11 de novembro de 2009

DOIS POEMAS PARA 11 DE NOVEMBRO


Agostinho Neto

NOITE


Eu vivo
nos bairros escuros do mundo
sem luz nem vida.


Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.


São bairros de escravos
mundos de miséria
bairros escuros.


Onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram
com as coisas.


Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.


Também a noite é escura.



António Agostinho Neto, Poeta e primeiro Presidente de Angola (Icolo e Bengo, 17 de Setembro de 1922 — Moscovo, 10 de Setembro de 1979)
(Poema in Sagrada Esperança)



***




Manuel Rui


BANDEIRA

é um braço de fevereiro e outro de novembro
que te içam.




os nossos olhos sobem lentamente
a ver teu desfraldar a noite as cores antigas
o vermelho e o preto.




bandeira catana de campesina luta
aliança na roda
dentada proletária força
sem fim até ao brilho sem limite
da estrela.




eles vinham pelo norte e pelo sul
para estar hoje mas não chegaram.
e de ti o luar começa a ser inveja!




olhamos-te bandeira agora
e vamos percorrer contigo este país
até semearmos novembro em toda a parte.


Manuel Rui Monteiro (Angola)


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