





O ritmo do tantã não o tenho no sangue
nem na pele
nem na pele
tenho o ritmo do tantã no coração
no coração
no coração
o ritmo do tantã não tenho no sangue
nem na pele
nem na pele
tenho o ritmo do tantã sobretudo
mais no que pensa
mais no que pensa
Penso África, sinto África, digo África
Odeio em África
Amo em África
Estou em África
Eu também sou África
tenho o ritmo do tantã sobretudo
no que pensa
no que pensa
penso África, sinto África, digo África
E emudeço
dentro de ti, para ti África
dentro de ti, para ti África
Á fri ca
xxxxxxÁ fri ca
xxxxxxxxxxxxÁ fri ca
António Jacinto

A mitica peugada da rainha Nzinga Mbandi Ngola em Pungo Andongo, nao passa disso mesmo uma historia inventada, um mito. No entanto, trata-se de uma peugada humana vincadamente impressa na rocha. Existem varias neste planeta... A criacao deste mito so vem dar forca ao proprio mito da rainha da Matamba, uma figura historica que resistiu heroicamente contra a ocupacao portuguesa no seculo XVII.
My soul is the princess Despair
as a poet once called her .
She's hurt, pale and dark,
as the wind's tragic sobbing!
She is fragile as a moment's dream,
gloomy as prayers of anguish.
She lives off the laughter from a cold mouth:
My soul is the princess Despair.
At the wee hours of the night, she wanders…
under the softest moonlight she craves,
and starts talking about several dead things!
The moonlight, on his knees, listens to my soul
and marvellous and frozen, it draws
the shadow of a cross at your door.
A manga é um símbolo d´África:
No seu sabor,
No seu aroma,
Na sua cor,
Na sua forma.
A manga tem o feitio de um coração!
A África também.
Tem um sabor forte, quente e doce!
A África também.
Tem um tom rubro-moreno
Como os poentes e as queimadas
Da minha Terra apaixonada.
Por isso te gosto e te saboreio,
Ó manga!
-- Coração vegetal, doce e ameno.
Tu és o amor do abacate
Porque ele guarda no seu meio
Um coração que por ti bate;
Bate, bate, que bate!
Ó manga, manguinha.
Tomás Jorge (Angola)
Um singelo mas belissimo poema da minha amiga Laura. Por habito nao costuma escrever poesia mas, como todo o ser vivo tem dentro uma crianca, um sonhador e um poeta, ela cabou por nos dar esta lindissima flor de poesia. Obrigado, Laura!
**
Pintei o meu sonho da cor do mar...
Nas ondas dos teus cabelos naveguei,
No sorriso da tua boca me perdi,
E na cor do teus cabelos me encontrei!
No teu corpo fui a flor a deabrochar,
Foi da cor do mar que meu sonho pintei!
Laura Lopes (Portugal)
A paquistanesa Mukhtar Mai apertou seu exemplar do Corão contra o peito quando ouviu, na presença de mais de 100 homens, a sentença que o conselho de sua aldeia acabara de lhe impor: um estupro coletivo. Integrante de uma casta inferior, Mukhtar fora até lá apenas para pedir clemência para o irmão mais jovem. Era ele o réu no julgamento. Estava prestes a ser condenado à morte por ter se envolvido com uma mulher de um clã superior, fato nunca inteiramente esclarecido. O líder tribal – que era o chefe do tal clã – ignorou o pedido de Mukhtar, então com 28 anos, e ordenou a punição. Ela foi imediatamente arrastada por quatro homens armados, como "uma cabra que vai ser abatida", segundo sua própria descrição. Eles a agarraram pelos braços e puxaram suas roupas, o xale e o cabelo. Indiferentes a seus gritos e súplicas, levaram-na para dentro de um estábulo vazio e, no chão de terra batida, violentaram-na, um após o outro. "Não sei quanto tempo durou essa tortura infame, uma hora ou uma noite. Jamais esquecerei o rosto desses animais", conta a paquistanesa. O impressionante relato de Mukhtar, colhido pela jornalista francesa Marie-Thérèse Cuny, está em Desonrada (tradução de Clóvis Marques; Editora Best Seller; 154 páginas; 29,90 reais), que acaba de ser lançado no Brasil. Mais do que o desfecho de uma querela tribal, o livro narra como Mukhtar transformou sua tragédia pessoal em uma causa: a defesa dos direitos das mulheres em seu país. E, com isso, tornou-se um símbolo da luta das mulheres no mundo islâmico.
Nos três dias seguintes ao estupro, permaneceu trancada em seu quarto. Não conseguia comer nem falar. Como normalmente ocorre com as mulheres vítimas de violência sexual em seu país, pensou em suicidar-se. "Até hoje eu sinto a dor, mas aprendi a mitigar esse sofrimento", disse Mukhtar a VEJA. "O que me conforta é que abri uma escola para meninas. Quando vejo as alunas estudando e brincando, eu me sinto honrada, é isso que atenua a minha dor." A camponesa pobre e analfabeta, nascida Mukhtaran Bibi, virou uma ativista conhecida mundo afora pelo codinome Mukhtar Mai, que significa "grande irmã respeitada" em urdu, o idioma oficial de seu país. Seu livro, publicado no ano passado, é o terceiro na lista dos mais vendidos na França. Nele, conta como se deu essa transformação. Narra sua luta por justiça e relata as barbaridades cometidas contra mulheres em seu país.
A tragédia de Mukhtar teria virado apenas mais um episódio sem conseqüências na longa história de violações dos direitos humanos no Paquistão. O que mudou seu destino foi uma reportagem, publicada em um jornal da região, contando sua história. A notícia correu mundo, e as autoridades locais se viram forçadas a agir. A polícia a procurou em casa. E ela, numa atitude corajosa, não recuou diante da oportunidade de denunciar seus agressores. Foram levados a julgamento os quatro estupradores e outros dez responsáveis pela sentença ilegal. Embora comum no cotidiano das pequenas aldeias paquistanesas, esse tipo de violência é crime segundo as leis do país. Uma decisão de segunda instância absolveu cinco dos acusados. Mukhtar recorreu, e atualmente o caso tramita na Suprema Corte do Paquistão. A batalha judicial lhe rendeu ameaças de morte e custou a vida de um primo, assassinado pelo clã inimigo.
Mukhtar não desafiou apenas o poder local em Meerwala, um vilarejo de agricultores distante 600 quilômetros da capital do Paquistão, Islamabad, onde quase não há comércio e que só recentemente passou a ter energia elétrica. Ela iniciou um movimento que contesta a condição feminina em seu país e questiona hábitos ancestrais como a jirga, conselho tribal que a condenou ao estupro. Em alegações de desonra, a solução encontrada muitas vezes é impor vergonha à família, por meio de suas mulheres. Elas também são usadas como moeda de troca – duas meninas podem ser dadas a um clã rival para compensar um homicídio, por exemplo. No caso de Mukhtar, tratou-se de um episódio inédito de estupro coletivo. Uma violência ainda maior do que de costume, imposta apenas porque a casta de seus agressores controlava a assembléia tribal.
Embora o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, ensine que, aos olhos de Alá, homens e mulheres são iguais, em algumas culturas o fundamentalismo distorceu essa visão. E produziu situações que chocam o Ocidente, como meninas proibidas de freqüentar a escola, mulheres impedidas de trabalhar ou condenadas a penas de apedrejamento. "As mulheres reagem de maneira submissa a atos de violência. Encaram isso como se fosse destino", diz Mukhtar. Para o jornal The New York Times, ela é "a Rosa Parks do século XXI", comparação feita com a americana-símbolo do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos. Ainda que movida pela revolta, Mukhtar apostou na educação como forma de mudar a realidade em seu país. Na sua e na de outras meninas na mesma situação. Ela aprendeu a ler e escrever, abriu outras três escolas e começou a dar apoio a mulheres vítimas de violência. Seu maior inimigo passou a ser o obscurantismo.
Trecho do livro:
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/031007/Desonrada.pdf
(Retirado de veja.abril.com.br)
Como que chama por mim.
Bate pesada insana,
Num tormento sem fim.
Mescla de cor e odor,
Num rosa de amor carmim
Onde renascerá a doce dor,
Que pintarás por mim.
E eu, eu morta de mim,
Incrustada em silva paixão,
Brotarei dos espinhos, flores...
Dançando um refrão de...
Triste rainha...coroada de dores.
Dinah Raphaellus