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28 de julho de 2013

ALQUIMIA DO VERBO


   Para mim. A história das minhas loucu-
ras.
   Há muito me gabava de possuir todas
as paisagens possíveis, e julgava irrisórias
as celebridades da pintura e da poesia mo-
derna.
    Gostava das pinturas idiotas, em por-
tas,  decorações, telas circenses, placas,
iluminuras populares; a literatura fora de
moda, o latim da igreja, livros eróticos sem
ortografia, romances de nossos antepassa-
dos, contos de fadas, pequenos livros in-
fantis, velhas óperas, estribilhos ingênuos,
rítmos ingênuos.
     Sonhava  com as cruzadas, viagens de
descobertas de que não existem relatos, re-
públicas sem histórias, guerras de religião
esmagadas, revoluções de costumes, des-
locamentos de raças e continentes: acredi-
tava em todas as magias.
     Inventava a cor das vogais! - A  negro
E branco, I vermelho, O azul, U ver-
de. Regulava a forma e o movimento de
cada consoante, e , com ritmos institivos,
me vangloriava de  ter inventado um verbo
poético acessível, um dia ou outro, a todos
os sentidos. Era comigo traduzí-los.
Foi primeiro um experimento. Escre-
via silêncios, noites, anotava o inexprimível.
Fixava vertigens.

Rimbaud (Franca)

Tradução de Paulo Hecker Filho

24 de janeiro de 2012

RIMBAUD - Tête de Faune

Artur Rimbaud

Dans la feuillée, écrin vert taché d'or,
Dans la feuillée incertaine et fleurie
De splendides fleurs où le baiser dort,
Vif et crevant l'exquise broderie,

Un faune égaré montre ses deux yeux
Et mord les fleurs rouges de ses dents blanches.
Brunie et sanglante ainsi qu'un vin vieux,
Sa lévre éclate en rires sous les branches.

Et quand il a fui - tel qu'un écureuil, -
Son rire tremble encore à chaque feuille,
Et l'on voit épeuré par un bouvreuil
Le Baiser d'or du Bois, qui se recueille.


Arthur Rimbaud (1854-1891) France