18 de setembro de 2008

SEDA NEGRA



Seda negra de terra incrustada
Vestes teu corpo.
Na boca, sapatos de cereja
debroados a marfim;
E na luz do teu rosto
a alma do vento, exposto.
do tempo reivindicando
olhos de azeviche
dançando, tamborilando
na seca das colheitas
de lágrimas que regam
os poros dos sonhos,
talvez medonhos,
que sonhas sem fim.
nos ventos e lamentos.
Sufocam os fogos
da esperança
e brotam sorrisos
na lembrança
de um futuro diamante...
no entanto distante...
como é o infinito.
sem queixumes, azedumes
apenas
o triste sorriso bonito
que te ganham forma e cor
no silencio dos gritos pardos...
quem sabe, aflitos ,
de tanto esperar...
o cortar das correntes, dolentes
o libertar dos escravos...ou
talvez apenas gemidos
condenados
de uma guerra que não é vossa
uma vida cheia de fados,
Cantados, ao Sol Poente
Navegando ao som da Lua
Regida por Senhores
engravatados...muito
importantes e ocupados
a esconder a verdade...
crua e nua!!!


Dinah Raphaellus (Portugal)

Um comentário:

Educadora em Direitos Humanos disse...

Namibiano, poetamigo: é uma grande alegria ver meu nome no seu blog. Muito agradecida estou por esse gesto de carinho. Você, meu irmão de lingua portuguesa, tem uma poesia linda. Continue sendo esse poeta solidário com outros poetas, continue assim poeta guerreiro com o brilho da luta que vem do grande Agostinho Neto. Paz e bem. Conte sempre com esta sua irmã brasileira. Graça Graúna