia a Menina do Mar. Larga-me senão matam-te.

- Não, não te largo - respondeu o rapaz.

Mas já os polvos lhe envolviam a cintura e o peito, lhe prendiam os ombros, lhe atavam os pulsos e ele caiu nas rochas sem poder fazer nenhum gesto. Mas a sua mão ainda não tinha largado o balde. Até que um polvo se enrolou à roda do seu pescoço e o foi apertando lentamente. Então o rapaz viu o céu ficar preto, deixou de ouvir o barulho das ondas e esqueceu-se de tudo. Estava desmaiado. Acordou com a água a bater-lhe na cara. A maré tinha subido e as ondas já quase cobriam a rocha onde ele estava caído. Levantou-se e todo o seu corpo ainda lhe doía, coberto de marcas deixadas pelas ventosas dos polvos. Foi para casa devagar.

Passaram dias e dias. O rapaz voltou muitas vezes às rochas mas nunca mais viu a Menina nem os seus três amigos. Era como se tudo tivesse sido um sonho.

Até que chegou o Inverno. O tempo estava frio, o mar cinzento e chovia quase todos os dias. E numa manhã de nevoeiro o rapaz sentou-se na praia a pensar na Menina do Mar. E enquanto assim estava viu uma gaivota que vinha do mar alto com uma coisa no bico. Era uma coisa brilhante que reflectia luz e o rapaz pensou que devia ser um peixe. Mas a gaivota chegou junto dele, deu urna volta no ar e deixou cair a coisa na areia.

O rapaz apanhou-a e viu que era um frasco cheio duma água muito clara e luminoso.

- Bom-dia, bom-dia - disse a gaivota.

- Bom-dia, bom-dia - respondeu o rapaz.

Donde é que vens e porque é que me dás este frasco?

- Venho da parte da Menina do Mar - disse a gaivota. Ela manda-te dizer que já sabe o que é a saudade. E pediu-me para te perguntar se queres ir ter com ela ao fundo do mar.

- Quero, quero - disse o rapaz. Mas como é que eu hei-de ir ao fundo do mar sem me afogar?

- O frasco que te dei tem dentro suco de anémonas e suco de plantas mágicas. Se beberes agora este filtro passarás a ser como a Menina do Mar. Poderás viver dentro da água como os peixes e fora da água como os homens.

- Vou beber já - disse o rapaz.

E bebeu o filtro.

Então viu tudo à sua roda tornar-se mais vivo e mais brilhante. Sentiu-se alegre, feliz, contente como um peixe.

Era como se alguma coisa nos seus movimentos tivesse ficado mais livre, mais forte, mais fresca e mais leve.

- Ali no mar - disse a gaivota - está um golfinho à tua espera para te ensinar o caminho.

O rapaz olhou e viu um grande golfinho preto e brilhante dando saltos atrás da arrebentação das ondas. Então disse:

- Adeus, adeus, gaivota. Obrigado, obrigado.

E correu para as ondas e nadou até ao golfinho.

- Agarra-te à minha cauda - disse o golfinho.

E foram os dois pelo mar fora.

Nadaram muitos dias e muitas noites através de calmarias e tempestades.

Atravessaram o mar dos Sargaços e viram os peixes voadores. E viram as grandes baleias que atiram repuxos de água para o céu e viram os grandes vapores que deixam atrás de si colunas de fumo suspensas no ar. E viram os icebergues majestosos e brancos na solidão do oceano. E nadaram ao lado dos veleiros que corriam velozes esticados no vento. E os marinheiros gritavam de espanto quando viam um rapaz agarrado à cauda dum golfinho.

Mas eles mergulhavam e desciam ao fundo do mar para não serem pescados.

Aí estavam os antigos navios naufragados com os seus cofres carregados de oiro e os seus mastros quebrados cobertos de anémonas e conchas.

Depois de nadarem sessenta dias e sessenta noites chegaram a uma ilha rodeada de corais. O golfinho deu a volta à ilha e por fim parou em frente duma gruta e disse:

- É aqui: entra na gruta e encontrarás a Menina do Mar.

- Adeus, adeus, golfinho. Obrigado, obrigado.

A gruta era toda de coral e o seu chão era de areia branca e fina. Tinha em frente um jardim de anémonas azuis.

O rapaz entrou na gruta e espreitou. A Menina, o polvo, o caranguejo e o peixe estavam a brincar com conchinhas. Estavam quietos, tristes e calados. De vez em quando a Menina suspirava.

- Estou aqui! Cheguei! sou eu! - gritou o rapaz.

Todos se voltaram para ele. Houve um momento de grande confusão. Todos se abraçaram, todos riam, todos gritavam. A Menina do Mar dançava, batia palmas e ria com gargalhadas claras como a água. O polvo fazia o pino.

O caranguejo dava cambalhotas e o peixe dava saltos mortais. Depois de todas estas habilidades ficaram um pouco mais calmos.

Então a Menina do Mar sentou-se no ombro do rapaz e disse:

- Estou tão feliz, tão feliz, tão feliz! Pensei que nunca mais te ia ver. Sem ti o mar, apesar de todas as suas anémonas, parecia triste e vazio. E eu passava os dias inteiros a suspirar. E não sabia o que havia de fazer. Até que um dia o Rei do Mar deu uma grande festa. Convidou muitas baleias, muitos tubarões e muitos peixes importantes.

E mandou-me ir ao palácio para eu dançar na festa. No fim do banquete chegou a altura da minha dança e eu entrei na gruta onde o Rei do Mar estava com os seus convidados, sentado no seu trono de nácar, rodeado de cavalos marinhos.

Então os búzios começaram a cantar uma cantiga antiquíssima que foi inventada no princípio do Mundo.

Mas eu estava muito triste e por isso dancei muito mal.

- Porque é que estás a dançar tão mal? - perguntou o Rei do Mar.

- Porque estou cheia de saudades - respondi eu.

- Saudades? - disse o Rei do Mar. Que história é essa?

E perguntou ao polvo, ao caranguejo e ao peixe o que tinha acontecido. Eles contaram-lhe tudo. Então o Rei do Mar teve pena da minha tristeza e teve pena de ver uma bailarina que já não sabia dançar. E disse:

- Amanhã de manhã vem ao meu palácio.

No dia seguinte de manhã eu voltei ao palácio. E o Rei do Mar sentou-me no seu ombro e subiu comigo à tona das águas. Chamou uma gaivota, deu-lhe o frasco com o filtro das anémonas e mandou-a ir à tua procura. E foi assim que eu consegui que tu voltasses.

- Agora nunca mais nos separamos - disse o rapaz.

- Agora vais ser forte como um polvo.

- Agora vais ser sábio como um caranguejo - disse o caranguejo.

- Agora vais ser feliz como um peixe - disse o peixe.

- Agora a tua terra é o Mar - disse a Menina do Mar.

E foram os cinco através de florestas, areais e grutas.

No dia seguinte houve outra festa no Palácio do Rei. A Menina do Mar dançou toda a noite e as baleias, os tubarões, as tartarugas e todos os peixes diziam:

- Nunca vimos dançar tão bem.

E o Rei do Mar estava sentado no seu trono de nácar, rodeado de cavalos-marinhos, e o seu manto de púrpura nas águas.




Sophia de Mello Breyner Andresen (Portugal)

TROVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.


Manuel Alegre (Portugal)




NOSSA SRA. DA MUXIMA - ANGOLA

Flores de acácia para Mama Muxime!!!





LOCALIZACAO


Na margem esquerda do rio Cuanza, Muxima situa-se no distrito de Bengo, a cerca de 138 Kms a sul de Luanda.
Sede do concelho de Quiçama, comarca, arquidiocese e distrito de Luanda. Compreendia, durante o período em que era uma província ultramarina portuguesa, os postos de Demba, Chio, Cabo Ledo, Mumbendo e Quixinge, sem contar com a sede. Situa-se a cerca de 40 metros de altitude, na margem esquerda do rio Cuanza. Tem um clima tropical, quente e húmido e os meses mais quentes vão de Dezembro a Abril. O algodão, o palmar e os citrinos eram os produtos mais explorados. A maior parte da área do concelho constituía (será que ainda constitui?) uma reserva de caça. Muxima começou como presídio em 1959, com o fim de dominar os irrequietos povos da Quiçama. Cercada durante o domínio holandês, conseguiu resistir-lhe e, posteriormente, a sua Fortaleza e a Igreja de N.ª Sr.ª da Conceição passaram a ser consideradas monumentos nacionais. As comunicações fazem-se, quer através do rio Cuanza, quer por estradas que, na década de 1970, podiam ser consideradas como excelentes, ligando a Muxima a Gabela, a Porto Amboim, a Maria Teresa (40 kms), a Demba Chio (55 kms) e a Luanda (138 kms).

A CAPELA DE NOSSA SRA. DA MUXIMA

A capela da Nossa Senhora da Muxima é dos lugares de Angola em que fica bem evidenciado o lado espiritual dos africanos. Conta a lenda popular que ela surgiu repentinamente, por obra de um milagre da Santa Maria, que terá tido duas aparições no local na primeira metade do século XVII. Desde então o local tem sido um dos pontos preferenciais de muitos crentes, a maioria dos quais católicos. Relata o padre local, o mexicano Mário Torrez, que o povo acredita não só no poder contido na capela, mas em toda a área circundante. Muxima (coração em Kimbundu) é uma zona de forte tradição de magia e bruxaria, pelo que o "surgimento milagroso da capela" terá sido uma demonstração de poder de Maria sobre as outras poderosas da área. Pouco claras são igualmente as versões convencionais sobre as autoridades que edificaram a capela e o forte naquela localidade do município da Kissama. Determinados estudiosos atribuem a edificação da capela e do forte aos holandeses - na época em que ocuparam Angola - enquanto a grande maioria destes acredita ter sido obra dos portugueses. A segunda tese é sustentada pelo facto de a Holanda não ter tradição católica, e por os holandeses terem dominado por pouco tempo (cerca de 5 anos) os territórios de Ngola. Acresce-se ainda a particularidade de o forte, localizado no morro, situado ao lado da capela, em que se diz ter aparecido Maria, apresentar um estilo típico português. É igualmente curioso o facto de a potência dominadora (tenha sido Portugal ou a Holanda) ter resolvido edificar um templo num local de tão difícil acesso, e a vários quilómetros da costa, numa altura em que a ocupação da colónia restringia-se à orla marítima. Esse facto alimenta a suspeita de que o local já era considerado sagrado pelos autóctones antes da edificação do templo. Assim, os colonizadores terão edificado o templo católico sobre o local sagrado dos povos locais, como forma de mostrar o seu poder e submetê-los psicologicamente. Com efeito, a dominação dos deuses de um povo tem sido uma técnica de submissão dos povos usada por várias potências imperialistas ao longo da história da humanidade. No meio de toda essa amálgama de lendas, milagres, mistérios e contradições, desde 1645 - e quiçá muito antes - que Muxima tem chamado a si corações de milhares de pessoas que junto dela falam das suas preocupações, angústias e desejos. Muita gente vai à "Mamã Muxima" na esperança de que esta resolva os seus problemas de saúde que a ciência não tenha conseguido debelar, outros vão pedir que ela lhes traga dinheiro e os livre da pobreza em que vivem. Não raramente pessoas há que vão à Muxima para entregar-lhe a vida de alguém.

O Forte da Muxima e a capela, estão hoje considerados Património Mundial da UNESCO, a pedido do Governo angolano. No inicio do mês de Setembro faz-se a peregrinação que actualmente se mantém e que se pode observar na primeira foto.

MUXIMA

Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Se uamgambé uamga uami
Gaungui beke muá Santana
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua

[Carlos Aniceto Vieira Dias - Angola]

A palavra "muxima" quer dizer coração em Kimbundo. Essa música fala da Nossa Senhora do Coração dos Angolanos, também chamada Mama Muximaue; é um verdadeiro hino em Angola.

MULHER NEGRA

Tela de Neves e Sousa

MULHER NEGRA

Mulher nua, mulher negra
Vestida de tua cor que é vida, de tua forma que é beleza!
Cresci à tua sombra; a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.
E eis que, no auge do verão, em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida, do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração, como o golpe certeiro
de uma águia.
Fêmea nua, fêmea escura.
Fruto sazonado de carne vigorosa, êxtase escuro de vinho negro,
boca que faz lírica a minha boca
savana de horizontes puros, savana que freme com
as carícias ardentes do vento Leste.
Tam-tam escultural, tenso tambor que murmura sob os dedos
do vencedor
Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.
Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga, óleo calmo nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do Mali.
Gazela de adornos celestes, as pérolas são estrelas sobre
a noite da tua pele.
Delícia do espírito, as cintilações de ouro sobre tua pele que ondula
à sombra de tua cabeleira. Dissipa-se minha angústia,
ante o sol dos teus olhos.
Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira para fixá-la eternamente,
antes que o zelo do destino te reduza a cinzas para
alimentar as raízes da vida.

FEMME NOIR

Femme nue, femme noire
Vêtue de ta couleur qui est vie, de ta forme qui est beauté !
J'ai grandi à ton ombre, la douceur de tes mains bandait mes yeux.
Et voilà qu'au cœur de l'Été et de Midi, je te découvre,
Terre promise, du haut d'un haut col calciné
Et ta beauté me foudroie en plein cœur, comme l'éclair d'un aigle.

Femme nue, femme obscure
Fruit mûr à la chair ferme, sombres extases du vin noir, bouche qui fait lyrique ma bouche
Savane aux horizons purs, savane qui frémis aux caresses ferventes du Vent d'Est
Tamtam sculpté, tamtam tendu qui gronde sous les doigts du vainqueur
Ta voix grave de contralto est le chant spirituel de l'Aimée.

Femme nue, femme obscure
Huile que ne ride nul souffle, huile calme aux flancs de l'athlète, aux flancs des princes du Mali
Gazelle aux attaches célestes, les perles sont étoiles sur la nuit de ta peau
Délices des jeux de l'esprit, les reflets de l'or rouge sur ta peau qui se moire
À l'ombre de ta chevelure, s'éclaire mon angoisse aux soleils prochains de tes yeux.

Femme nue, femme noire
Je chante ta beauté qui passe, forme que je fixe dans l'Éternel
Avant que le Destin jaloux ne te réduise en cendres pour nourrir les racines de la vie.


Leopoldo Senghor (Senegal)

13 de janeiro de 2009

BRIGADA VICTOR JARA

A Brigada Victor Jara é uma banda portuguesa criada em 1975 por um grupo de jovens de Coimbra. De início a Brigada reproduzia cantigas portuguesas e estrangeiras de cariz revolucionário com que participavam nas campanhas de dinamização cultural do MFA. Nomeados em memória do cantor chileno com o mesmo nome, morto pelos militares após o golpe de Pinochet, no Chile, o grupo mantém-se ainda em actividade tendo lançado o seu mais recente disco em 2006.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Brigada_Victor_Jara

PARA OUVIR A BRIGADA CLICK AQUI: http://bvitorjara.com.sapo.pt/index.html

APESAR DE VOCE - CHICO BUARQUE


Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

(Coro3)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

(Coro4)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….

Chico Buarque (Brasil)

MI UNICÓRNIO AZUL (Interpretacoes de Sílvio Rodrigues & Mercedes Sosa)

Mi unicornio azul ayer se me perdió,
pastando lo deje y desapareció.
cualquier información bien la voy a pagar.
las flores que dejó
no me han querido hablar.
Mi unicornio azul
ayer se me perdió,
no sé si se me fue,
no sé si extravió,
y yo no tengo más
que un unicornio azul.
si alguien sabe de él,
le ruego información,
cien mil o un millón
yo pagaré.
mi unicornio azul
se me ha perdido ayer,
se fue.
Mi unicornio y yo
hicimos amistad,
un poco con amor,
un poco con verdad.
con su cuerno de añil
pescaba una canción,
saberla compartir
era su vocación.
Mi unicornio azul
ayer se me perdió,
y puede parecer
acaso una obsesión,
pero no tengo más
que un unicornio azul
y aunque tuviera dos
yo solo quiero aquel.
cualquier información
la pagaré.
mi unicornio azul
se me ha perdido ayer,
se fue.


Sílvio Rodriguez (Cuba)