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4 de dezembro de 2013

VEM, DESESPERO


Vem, desespero
mata em minhas veias o brilho desta lua
a enfeitar com simulacros de prata
a miséria de vidas sem destino.

vem, desespero
gela nas bocas o murmúrio de conformismo
esse ópio de vontades
a sabotar a flor única de esperança
na planície dos homens de rastos.

vem, oh! vem desespero,
e cria nos homens o ímpeto dos tornados.


Jofre Rocha (Angola)

29 de maio de 2007

Canto para Angola



Hei-de compor um dia
um canto sem lirismo
nem tristeza
digno de ti, ó minha terra.
Hei-de compor um canto
livre e sem regras
que de boca em boca vai partir
nos lábios de velhos e meninos.
Será o canto do pescador
com todos os sons do mar
com os gemidos do contratado
nas roças de São Tomé.
Será o canto de todos os dramas
do algodão do Lagos & Irmão
o das tragédias nas minas
da kitota e da Diamang.
Será o canto do povo
o canto do lavrador
e do estudante
do poeta
do operário
e do guerrilheiro
falando de toda Angola
e seus filhos generosos.



Jofre Rocha (Angola)