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25 de fevereiro de 2015

GOTÍCULAS DE VELUDO


 


O silêncio tece gotículas
Surdas de veludo
Com que me visto nua;
Pegadas lúgubres
Que sigo pretas de xisto,
Como marchas fúnebres.
Meu corpo pesado arrasto
Comigo, não sei se existo
Ou extingo, apenas sigo
O que nem eu já sei,
Talvez a pena cinzenta
Que do nada nasceu
Em minhas mãos magoadas
–Mensagem de anjos ou demónios–
Leve, indecifrada,
Enigma perdido entre meus dedos
Como pequenos grãos
E os mortais continuam como
Se nada se passasse, cegos,
Alheios ao que deveriam ver.
Lutas de nada nunca vencem,
Perdem-se no vazio do nada
E transformadas em pó
Para sempre desfalecem.
Acordem, ouçam o nascer
Da alvorada, sintam o sorriso
Pálido da lua, guardem o beijo do mar...
Acordem! Esta vida só se despe
Quando está nua de chuva e trovoada
Por acordar ou quando, caiada de branco,
Se juntam as ondas e a areia vai beijar.



Dinah Raphaellus (Portugal)

28 de maio de 2014

AMBIGUIDADE


Desafiavas-me escondido por detrás das vírgulas
E rias, rias iludido que nas reticências frívolas
Arranjavas abrigo, um lar amigo para nossas demências
Ahahahah...como os nossos risos cresciam...
Balões de primaveras no outono de nossas vidas
Unguentos miraculosos sarando nossas feridas
Não...não falo de quimeras, mas sim das longas esperas
Com que perpetuamos os sentidos, reais e vividos
Nas rimas pintamos feras, e moldamos de barro
Muitas prosas, sonetos feitos duetos, laranjais frescos
De perfume índigo...dos sons fizemos esferas,
Bancos de jardins bebendo ópios de trigo.
Nas muralhas das odes...lindos arcos arabescos
Arquitetura debruada a linho...
Na ambiguidade da poesia...a fragrância de lilás e pinho!!!



Dinah Raphaellus (Portugal)

25 de junho de 2013

POEMA DE DINAH RAPHAELLUS


Deitada neste cipreste que é a vida,
Durmo aconchegada pelo sol.
Sol de janelas abertas de par em par,
De persianas encobertas
E de curtinas bordadas a espuma-mar.

Durmo de olhos abertos,
Irrequietos desta fragância que se adivinha
Pendurada no anzol da maré.
Espero que o tempo adormeça
E o mundo perca a cabeça no cheiro
Encontrado da maresia.



Dinah Raphaellus (Portugal)

18 de junho de 2013

O MAR


O Mar em seu gracioso bailar,
Conta-me os segredos,
Aconchega-me os medos,
Do meu fantasmar!
O Mar imponente e belo
Esconde-se nos rochedos
Para que eu não o veja chorar!
Depois vem de mansinho
Tecer meu corpo de linho
Num qualquer antigo tear
Debroa minh’alma de ouro
Como se trata-se um tesouro
E canta-me uma canção d'embalar,
Num espaço lilás...sinto-me...
Contente... afogar!!!


Dinah Raphaellus (Portugal)

29 de julho de 2012

OLHOS MÍSTICOS

Místicos olhos percorrem
as ladeiras encrustadas
de limbos na minha alma.
São pérolas negras, veias, sedas
aveludadas de escarlate carmim.
E nos rosários de cordas formam-se
nós excêntricas obras,
talismãs de marfim, onde
as feras despidas de modas
amordaçam meu corpo,
a terra em trovas e resgatam
meu estro por fim.


Dinah Raphaellus (Portugal)

http://poesialilazcarmim.blogspot.co.uk/

9 de agosto de 2011

TERCEIRO LUGAR NO PRÉMIO DE POESIA - DINAH RAPHAELLUS


O Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia 2010 anuncia os vencedores do concurso:

Lista por Poema – Autor – Cidade

1º: Pálidos Mistérios – Grigório Rocha (Salvador-BA)

2°: Finados – André Sesti Diefenbach (Porto Alegre-RS)

3°: Ambiguidade – Dina P. Pereira da Costa - DINAH RAPHAELLUS- (Aveiro, Portugal)

4°: Partes deste Amor – Antonio Almeida (Rio de Janeiro-RJ)

5°: Enigma – Renata Paccola (São Paulo-SP)

6°: Café – Ari Lins Pedrosa (Maceió-AL)

7°: Lama – Renata Rimet (Salvador-BA)

8°: Viagem – Yao Jingming (Macau, China)

9°: Barganha – Tatiana Alves (Rio de Janeiro-RJ)

10°: Poema Xipófago – Gêmeo – Hélio José Destro (São Paulo-SP)


Menções Honrosas:

Ramagem – Amélia Marcionila Raposo da Luz (Pirapetinga-MG)

Para escrever um poema imperfeito - André Caldas (Rio de Janeiro–RJ)

Dualismo – Augusto Cesar Ribeiro Rocha (São Luís-MA)

Vem sem música… – David Erlich (Lisboa, Portugal)

N’outra margem – Diogo Cantante (Aveiro, Portugal)

Poema Andrógino – Flávio Lanzarini (Rio de Janeiro-RJ)

Ária da chuva – Helena Barbagelata (Almada, Portugal)

Mulher poema – João Gomes de Almeida (Lisboa, Portugal)

Regressar de novo – João José Ferreira (Inglaterra)

Distância – Marcos Antônio Maués Vitelli (Marajó-PA)




Eis o poema Premiado:




AMBIGUIDADE

Desafiavas-me escondido por detrás das vírgulas
E rias, rias iludido que nas reticências frívolas
Arranjavas abrigo, um lar amigo para nossas demências
Ahahahah...como os nossos risos cresciam...
Balões de primaveras no outono de nossas vidas
Unguentos miraculosos sarando nossas feridas
Não...não falo de quimeras, mas sim das longas esperas
Com que perpetuamos os sentidos, reais e vividos
Nas rimas pintamos feras, e moldamos de barro
Muitas prosas, sonetos feitos duetos, laranjais frescos
De perfume índigo...dos sons fizemos esferas,
Bancos de jardins bebendo ópios de trigo.
Nas muralhas das odes...lindos arcos arabescos
Arquitetura debruada a linho...
Na ambiguidade da poesia...a fragrância de lilás e pinho!!!


Dinah Raphaellus (Dina P. Pereira da Costa)




29 de março de 2010

Blog da Semana - 01 - 2010

A partir desta semana Cores & Palavras vai passar a indicar um blog por semana. Para abrir o acontecimento temos:


POESIA LILAZ-CARMIM

POESIA DE DINAH RAPHAELLUS DE COR LILÁS E CARMIM.


Bem vindos ao meu mundo de fantasia, poesia rosa, mar a crescer no beijo das Ondinas como que bailando no tule rendilhado das ondas ao entardecer. Poesia é uma forma de estar na vida, um desafio ao ser humano que através de palavras simples ou mais complexas, descreve o que sente... no entanto sem que ninguém ou muito poucos adivinhem o que lhe vai no mais profundo do seu âmago. É esta uma das muitas razoes porque amo a poesia. Ela faz parte da minha vida e sem ela nada sou. Entrem, não julguem, tentem entender o poeta se conseguirem!!! Bjo
Dinah



FADO

Ao longe... ouve-se um fado
Que gemendo num lamúrio
Condenado
Desce à Mouraria, atravessa Lisboa
Vestindo capa negra,
Viajando à toa
Amando a guitarra
Dedilhando a Madragoa
Segue cigano sem destino
Sempre com ar triste
No entanto ladino
A quem a todos e ninguém amava
Eis pois o retrato
Do fado errante
Que um dia me bateu à porta
Noite dentro, hora morta
Todo galante o safado
Abri-lhe a porta... entrou,
Para sempre...ficou,
O grande malvado?!!

Dinah Raphaellus (Portugal)

10 de março de 2010

MEU CORPO UM LIVRO

Este poema encontra-se publicado neste livro e no blogue da poeta http://poesialilazcarmim.blogspot.com/  


Antologia de vários autores - Lugar da Palavra

Meu corpo um livro de poesia,
Onde tu lês os poemas
Declamados em silêncio
Por minha pele.
Teu corpo uma epopeia,
Onde minha boca se sacia
Ao resgatar estrofes,
Com sabor a mel.
E na beleza da métrica perfeita
Nossos corpos bailando
Ao som das rimas
Cristalina e poética,
Exalando odores dourados
De primaveras outonais.
Numa lírica rica e fluída.
Onde tu barco eu ondina,
Nos amamos pelos caudais dos rios...
Quiçá sonhos astrais


Dinah Raphaellus, in A Traição de Psiquê

9 de novembro de 2009

AMBIGUIDADE

Hoje, trago uma vez mais a minha poetisa e o seu blogue que aconselho a visitarem aqui: http://poesialilazcarmim.blogspot.com/





Desafiavas-me escondido por detras das vírgulas

E rias, rias iludido que nas reticencias frívolas
Arranjavas abrigo, um lar amigo para nossas demencias
Ahahahah...como os nossos risos cresciam...
Baloes de primaveras no outono de nossas vidas
Unguentos miraculosos sarando nossas feridas
Nao...nao falo de quimeras, mas sim das longas esperas
Com que perpetuámos os sentidos, reais e vividos
Nas rimas pintámos feras, e moldámos de barro
Muitas prosas, sonetos feitos duetos, laranjais frescos
De perfume indigo...dos sons fizemos esferas,
Bancos de jardins bebendo ópios de trigo.
Nas muralhas das odes...lindos arcos arabescos
Arquitectura debruada a linho...
Na ambiguidade da poesia...a fragancia de lilás e pinho!!!




Dinah Raphaellus (Portugal)

18 de setembro de 2009

POEMA DE DINAH RAPHAELLUS

A escuridão grita rosas

Negras no silêncio ferindo
As sonoras orquídeas
Amarelo laranja
Duma claridade ausente
De chuvas rubras.








Dinah Raphaellus (Portugal)
http://poesialilazcarmim.blogspot.com/

21 de julho de 2009

CHUVA DE ACÁCIAS BRANCAS


Deixo-vos este belo poema que nos transporta para uma musicalidade sublime e simbolista...






A chuva Madura
De acácias brancas,
Batia fortemente
No peito feito Sol nascente.
Onde botoes de sangue,
Floresciam na tarde
Rubra e quente...adivinhando
O poente, fruto feito
Noite dolente,
Gemendo escalas, cascatas...
Nascentes da lua feita...
Parda guitarra!!!


Dinah Raphaellus (Portugal)

18 de junho de 2009

SOU COMO SOU





Que o mundo entre em festa
Batam testos ou tambores
Para mim não importa,
Não são dissabores.
E sabem porquê?
Porque eu não sou esta,
Mas sim a outra...
que ninguém vê.
Sim sou e com orgulho
Nos olhos e na boca.
Com vaidade e comoção
Não sou lambe-cús,
Falsa, bajuladora...
De sufisma sempre na mão!
Sou qual águia, voando
pelo Céu afora,
sou palavra, liberdade
no Céu na terra...
onde me pecam a verdade,
Lá estarei qual fera.
Sou o que sou e não me importa
Gritem os Deuses...
O Demo que feche a porta...
Sou o que sou e não deixarei
De o ser ...mesmo quando morta!!!



Dinah Raphaellus (Portugal)



3 de dezembro de 2008

QUERO...




Quero abraçar-te
Meu eterno descanso.
Embrulhar-me em teu
Negrume manto,
Com o qual apagarei
Qualquer réstia de calor!
Tenho fome de beijar-te,
Sou orfã de paixão
Desses lábios sem cor.
Quero contigo,
A última valsa dançar
E minha semente
Daninha, de vez acabar,
Bani-la da face da terra
Construir a paz
Destruindo esta guerra,
Este horror de morta,
Que meu peito e alma dilacera
E nem o Amor...
Já me acalma!
Quero contigo apagar
A noite eterna, fechar a porta
Esquecer toda a vida terrena,
Casar-me e para sempre,
Viver com a bruma
Ainda que seja esse,
O meu castigo,
A minha pena!!!



Dinah Raphaellus (Portugal)


3 de novembro de 2008

MYSTIC


Perco-me na escuridão deste sepulcro
Que é a vida.
Busco a Luz Espiritual tão prometida.
É depois da morte que a encontramos,
Ou é a morte esta vida?
Dinah Raphaellus

21 de outubro de 2008

REQUIEM

Com lanças de fogo me esquartejei

De manto veneno cobri meu corpo

Minha alma para sempre amortalhei

Minha vida expiro num sopro.

Esvaindo-se vai meu alento,

corredor sem tempo neste mundo temporal

Onde me visto de mudo luto, sempre atento...

Revolvendo o esquecimento onde disfarço,

meu ser já morto, rodopiando no astral.

E uma chuva de lírios brancos,

Caiem sedentos afagando meu funeral.

Dinah Raphaellus (Portugal)

18 de setembro de 2008

SEDA NEGRA



Seda negra de terra incrustada
Vestes teu corpo.
Na boca, sapatos de cereja
debroados a marfim;
E na luz do teu rosto
a alma do vento, exposto.
do tempo reivindicando
olhos de azeviche
dançando, tamborilando
na seca das colheitas
de lágrimas que regam
os poros dos sonhos,
talvez medonhos,
que sonhas sem fim.
nos ventos e lamentos.
Sufocam os fogos
da esperança
e brotam sorrisos
na lembrança
de um futuro diamante...
no entanto distante...
como é o infinito.
sem queixumes, azedumes
apenas
o triste sorriso bonito
que te ganham forma e cor
no silencio dos gritos pardos...
quem sabe, aflitos ,
de tanto esperar...
o cortar das correntes, dolentes
o libertar dos escravos...ou
talvez apenas gemidos
condenados
de uma guerra que não é vossa
uma vida cheia de fados,
Cantados, ao Sol Poente
Navegando ao som da Lua
Regida por Senhores
engravatados...muito
importantes e ocupados
a esconder a verdade...
crua e nua!!!


Dinah Raphaellus (Portugal)

12 de setembro de 2008

FECHEI A PORTA DO TEMPO





Fechei a porta do tempo
e entretida bisbilhotei
as gavetas do esquecimento
desbotadas de rosa velho.
de tudo encontrei:
espelhos de dourada poeira,
lustres da cegueira,
de homens enganados.
Que transformados,
gritam diplomas, acetinados
de cera lacre e finas
fitas adornados.
Que mais parecem
pobres quadros,
despidos de tintas,
Pintados por poetas,
tosquiados de engenho,
excentricidade colorida,
De falsos e púdicos artistas!!!!



Dinah Raphaellus (Portugal)





4 de setembro de 2008

POETA JÁ NAO SOU




Poeta já não sou

neste mar de rosas por florir.

Pétalas roxas de paixão

espectro por consumir

vibracões transmutantes

energias activas e possantes

de te querer beijar,

Profundamente...

acto onírico presente

No extase de te ver...

e deixar-me nascer

num suspiro... para logo

Morrer nos teus braços,

Renascer num cipreste,

numa pintura de papiro

calçada de fogo e abraços

Qual fénix disfarçada,

Num sorriso agreste

onde admiro...

a magia na chegada...

dos teus passos!!!



Dinah Raphaellus (Portugal)

26 de abril de 2008

GARGOLAS


As gárgolas sem compaixão,
Horrendas, frias e feias...
Envoltas por solidão,
Prendem-me em suas veias.
Sem predicados ou versos,
Só teias...que num
doce cipreste a balançar,
Embalam-me suspensa
em epopeias.
Castradas de rimas a rimar
Suadas de amor por amar,
Sol aberto, vento a discursar
À luz tosca de candeias...
E no fresco verde a chilrear,
Pintam o canto exalado
E gemido por sereias.





By: Dinah Raphaellus (Portugal)
http://poesialilazcarmim.blogspot.com/



18 de fevereiro de 2008

AH, COMO E' BOM





Ah como e’ bom sentir o chilrear
das aves nos labios da minha alma.
E recebe-los com o sorriso
Solar dourado da minha vida,
Sela-los com o karma da sapiencia,
sabia sofrida, num bouquet
perfeito de paciencia,
neste livro de contos, por contar.
Historias, desencontros, parabolas,
Encontros, e versos por versejar.
Ah como e’ bom o Sol,
que ainda nao nasceu...
Por-se a’ janela,
comtemplando o luar,
De uma noite,
que ainda nao faleceu
nas palpebras do meu sonhar.
Ah como e’ bom...
as ondas dessa paixao, mar a viajar,
Nesse corredor rosa, aberto de par em par
Aplaudindo a nossa vida
em procissao a passar;
E a outra vida...talvez mais precisa, mais vivida...
Adormecer e voltar!!!!




By: Dinah Raphaellus (Portugal)