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1 de julho de 2013

OH FLOR DA NOITE


Oh flor da noite
onde todo o orvalho se perde

teus olhos
não são estrelas
não são colibris

teus olhos
são abismos imensos
onde na escuridão
todo um passado se esconde

teus olhos
são abismos imensos
onde na escuridão
todo um futuro se forma

oh flor da noite
onde todo o orvalho se perde

teus olhos
não são estrelas
não são colibris



        Arlindo Barbeitos (Angola)

4 de setembro de 2008

AMADA - DOIS POEMAS DE A. BARBEITOS





amada
minha amada
ter saudade do futuro
é

crer
agora e mais tarde
que
o desespero é traição
e
que
a curva leve de teu peito
agora e mais tarde
cabe inteira na minha mão
amada
minha amada

Nzoji (sonho) (1979)




amada
teus olhos são mirangolos
que
eu comeria

não me custasse
o pavor da cegueira
a alma
amada
o amor
é
um canibal assustado

Fiapos de Sonhos (1992)


Arlindo Barbeitos (Angola)

7 de setembro de 2007

POEMAS DE ARLINDO BARBEITOS


Em teus dentes
o sol
é diamante de fantasia
a lua
caco-de-garrafa
e
a mentira
verdade vagabunda
errando de cágado
em torno da lagoa dos olhos da noite
na treva aveludada
de tua pele
os dedos curiosos
são estrelas de marfim
à busca
de um dia caprichoso
despontando de miragem
por detrás das corcundas de elefantes adormecidos


**********************************************************************************************

Por entre as margens da esperança
e da morte
meteste a tua mão
e
eu vi alongados nas águas
os dedos que me agarram

em lagoa de um sonho
corpo de jacaré
é soturna jangada de palavras
secas
por entre as margens da esperança
e da morte


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em mão frágil de amarelo
se quebra o galho de gajajeira
pela tardinha vermelha em flor
sussurrar de vento
não é voz de capim crescendo
é murmúrio impaciente
de gentes
no azul de parte alguma
em mão frágil de amarelo
se quebra o galho da gajajeira
pela tardinha vermelha em flor


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saudade
é o tempo de pacassas pardas
e macacos sem rabo servindo de administradores
quando o calor ia derretendo o céu
e a chuva se vendia na farmácia
do comerciante de cabelos de fio
saudade
é o tempo de patos bravos
e macacos sem rabo servindo de padres

quando o medo ia gelando a terra
e o pranto se dava de beber aos porcos
do comerciante de cabelos de fio


**********************************************************************************************

escuras nuúvens grossas de outros céus vindas
entrançando-se por entre asas de pâssaros canibais
e
chuva de feiticeiro
em sopro
de arco-íris dependurada

irmão
vem vem
escuras núvens grossas
temem o sol de nossos olhos todos
pâssaros canibais
a garra de nossas mãos todas
e
chuva de feiticeiro
se perde no ar de nossos copos todos
irmão
vem vem


Arlindo Barbeitos (Angola)



Breve Biografia:

Arlindo Barbeitos, seu nome completo Arlindo do Carmo Pires Barbeitos, nasceu em Catete, Angola, a 24 de Dezembro de 1940. Por motivos politicos foi obrigado a sair de Angola tendo ido viver para a Franca, Suica, Belgica, Alemanha.
Licencou-se em Sociologia e Antropologia na Universidade de Frankfurt. Doutorou-se em Etnologia e foi professor na Universidade Livre de Berlim Ocidental.
Em 1975 regressa a Angola, indo leccionar para a Universidade de Angola. Poeta e ficcionista.
Traduzido em varias linguas, e incluido em numerosas antologias.
Tem publicados: Angola Angole Angolema (Poemas, 1976, Lisboa, Sa da Costa); Nzoji (Poemas), 1979, Lisboa, Sa da Costa); O Rio. Estorias de regresso (Contos, 1985, Lisboa, INCM); Fiapos de Sonho (Poesia, 1992, Lisboa, Vega);
Na Leveza do Luar Crescente (1998, Lisboa, Editorial Caminho).

6 de julho de 2007

EM TEUS DENTES...


Em teus dentes
o sol
é diamante de fantasia
a lua
caco-de-garrafa
e
a mentira
verdade vagabunda
errando de cágado
em torno da lagoa dos olhos da noite
na treva aveludada
de tua pele
os dedos curiosos
são estrelas de marfim
à busca
de um dia caprichoso
despontando de miragem
por detrás das corcundas de elefantes adormecidos


Arlindo Barbeitos (Angola)