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29 de setembro de 2010

Blog da Semana - 14/2010

Depois de uma semana longa, mesmo muito longa, Cores  & Palavras volta a publicar o Blog da Semana. Depois do Brasil, na semana 13, voltamos a Angola e a escolha recai em http://literaturafragatademorais.blogspot.com/ (Fragata de Morais), aconselho vivamente.


Bailarinos kiokos, Lundas. Foto retirada do blog Fragata de Morais


PROVÉRBIOS E ADIVINHAS DE ANGOLA

Adivinhas e provérbios são propostos à noite, nas conversas colectivas, como forma de transmissão oral do conhecimento. Nunca de dia.




Uma adivinha umbundu:

Ekamba lyange liluka ngo, onjokasyasya.

(o meu amigo anda sempre a mudar e nunca larga a casa).

De que amigo se trata? O caracol


Um provérbio kikongo:

Kunda kia mfumu, keki fonguanga kua wantu wole ko.

(Na cadeira do chefe não se sentam duas individualidades)

3 de agosto de 2010

Blog da Semana - 13/2010

Foto Liane Neves (Blog Quintana Eterno)


Depois de uma semana muito longa, estou de volta com um novo Blog da Semana, uma homenagem a um grande poeta brasileiro, Mário Quintana, porfavor visitem: 




Texto retirado na íntegra do blog referido:

REFLEXÕES DO CADERNO H

Selecionei alguns textos que Quintana publicou no CADERNO H . Cada um deles nos leva a viajar por muitas reflexões. Boa viagem.



COISAS DO TEMPO


Com o tempo, não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros.


CUIDADO!


A nossa própria alma apanha-nos em flagrante nos espelhos que olhamos sem querer.


TENHO PENA DA MORTE


Tenho pena da morte – cadela faminta – a que deixamos a carne doente e finalmente os ossos, miseráveis que somos... O resto é indevorável


MAS TUDO É NOVO DEBAIXO DO SOL


Resmungam os velhos – “Não há nada de novo debaixo do sol” – e nem se lembram dos que, neste momento, estão recriando o mundo: os poetas, as artistas, os recém-nascidos.


DA SAUDADE


A saudade que dói mais fundo – e irremediavelmente – é a saudade que temos de nós.


DO CONHECIMENTO


Tudo já está nas enciclopédias e todas dizem as mesmas coisas. Nenhuma delas nos podem dar uma visão inédita do mundo. Por isso é que leio os poetas. Só com os poetas se pode aprender algo novo.


NADA SOBROU


As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas...Nada lhes ficou. Nada lhes sobrou. Uma vida não basta apenas ser vivida: também precisa ser sonhada.


Mario Quintana in: CADERNO H

5 de julho de 2010

Blog da Semana - 12/2010

O blog da semana 12 é angolano. Trata-se do blog do poeta João Tala. Um poeta já com obra publicada há alguns anos. Recentemente trouxe a público o seu mais recente poemário, "Forno Feminino".
Visitem o poeta em: http://blogtala.blogspot.com/

SOBRE FORNO FEMININO



EXPLICO EM NOTA PRELIMINAR QUE FORNO FEMININO É UMA ESCULTURA MOLDADA DE BARRO COM CONTORNOS Á IMAGEM DE UMA MULHER CUJO  VENTRE SE ABRE UMA CAVIDADE

Foto: blogtala74



trompas uterinas/braços do mundo
ouço o recomeço acostumada seara
de grãos rompidos
ainda. as grandes mãos do mundo
fixam sementes, algarismos
palavras cervicais
húmus sobre terra húmida,
é esse o caminho que atinge ovários
pela boca da labareda.

João Tala (Angola)
In Forno Feminino

24 de junho de 2010

Blog da Semana - 11/2010

Recalcitrante é o blog da semana. O Blog da Meg como eu carinhosamente chamo. Nao vos aconselho a visitá-lo, eu OBRIGO-VOS democraticamente a visitá-lo e nao digo mais nada!


José Pádua (foto Recalcitrante)

O SILÊNCIO DAS GENTES


Um silêncio e passos d’homens importantes
Ecoam chão de mosaicos
Poc, poc, poc…ecos
E fatos enfatados
E engravatados
D’homens importantes que as gentes!

Um microfone num discurso sábio
Regado de palavras sábias
O silêncio cúmplice dos dias
No silêncio do silêncio
Das gentes cansadas das oratórias
E discursos de hipocrisias!

Uma torrente de palavras rechonchudas
Um desfile de sapiência
Em gravatas abastadas
As minhas gentes caminham mudas
E desesperam paciência
Na dor do alvorecer de madrugadas!

Quem compra os espinhos das gentes
No suor da caminhada?
Passos d’homens arrogantes
Ecoam mosaico d’estrelas
Eu rezo as velas
Das gentes perfiladas nas estradas!

As minhas gentes suam injustiça dos dias
E dor das noites silenciadas
Magricelas
No palácio das estrelas
Gravatas abastadas
Festejam hipocrisia de palavras sábias!

A minha noite adormece entristecida
Na cobardia da gente emudecida!

Décio Bettencourt Mateus (Angola)

In "Xé Candongueiro

16 de junho de 2010

Blog da Semana - 10 - 2010

O blog escolhido para a semana 10 é a KITANDA, http://kotodianguako.blogspot.com/  que vivamente aconselho, há frutas gostosas por lá...
Tela de Thó Simoes (Angola)


amar é mesmo assim

ela tem uma ave nos contornos de mulher
e me vê com as escleróticas em fuga.
deixa-se ir ao tempo com um corpo de navio
enche a embala com o seu todo.
ela emergiu da “casa inabalável”
e victoriosa depôs o soba.
rendo-me à vassalagem quero-a solta e rica.
certo ou incerto os sonhos errados
tornam-se vivos: como um compêndio de
mil escrituras no amor que gesticulo.

João Tala (Angola)

1 de junho de 2010

Blog da Semana - 09-2010

Trago-vos hoje, para o Blog da Semana e pela primeira vez, um blog nao lusófono mas pertinho da nossa lusofonia, de habla castellana. Trata-se do blog argentino: Lisarda Baila Cumbia (http://lisarda.blogspot.com/)

Foto do blog Lisarda Baila Cumbia


Borges, Oda escrita en 1966

Nadie es la patria. Ni siquiera el jinete

Que, alto en el alba de una plaza desierta,
Rige un corcel de bronce por el tiempo,
Ni los otros que miran desde el mármol,
Ni los que prodigaron su bélica ceniza
Por los campos de América
O dejaron un verso o una hazaña
O la memoria de una vida cabal
En el justo ejercicio de los días.
Nadie es la patria. Ni siquiera los símbolos.


Nadie es la patria. Ni siquiera el tiempo
Cargado de batallas, de espadas y de éxodos
Y de la lenta población de regiones
Que lindan con la aurora y el ocaso,
Y de rostros que van envejeciendo
En los espejos que se empañan
Y de sufridas agonías anónimas
Que duran hasta el alba
Y de la telaraña de la lluvia
Sobre negros jardines.


La patria, amigos, es un acto perpetuo
Como el perpetuo mundo. (si el Eterno
Espectador dejara de soñarnos
Un solo instante, nos fulminaría,
Blanco y Negro relámpago, Su olvido.)


Nadie es la patria. Pero todos debemos
Ser dignos del antiguo juramento
Que prestaron aquellos caballeros
De ser lo que ignoraban, argentinos,
De ser lo que serían por el hecho
De haber jurado en esa vieja casa.
Somos el porvenir de esos varones
La justificación de aquellos muertos;
Nuestro deber es la gloriosa carga
Que a nuestra sombra legan esas sombras
Que debemos salvar.
Nadie es la patria, pero todos los somos.
Arda en mi pecho y en el vuestro, incesante,
Ese límpido fuego misterioso.

José Luís Borges (Argentina)

25 de maio de 2010

Blog da Semana - 08- 2010

Blog da semana volta de novo ao Brasil e aconselha: http://ellenismos.blogspot.com/



DO BARRO

Brincar com coisas sem nome
era o meu fraco.
Com morrinhos de terra molhada,
modelava objetos de sonhos.,
Qualquer forma se fazia coisa
para depois, entre mãos e sonhos,
de novo outra coisa
sempre outra.
Certo mesmo, só
a cor marrom com que pintei o tempo.

Ana de Santana

11 de maio de 2010

Blog da Semana - 07- 2010

O blog da semana é "Angola: Os Poetas", pela divulgacao dos poetas da bela literatura angolana. Visite: http://angolapoetas.blogspot.com/

Tela de Carla Peairo (Angola)

O HENDA I XALA


a loucura tocou as nossas mãos.
súbitas luzes passam nos teus olhos.
o excessivo pudor nos aproxima:
riqueza dos segredos revelados!

não importa a incerteza e o impossível:
deles e nós, conscientes, nos sorrimos.
para além do momento, nós sabemos:
o amor ficará – O HENDA I XALA.

Mário António (Angola)

3 de maio de 2010

Blog da Semana - 06- 2010

Desta feita o blog da semana é angolano: http://nguimbangola.blogspot.com/ Um excelente blog cultural e especialmente vocacionado para a cultura angolana. O autor também publica seus textos poéticos. A visitar!



VIVA O LIVRO!

o livro, o livro, o livro

o livro, o livro, o livro
o autor, o autor, o autor
mas o livro, mas o livro, mas o livro
mas o autor, mas o autor, mas o autor
o livro e o autor, o livro e o autor
e os direitos do autor, o livro, e o livro
o livro, a cultura, a leitura

o livro, a cultura, a leitura
leitura&cultura, leitura&cultura
literatura, leitura, tertúlia, leitura, cultura
o livro, o livro, o livro
o livro, o livro, o livro
o autor do livro, leitura do livro
o autor do livro, leitura do livro
Cervantes, Shakespeare,

a rosa e o livro
o livro e a rosa
abril, abre o livro, São Jorge
e o livro do livro?
leitura dos livros e dos livros
na cultura dos livros a leitura dos livros
e de se fazerem livros não há fim
mas em Abril o livro é pensado
proclamado, o livro o direito do autor
te amo livro meu
viva o livro

28 de abril de 2010

Blog da Semana - 05- 2010

Para esta semana o Blog escolhido vem de novo da outra margem do grande-rio Atlantico: http://enredosetramas.blogspot.com/ um blog que, como todos os outros vale a pena visitar, por muitos e bons motivos.



Bucólica


A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira;
De sombra de uma figueira:
Meu pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga


Ah, eu sempre acho que é tempo de ler e reler o grande escritor português Miguel Torga (1907-1995), com sua sabedoria encravada na terra e seu conhecimento das essências. Agora, quando o mundo se torna cada dia mais aparente e espetaculoso, quando artistas da palavra e da imagem tentam reduzir a arte à afetação dos efeitos especiais, penso que é cada vez mais preciso descobrir e reler Miguel Torga.
Tive a alegria de conhecê-lo pessoalmente em seu pequeno consultório em Coimbra, nos distantes anos 70. Eu muito jovem, acompanhada de um amigo tão jovem quanto eu, levava um bilhete e uma encomenda enviadas do Brasil por meu tio, o escritor Jorge Amado, amigo dele. Torga, que era médico, nos recebeu assim que seu paciente deixou a sala. Foi solícito, gentil, carinhoso, falou-nos um pouco de Coimbra, pediu que agradecéssemos ao tio a gentileza do mimo, perguntou por ele, e ali mesmo escreveu um bilhete ao amigo brasileiro.
Eu, que já era grande admiradora dos textos de Torga, fiquei observando sua letra um pouco trêmula, o jaleco imaculadamente branco, o perfil fino inclinado sobre o papel, os cabelos brancos... Estava emocionada pela oportunidade de conhecer pessoalmente um dos meus escritores preferidos, e procurei conversar um pouco com ele, para prolongar a situação. Quando já atravessávamos a porta de saída, ele nos chamou de volta, sorriu de forma delicada, e nos disse:
— Obrigado por trazerem a juventude a esta humilde morada. Eu hoje estava a precisar disso, e se calhar nem o sabia.

20 de abril de 2010

Blog da Semana - 04 - 2010

O blog da semana para visitar é CIRANDEIRA: http://giramundo-cirandeira.blogspot.com/


EL OTRO TIGRE

Pienso en un tigre. La penumbra exalta

la vasta Bibliotece laboriosa
y parece alejar los anaqueles;
fuerte, inocente, ensangrentado y nuevo,
el irá por su selva y su mañana
y marcará su rastro en la limosa
margen de un rio cuyo nombre ignora;
(en su mundo no hay nombres, ni pasado,
ni porvenir, solo un instante cierto.)
Y salvará las bárbaras distancias
y husmeará en el trenzado laberinto
de los olores el olor del alba
y el olor deleitable del venado
Entre las rayas del bambú descifro
sus rayas y presiento la osatura
bajo la piel espléndida que vibra
En vano se interponem los convexos
mares y los desiertos del planeta;
desde esta casa de un remoto puerto
de América del Sur, te sigo y sueño
oh tigre de las márgenes del Ganges
Cunde la tarde en mi alma y refexiono
que el tigre vocativo de mi verso
es un tigre de símbolos y sombras,
una serie de tropos literarios
y de memorias de enciclopedia
y no el trigre fatal, la aciaga joya
que, bajo el sol o la diversa luna,
va cumpliendo en Sumatra o en Bengala
su rutina de amor, de ocio y de muerte
Al tigre de los símbolos he opuesto
el verdadero, el de caliente sangre
el que diezma la tribu de los búfalos
y hoy 3 de agosto del 59,
alarga en la pradera una pausada
sombra, pero ya el hecho de nombrarlo
y de conjeturar su circunstancia
lo hace ficción del arte y no criatura
viviente de las que andan por la tierra
Un tercer tigre buscaremos. Este
será como los otros una forma
de mi sueño, un sistema de palabras
humanas y no el tigre vertebrado
que, mas allá de las mitologias,
pisa la tierra. Bien lo sé, pero algo
me impone esta aventura indefinida,
insensata y antigua, y persevero
en buscar por el tiempo de la tarde
el otro tigre, el que no está en el verso


Jorge Luís Borges - El Hacedor, in Obra Poética - 1923-1985 - B. Aires, 1989

O outro tigre
Penso em um tigre. A penumbra exalta
a vasta Biblioteca laboriosa
e parece afastar as prateleiras;
forte, inocente, ensanguentado e jovem
ele irá por sua selva, e sua manhã,
marcando seu rastro na lamacenta
margem de um rio cujo nome ignora
(Em seu mundo não existem nomes, nem passado, nem porvir
somente o instante exato.)
E vencerá as bárbaras distâncias
e farejará na renda labiríntica
dos aromas, o aroma do veado.
Por entre as raias do bambú, decifro
suas rais e pressinto a ossatura que vibra
sob a pele esplêndida.
Em vão se interpõem os convexos
mares e os desertos do planeta;
desta casa, de um porto da América do Sul, te sigo e sonho
ó tigre das margens do Ganges.
Cresce a tarde na minh'alma e reflito
que o tigre evocativo do meu verso
é um tigre de símbolos e sonhos,
uma série de tropos literários
e de memórias de enciclopédia
e que o tigre fatal, azíaga jóia, que,
sob o sol ou a diversa lua,
vai cumprindo em Sumatra ou Bengala
sua rotina de amor, de ócio e de morte.
Ao tigre dos símbolos, opus
o real, o que tem sangue quente,
o que dizima a manada dos búfalos
e hoje, 3 de agosto de 1959,
estende sobre a planície uma pausa
da sombra, mas já o fato de nomeá-lo
e de conjecturar sua circunstância,
o faz ficção artística e não criatura
viva das que andam pela terra.
Um terceiro tigre busquemos. Este
será como os outros uma forma de meu sonho,
um sistema de palavras humanas
e não o tigre vertebrado
que, mais além das mitologias,
pisa a terra. Bem sei, entretanto,
que algo me impõe esta aventura indefinida
insensata e antiga, e persevero
em buscar pelo tempo nesta tarde
o outro tigre, o que não está no verso.

13 de abril de 2010

Blog da Semana - 03 - 2010

O novo blog da semana é brasileiro, um convite para uma boa e agradável descoberta... venha:


Chris Buzelli



Ubaíra



O vale verde
repousando em ondas
e ela sob o verde
pousando seu olhar no vale.
Cansaço profundo às vezes lhe dá.
Sobram tardes
falta coragem.



Perdeu o prumo,
o rumo, há horas...
Rouba-se horas há anos,
não vê?



E no pólo sul onde faz tanto frio
e no pólo sul onde faz tanta noite sem dia
nesta escuridão lhe falta ar.
Respira com a boca bem aberta
bem ávida de vida.



Martha

6 de abril de 2010

Blog da Semana - 02 - 2010

Esta semana o blogue é a Mulembeira. Blogue do poeta angolano Décio Bettencourt Mateus. Uma visita  a nao perder para quem é amante de boa poesia...
http://mulembeira.blogspot.com/

Décio Bettencourt Mateus


AS ONDAS DO NOSSO MAR



(À minha esposa, Eva Fraio).


Depois da salgadura
Das praias da ilha do nosso mel
N’algumas ondas do nosso mar
Um sopro de brisa a cantar
Um cântico afável
De amores e ondas de doçura!


Depois duma fúria d’enchente
A protestar rochas
E areias e conchas
No lago do nosso mar
Uma calmaria d’horizonte
A apascentar nossas águas a marejar!


E um bater d’ondas tranquilo
Na ilha do nosso Mussulo
A espumar amores pitorescos
Nas areias da praia
Das pedras da nossa baía
Um bater de cânticos românticos!


E serei os trajes do rei-sol majestoso
Nas ondas do teu mar
A navegar e arfar
Desejos e gozo
De estrelas-do-mar e luas
Nas ondas femininas das tuas águas!


Serei a doçura da salgadura
E bravura
Das ondas do nosso rio
Um murmúrio
D’amor a sussurrar
Coisas d’arco-íris nas ondulações do teu mar!


Décio Bettencourt Mateus
In Xé Candongueiro!


Luanda, 26 de Outubro de 2007.

29 de março de 2010

Blog da Semana - 01 - 2010

A partir desta semana Cores & Palavras vai passar a indicar um blog por semana. Para abrir o acontecimento temos:


POESIA LILAZ-CARMIM

POESIA DE DINAH RAPHAELLUS DE COR LILÁS E CARMIM.


Bem vindos ao meu mundo de fantasia, poesia rosa, mar a crescer no beijo das Ondinas como que bailando no tule rendilhado das ondas ao entardecer. Poesia é uma forma de estar na vida, um desafio ao ser humano que através de palavras simples ou mais complexas, descreve o que sente... no entanto sem que ninguém ou muito poucos adivinhem o que lhe vai no mais profundo do seu âmago. É esta uma das muitas razoes porque amo a poesia. Ela faz parte da minha vida e sem ela nada sou. Entrem, não julguem, tentem entender o poeta se conseguirem!!! Bjo
Dinah



FADO

Ao longe... ouve-se um fado
Que gemendo num lamúrio
Condenado
Desce à Mouraria, atravessa Lisboa
Vestindo capa negra,
Viajando à toa
Amando a guitarra
Dedilhando a Madragoa
Segue cigano sem destino
Sempre com ar triste
No entanto ladino
A quem a todos e ninguém amava
Eis pois o retrato
Do fado errante
Que um dia me bateu à porta
Noite dentro, hora morta
Todo galante o safado
Abri-lhe a porta... entrou,
Para sempre...ficou,
O grande malvado?!!

Dinah Raphaellus (Portugal)