
19 de agosto de 2008
MAS O QUE VOU DIZER DA POESIA?

O GENERAL
("Depois de fortemente bombardeada, a cidade X foi ocupada pelas nossas tropas.")
O general entrou na cidade
ao som de cornetas e tambores ...
Mas por que não há "vivas"
nem flores?
Onde está a multidão
para o aplaudir, em filas na rua?
E este silêncio
Caiu de alguma cidade da Lua?
Só mortos por toda a parte.
Mortos nas árvores e nas telhas,
nas pedras e nas grades,
nos muros e nos canos ...
Mortos a enfeitarem as varandas
de colchas sangrentas
com franjas de mãos ...
Mortos nas goteiras.
Mortos nas nuvens.
Mortos no Sol.
E prédios cobertos de mortos.
E o céu forrado de pele de mortos.
E o universo todo a desabar cadáveres.
Mortos, mortos, mortos, mortos ...
Eh! levantai-vos das sarjetas
e vinde aplaudir o general
que entrou agora mesmo na cidade,
ao som de tambores e de cornetas!
Levantai-vos!
É preciso continuar a fingir vida,
E, para multidão, para dar palmas,
até os mortos servem,
sem o peso das almas.
Jose Gomes Ferreira (Portugal, 1900 - 1985)
BIOGRAFIA
Escritor, poeta e ficcionista português natural do Porto. Formou-se em Direito em 1924, tendo sido cônsul na Noruega entre 1925 e 1929. Após o seu regresso a Portugal, enveredou pela carreira jornalística. Foi colaborador de vários jornais e revistas, tais como a Presença, a Seara Nova e Gazeta Musical e de Todas as Artes. Esteve ligado ao grupo do Novo Cancioneiro, sendo geral o reconhecimento das afinidades entre a sua obra e o neo-realismo. José Gomes Ferreira foi um representante do artista social e politicamente empenhado, nas suas reacções e revoltas face aos problemas e injustiças do mundo. Mas a sua poética acusa influências tão variadas quanto a do empenhamento neo-realista, o visionarismo surrealista ou o saudosismo, numa dialéctica constante entre a irrealidade e a realidade, entre as suas tendências individualistas e a necessidade de partilhar o sofrimento dos outros.
16 de agosto de 2008
L'homme qui te ressemble
J'ai frappé à ta porte
J'ai frappé à ton coeur
pour avoir bon lit
pour avoir bon feu
pourquoi me repousser?
Ouvre-moi mon frère!...
Pourquoi me demander
si je suis d'Afrique
si je suis d'Amerique
si je suis d'Asie
si je suis d'Europe?
Ouvre-moi mon frère!...
Pourquoi me demander
la longueur de mon nez
l'épaisseur de ma bouche
la couleur de ma peau
et le nom de mes dieux?
Ouvre-moi mon frère!...
Je ne suis pas un noir
je ne suis pas un reouge
je ne suis pas un blanc
mais je ne suis qu'un homme
Ouvre-moi mon frère!...
Ouvre-moi ta porte
Ouvre-moi ton coeur
car je suis un homme
l'homme de tous les temps
l'homme de tous les cieux
l'homme qui te ressemble!...
Rene Philombe (Camaroes)

19 de julho de 2008
FALECEU TETA LANDO
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Alberto Teta Lando faleceu ontem (14/07/08) em Paris vítima de doença oncologica.
Natural de M'Banza Congo, onde nasceu em 1948 é oriundo de família numerosa, com 32 filhos.
Escreveu a sua primeira música em 1964 e dois anos depois com a publicação do primeiro LP passou a integrar o grupo restrito dos melhores músicos angolanos.
Exilado em Paris entre 1978 e 1989, por ser confesso seguidor de Holden Roberto, regressa para integrar o Festival Nacional da Cultura (Fenacult), em Luanda.
Ao longo da sua vasta carreira de 44 anos obteve êxitos inesquecíveis como "Negra de carapinha dura", "Eu vou voltar" ou "Um assobio meu".
O seu último trabalho "Memórias" é uma coletânea das músicas escritas ao longo da sua carreira.
Ocupou desde 2006 o cargo de presidente da UNAC (União Nacional dos Artistas e Compositores).
Era casado e pai de três filhos.
Honra á sua memória e á sua obra.
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HAPPY BIRTHDAY MR. MANDELA
Manda a Liberdade
que eu te cante
HOMEM entre os homens,
imortal!
Hoje, nos céus, riscaram os Deuses,
a Constelação da igualdade, paz,
perdão e liberdade:
Constelação Mandela
Constelação nova
do mundo que tu sonhas
bailando luz de savana
na brisa do teu riso…
Mandela, manda a Liberdade
que eu te cante…
mas perdoa a brandura do meu brado!
Mandela, na tua
ondula a savana loura;
na tua coragem
o rugido do leão;
no teu sorriso
o sol da Igualdade.
Salvé, filho ungido da Liberdade!
Salvé, HOMEM entre homens,
imortal!
És o verdadeiro Prometeu africano!
Parabéns Mr. Mandela!
Hoje, nos céus, riscaram os Deuses
a Constelação nova
a Constelação Mandela
a única que viaja no céu dos Hemisférios…
Namibiano Ferreira
18 de julho de 2008
MÃE
Todos os dias sao dias da Mae...
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
_ mistério profundo _
de tirá-la um dia?
Fosse eu o Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará para sempre
junto de seu filho
e ele, velho, embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
17 de julho de 2008
CANTICO NEGRO
Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
15 de julho de 2008
MISS LANDMINE - MISS MINA ANTI-PESSOAL (ANGOLA)
THE MISS LANDMINE MANIFESTO (in no particular order)
* Female pride and empowerment.
* Disabled pride and empowerment.
* Global and local landmine awareness and information.
* Challenge inferiority and/or guilt complexes that hinder creativity- historical, cultural, social, personal, African, European.
* Question established concepts of physical perfection.
* Challenge old and ingrown concepts of cultural cooperation.
* Celebrate true beauty.
* Replace the passive term 'Victim' with the active term 'Survivor'LINKS:
http://www.miss-landmine.org/misslandmine_candidates.html
NO TO LANDMINES!
NÃO ÀS MINAS ANTI-PESSOAIS!
Tela de Eleuterio Sanches
Lá em baixo
na margem do Cubango
p’rós lados do Cuangar
Carungo João
foi na lavra.
Filho na cacunda
quinda na cabeça
foi na lavra
Carungo João
no Cuando-Cubango
p’rós lados do Cuangar
Carungo João
foi na lavra
procurar mandioca
filho na cacunda
quinda na cabeça
que fome é bicho
roendo, mordendo...
foi na lavra
Carungo João
só encontrou mina
debaixo do pé
as pernas perdeu
e o filho morreu
pequeno, pequenino
na cacunda
de Carungo João
Aiuê, Suku ianguê!
Cacunda - costas.
Aiue, Suku iangue! - ai meu Deus!
NAMIBIANO FERREIRA
9 de junho de 2008
Os poetas são como os gatos

Mais uma interessante análise de João Craveirinha sobre a problemática racismo versus xenofobismo, ainda não publicada na imprensa.
"Notas adicionais sobre XENON:
Xenofobia não tem cor mas o racismo tem cor. Não confundir os dois - pois acabam por se diluir se assim for feito.
Ambos são violentos mas o racismo é duplamente violento. No imaginário de séculos e na acção colonizadora do Eu do outro, considerado inferior em África - (NESTE CASO O DENONIMADO NEGRO / BLACK / NOIR / SCHWARZE / T'CHORNI etc etera).
A xenofobia é anti-estrangeiro mesmo sendo da mesma “cor” epidérmica.
O racismo tem cor diferente e é de cima para baixo vindo da superioridade europeia (leia-se do que se diz branco).
Não confundir dos que reagem (mais morenos ou negros ou castanhos) ao se sentirem espezinhados há séculos em tudo que fosse a sua cultura a começar pela língua que passou a ser desvalorizada para dialecto. Indicando que não sofrera evolução como raça humana ao longo de milhares de anos.
(Paradoxalmente apesar dessa raça humana global ter saído de África, Etiópia) numa evolução de cerca de 4 milhões de anos (Lucy)...
... e da transição do dito negro (negróide) para o dito branco (europóide ou caucasiano) numa mudança genética (mimetismo) de cerca de 20 mil anos de África para a Europa via Índia e pelo Cáucaso (entre o mar Negro e o Cáspio – o maior mar interior do mundo. Fronteira do Irão e da antiga União Soviética).
Em 20 mil anos um negro (sem mistura e dependendo do clima) fica branco e muito menos um branco fica negro com a mestiçagem em sentido inverso. Bastam 4 gerações. Avô, Pai, Neto, Bisneto.
Jean-Paul Sartre, dizia a Negritude ser uma forma de “racismo anti-racismo” e a única encontrada pelo negro para se afirmar contra a negação de seu Eu pelo branco.
Foi assim que surgiu a corrente literária da Negritude que nada tem a ver com um pseudo-racismo negro mas sim com o recuperar da dignidade perdida de ser humano, "assumindo" o intelectual negro (ou mestiço) os epítetos derrogatórios (negro, cafre, narro et cetera) de sua condição imposta de infra-humano, numa assumpção irónica dessa negação para desfazer o que lhe impõem de cima para baixo fazendo-lhe crer que era inferior ao que ele recusa:
NEGRO :
SER OU NÃO SER
NÃO É A QUESTÃO!
(é tudo imposição)
Queres que eu seja negro
da cor da noite das trevas?
Então sou!
E depois não digas que a mulher negra não é bela.
É tão bela como pode ser a tua mulher
que dizes ser, da cor da luz branca,
onde vive o divino!
Sou negro e depois?
Ah, não!!
Agora sou racista por aceitar com um sorriso
o que me impões e aceito,
e te devolvo?
Só quero igualdade.
Nada mais!
(JOÃO Craveirinha 02.06.2008)
Na negritude, o negro intelectual ao reagir não era para ser superior, mas igual ao branco que não queria essa igualdade e em muitos casos mantendo-se na actualidade, mesmo quando se afirmam como não racistas contra o negro. Alguma reacção residual surgirá, invertendo os papéis. Analise-se o caso da xenofobia inter-negro na África do Sul para alegria de muitos desse tipo padrão para dizer que o negro é pior que o branco.
Em Moçambique, na comunicação social, tornou-se norma com ajuda de alguns negros à deriva de si mesmos. E na comunicação social em Portugal ainda pior.
Des – contextualiza-se o fenómeno esquecendo que a essência da desumanidade não tem cor. É intrinsecamente genética, e nisso a Europa é a última a acusar de ânimo leve o africano. Foram os senhores e mestres do africano durante muito tempo. E se calhar ainda continuam.
“DEMOCRACIA, IGUALDADE E LIBERDADE:
“Porque é que os povos democráticos mostram um amor mais ardente e mais durável pela igualdade que pela liberdade?” Alexis de Tocqueville (1805-1859, França).
In Teorias Sociológicas p. 259.
É isso aí - no fundo o negro nem democracia queria porque não sabia o que era. Uma coisa importada e deturpada dos antigos gregos que são europeus. Daí a desconfiança.
Pois o colonialismo da Globalização, veio da Europa. O fascismo veio da Europa. O marxismo veio da Europa. A África pós-colonial tem sido (como no passado) um laboratório de experiências de tudo que já está a ficar ultrapassado na Europa e no mundo ocidental.
Essas modernidades vêm da Europa (assim como os dinheiros da corrupção para África). No fundo mesmo, o negro queria (quer) é ser tratado como igual. Lá dizia o Tocqueville e era europeu.
As coisas positivas deixam de ter cor e nação. Passam a ser universais. O racismo e a xenofobia só assim serão superados.
Saber peneirar na m’benga o capim da mapira.
Exempli gratia:
ADEUS À HORA DA PARTIDA
Agostinho Neto
(Poeta-mor de Angola)
“Eu já não espero
sou aquele por quem se espera
(…)
Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico”
(...)
Agostinho Neto (1974). Sagrada Esperança. Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa.
Este poema da Negritude é um manifesto contra o racismo colonial português…ao mesmo tempo e duplamente, associando e dissociando “o homem rico” com a cor da pele.
Uma premunição à Angola independente. Em que o homem rico deixou de ter cor. Pois passou a ser da cor do dinheiro.
OS POETAS SÃO COMO OS GATOS. VÊM EM MUITAS DIMENSÕES: ESPREITAM O PASSADO; VIVEM NO PRESENTE; E PROJECTAM-SE NO FUTURO QUE PARA ELES JÁ É PRESENTE.
Em baixo um manifesto contra a xenofobia neste poema do tio paterno do autor destas notas de reflexão:
“TERRA DE CANAÃ
Não, piloto israelita.
Inútil procurares nos incêndios de Beirute
e nos inocentes corpos mutilados pelos estilhaços ardentes
as belas palavras do Cântico dos Cânticos. (…)
Poeta-mor José Craveirinha (10.08.1982 de regresso do Líbano)
in F. Mendonça, N. Saúte (1983). Antologia da Nova Poesia Moçambicana (p.211).
E na hora da partida destas notas de reflexão, saboreiem a poesia de Agostinho
Neto na voz e na autêntica Música de Angola por Rui Mingas, ao alcance de um click:
http://www.esnips.com/doc/93bbecc8-d3e1-48f7-a02e-6a7c26d46894/Adeus-à-hora-da-partida (09.05.2008)
©João Craveirinha"
7 de junho de 2008
IMAN MALEKI
Iman Maleki está considerado um dos maiores pintores realistas iranianos. Podemos bem entender isso quando observamos as suas pinturas, captadas como se ele próprio fosse uma máquina fotográfica de alta precisão.
Iman Maleki (autoretrato)BIOGRAFIA:
“Iman Maleki nasceu em 1976 na capital iraniana (Teerão). Desde criança que se sentia fascinado pela pintura. Com a idade de 15 anos, começou a aprender pintura com o mestre Morteza Katouzian, seu primeiro e único professor. Entretando começou a pintar profissionalmente. Em 1999 graduou-se em Design Gráfico pela Universidade de Arte de Teerão. Desde 1998, tem participado em diversas exposições. No ano de 2000, casou-se e no ano seguinte criou ARA Estúdio de Pintura onde ensina pintura clássica e de valores tradicionais.”
1 de junho de 2008
Declaração Universal dos Direitos da Criança


Declaração dos Direitos da Criança
Proclamada pela Resolução da Assembleia Geral 1386 (XIV), de 20 de Novembro de 1959.
Preâmbulo
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, a sua fé nos direitos fundamentais, na dignidade do homem e no valor da pessoa humana e que resolveram favorecer o progresso social e instaurar melhores condições de vida numa liberdade mais ampla;
Considerando que as Nações Unidas, na Declaração dos Direitos do Homem, proclamaram que todos gozam dos direitos e liberdades nela estabelecidas, sem discriminação alguma, de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna ou outra situação;
Considerandoque a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade uma protecção e cuidados especiais, nomeadamente de protecção jurídica adequada, tanto antes como depois do nascimento;
Considerando que a necessidade de tal protecção foi proclamada na Declaração de Genebra dos Direitos da Criança de 1924 e reconhecida na Declaração Universal dos Direitos do Homem e nos estatutos de organismos especializados e organizações internacionais preocupadas com o bem-estar das crianças;
Considerando que a Humanidade deve à criança o melhor que tem para dar,
A Assembleia Geral
Proclama esta Declaração dos Direitos da Criança com vista a uma infância feliz e ao gozo, para bem da criança e da sociedade, dos direitos e liberdades aqui estabelecidos e com vista a chamar a atenção dos pais, enquanto homens e mulheres, das organizações voluntárias, autoridades locais e Governos nacionais, para o reconhecimento dos direitos e para a necessidade de se empenharem na respectiva aplicação através de medidas legislativas ou outras progressivamente tomadas de acordo com os seguintes princípios:
Princípio 1.º
A criança gozará dos direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão reconhecidos a todas as crianças sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou outra da criança, ou da sua família, da sua origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou de qualquer outra situação.
Princípio 2.º
A criança gozará de uma protecção especial e beneficiará de oportunidades e serviços dispensados pela lei e outros meios, para que possa desenvolver-se física, intelectual, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. Ao promulgar leis com este fim, a consideração fundamental a que se atenderá será o interesse superior da criança.
Princípio 3.º
A criança tem direito desde o nascimento a um nome e a uma nacionalidade.
Princípio 4.º
A criança deve beneficiar da segurança social. Tem direito a crescer e a desenvolver-se com boa saúde; para este fim, deverão proporcionar-se quer à criança quer à sua mãe cuidados especiais, designadamente, tratamento pré e pós-natal. A criança tem direito a uma adequada alimentação, habitação, recreio e cuidados médicos.
Princípio 5.º
A criança mental e físicamente deficiente ou que sofra de alguma diminuição social, deve beneficiar de tratamento, da educação e dos cuidados especiais requeridos pela sua particular condição.
Princípio 6.º
A criança precisa de amor e compreensão para o pleno e harmonioso desenvolvimento da sua personalidade. Na medida do possível, deverá crescer com os cuidados e sob a responsabilidade dos seus pais e, em qualquer caso, num ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo em circunstâncias excepcionais, a criança de tenra idade não deve ser separada da sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas têm o dever de cuidar especialmente das crianças sem família e das que careçam de meios de subsistência. Para a manutenção dos filhos de famílias numerosas é conveniente a atribuição de subsídios estatais ou outra assistência.
Princípio 7.º
A criança tem direito à educação, que deve ser gratuita e obrigatória, pelo menos nos graus elementares. Deve ser-lhe ministrada uma educação que promova a sua cultura e lhe permita, em condições de igualdade de oportunidades, desenvolver as suas aptidões mentais, o seu sentido de responsabilidade moral e social e tornar-se um membro útil à sociedade.
O interesse superior da criança deve ser o princípio directivo de quem tem a responsabilidade da sua educação e orientação, responsabilidade essa que cabe, em primeiro lugar, aos seus pais.
A criança deve ter plena oportunidade para brincar e para se dedicar a actividades recreativas, que devem ser orientados para os mesmos objectivos da educação; a sociedade e as autoridades públicas deverão esforçar-se por promover o gozo destes direitos.
Princípio 8.º
A criança deve, em todas as circunstâncias, ser das primeiras a beneficiar de protecção e socorro.
Princípio 9.º
A criança deve ser protegida contra todas as formas de abandono, crueldade e exploração, e não deverá ser objecto de qualquer tipo de tráfico. A criança não deverá ser admitida ao emprego antes de uma idade mínima adequada, e em caso algum será permitido que se dedique a uma ocupação ou emprego que possa prejudicar a sua saúde e impedir o seu desenvolvimento físico, mental e moral.
Princípio 10.º
A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universal, e com plena consciência de que deve devotar as suas energias e aptidões ao serviço dos seus semelhantes.
29 de maio de 2008
EM MEMORIA DE IRENA SENDLEROWA

26 de maio de 2008
PRIMEIRO VIERAM...

Als die Nazis die Kommunisten holten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Kommunist.
Als sie die Sozialdemokraten einsperrten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Sozialdemokrat.
Als sie die Gewerkschafter holten,
habe ich nicht protestiert;
ich war ja kein Gewerkschafter.
Als sie die Juden holten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Jude.
Als sie mich holten,
gab es keinen mehr, der protestieren konnte.
Martin Niemöller (Alemanha)
20 de maio de 2008
Internacionalização da Amazônia - Cristóvam Buarque

1 de maio de 2008
Ondjaki e o Acordo Ortográfico
"Um dia ainda vou ser que nem Manoel de Barros que só faz entrevista por e-mail. É mais seguro, porque não deturpam. Aqui no Brasil já deturparam bastante. Não percebem (entendem) bem e deturpam. A ponto de eu falar uma coisa e aparecer outra. Ou então não entendem e começam a abrasileirar o discurso. Ora, eu não falo brasileiro, falo português de Angola, não gosto de ver as minhas citações abrasileiradas porque não falei assim. Tiram os artigos, põem gerúndios. Sou completamente a favor da particularidade cultural dos povos. O que não tem nada a ver com todos os outros laços que nos unem, que são muito bonitos. Mas também é bonito que cada um fale como fala. Não vamos todos falar igual. Nem todos falar como os portugueses, que não acho feio, nem todos falar como os brasileiros, só porque são mais. Que também não acho feio. Por isso não concordo quando o Agualusa argumenta: ‘Ah, mas os brasileiros são 180 milhões’. Podiam ser 500 milhões. Em Cabo Verde são 400 mil e falam como eles quiserem. Essa conversa tem passado tanto lá nos encontros que tivemos agora, do Acordo Ortográfico. Quem concorda, quem não concorda. E eu sempre argumento: Não posso concordar ou não concordar com uma coisa que eu não conheço. Nunca ninguém me explicou."
in Correio Braziliense
ler mais em
Eu, Um Negro, de Fábio Sena
Retirado de angolaharia.
Agualusa Defende Ortografia Brasileira
O escritor angolano, José Eduardo Agualusa, defende, em crônica divulgada pelo semanário A Capital, de Luanda, que Angola “deve optar pela ortografia brasileira”, caso o Acordo Ortográfico não venha a ser aplicado por “resistência” de Portugal.
José Eduardo Agualusa
Para esta tomada de posição de um dos mais respeitados escritores angolanos e lusófonos, José Eduardo Agualusa avança como justificação o fato de Angola ser um país independente, nada dever a Portugal e o Brasil ter 180 milhões de habitantes e produzir muito mais títulos e a preços mais baratos do que Portugal. Agualusa diz ainda, na crônica que publica regularmente n´A Capital, que Angola tem mais a ganhar com a existência de uma ortografia única do que Portugal ou o Brasil, porque o país não produz livros mas precisa desesperadamente deles.
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi alcançado em 1991 e assinado por todos os países da CPLP, sendo imediatamente ratificado pelo Brasil, Cabo Verde e Portugal. Em 2004, em S. Tomé e Príncipe, foi acordado um Protocolo Modificativo, segundo o qual bastava este ser ratificado por três Estados para entrar imediatamente em vigor. Este Protocolo Modificativo foi assinado por todos os países lusófonos, mas apenas ratificado inicialmente pelo Brasil e Cabo Verde.
Em agosto do ano passado foi ratificado também por S. Tomé, “passando juridicamente a entrar em vigor”. Sobre a situação em Angola, a análise do documento para ratificação está entregue aos ministérios das Relações Exteriores e da Educação e, segundo fonte próxima do processo contatada pela Ag. Lusa em finais de 2007, o governo angolano está “desenvolvendo mecanismos internos” para a sua conclusão. O último passo será dado quando o processo passar pela aprovação do Conselho de Ministros e da Assembléia Nacional.
De acordo com a fonte contatada pela Lusa, existe uma “preocupação” de todos os estados lusófonos para resolver a questão, na medida em que há “atualmente uma fala e duas escritas”.
Para o governo angolano, o Acordo Ortográfico ainda não foi assinado porque “caiu no esquecimento”, considerando a fonte que agora é importante voltar a analisá-lo para lhe dar seguimento. Entretanto, em Portugal está em preparação a ratificação do Protocolo Modificativo ao acordo, embora sujeito a uma reserva de 10 anos, conforme anunciou recentemente a ex-ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima.
A posição do governo português, anunciada pela então ministra, é que juridicamente o Acordo Ortográfico, assinado e ratificado por Portugal em 1991, está em vigor. Todavia, invocou razões de ordem científica e empresarial para pedir 10 anos de reserva para avaliar com a sociedade civil a sua implementação.
Ainda no referido texto do escritor José Eduardo Agualusa, este defende que a educação das populações angolanas e o desenvolvimento do país depende da importação, nos próximos anos, de milhões de livros.
E defende que as autoridades angolanas devam criar rapidamente legislação que permita e facilite a entrada de produtos culturais e, em particular, de livros, no país. Agualusa aponta ainda como razões para a demora na ativação do acordo a “confusão” entre ortografia, as regras de escrita e linguagem, resumindo que o acordo tem por objetivo a existência de uma única ortografia no espaço de língua portuguesa, sendo absurdo pensar-se em unificar as diferentes variantes da nossa língua.
O autor aponta ainda o dedo a um “enraizado sentimento imperial” de Portugal em relação à língua para o protelamento de uma decisão.
E, contrariando esta possibilidade, diz que a História nega este sentimento porque “a língua portuguesa formou-se fora do espaço geográfico onde se situa Portugal - na Galiza”. Por outro lado, a língua portuguesa tem sido sempre, ao longo dos séculos, uma criação coletiva de portugueses, africanos, brasileiros e povos asiáticos, aponta.
Fonte: Diário Digital.pt
José Eduardo Agualusa considera Agostinho Neto "poeta medíocre"
«uma pessoa que ache que Agostinho Neto, por exemplo, foi extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre»
Jose Eduardo Agualusa
Lisboa, 08 Abr (Lusa) - Uma polémica literária em Angola, suscitada pela alegada mediocridade da obra poética de Agostinho Neto, está a resvalar para o domínio político-jurídico, com ameaças de processo-crime por ultraje à moral pública contra o escritor angolano José Eduardo Agualusa.
Em causa está uma passagem da entrevista que José Eduardo Agualusa deu ao jornal Angolense, de 15 de Março passado, em que o primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, é classificado como "poeta medíocre".
"Uma pessoa que ache que o Agostinho Neto, por exemplo, foi um extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre", assim se referiu Agualusa a Agostinho Neto, defendendo na entrevista que outros autores angolanos, como António Cardoso ou António Jacinto - a quem reconhece destaque na luta nacionalista angolana -, são igualmente "fracos poetas".
Na resposta, o Jornal de Angola acusou em editorial o escritor de procurar "humilhar figuras de relevo da História e Literatura Nacional".
José Eduardo Agualusa contra-argumentou na edição de 29 de Março do semanário A Capital, chamando "zombies" aos que lhe não reconhecem direito à opinião, considerando que no seio do MPLA, o partido maioritário angolano, "confrontam-se hoje em dia democratas autênticos, democratas de fantasia (...) e uma mão cheia de órfãos da ditadura".
Num outro texto publicado pelo Jornal de Angola, João Pinto, que se apresentou como jurista e docente de Ciência Política e Direito Público na Universidade Agostinho Neto, proclamou, sob o título "Literatura e Identidade e Política", a necessidade de "responsabilidade criminal e civil por estarem reunidos todos os requisitos do ultraje à moral pública, previsto e punido no artigo 420º do Código Penal".
"A escrita não pode servir para humilhar, banalizar, diabolizar os ícones, heróis, mitos, deuses ou divindades. considerou. "É preciso moralizar, sob pena de banalizar a figura mais importante da nossa memória colectiva contemporânea", justificou o jurista.
A respeito desta polémica, o poeta e tradutor Vasco Graça Moura disse à Lusa que embora reconheça "relativamente mal a poesia angolana", está de acordo com José Eduardo Agualusa.
"Conheço relativamente mal a poesia angolana. Mas daquilo que conheço, estou inteiramente de acordo com aquilo que diz o José Eduardo Agualusa", disse.
"Penso que ele faz uma apreciação do ponto de vista literário e isso está no exercício pleno da sua liberdade de expressão e do seu direito à crítica. Penso que confundir o plano da maior ou menor relevância política ou até histórica de determinadas figuras com a sua qualidade literária pode conduzir a equívocos terríveis", vincou Vasco Graça Moura.
Para José Eduardo Agualusa, contactado telefonicamente em Luanda pela Lusa, a partir de Lisboa, as reacções às suas opiniões vão para além do plano literário e insere-as num "processo de intimidação".
"Este processo de intimidação não tem a ver só comigo. Tem a ver com outras pessoas e com mais coisas", considerou o escritor, que associa este ambiente à proximidade das eleições em Angola, marcadas para Setembro próximo.
O recente encerramento em Luanda por ordem do Governo do escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos enquadra-se neste mesmo clima, acrescentou.
José Eduardo Agualusa considerou que o texto do jurista João Pinto "não é respondível. Está noutro plano. É surrealismo", salientando ainda que a sua crítica sobre a poesia de Agostinho Neto "não era política, era literária".
"O MPLA é uma estrutura complexa em que há pessoas que não concordam nada com isto. Tem havido comentários de várias pessoas ligadas ao MPLA alertando para o absurdo desta reacção", adiantou.
EL/HB.
Lusa/Fim
26 de abril de 2008
GARGOLAS

Horrendas, frias e feias...
Envoltas por solidão,
Prendem-me em suas veias.
Sem predicados ou versos,
Só teias...que num
doce cipreste a balançar,
Embalam-me suspensa
em epopeias.
Castradas de rimas a rimar
Suadas de amor por amar,
Sol aberto, vento a discursar
À luz tosca de candeias...
E no fresco verde a chilrear,
Pintam o canto exalado
E gemido por sereias.
By: Dinah Raphaellus (Portugal)
http://poesialilazcarmim.blogspot.com/
19 de abril de 2008
TEUS OLHOS
Olhos do meu Amor! Infantes loiros Que trazem os meus presos, endoidados! Neles deixei, um dia, os meus tesoiros: Meus anéis, minhas rendas, meus brocados. Neles ficaram meus palácios moiros, Meus carros de combate, destroçados, Os meus diamantes, todos os meus oiros Que trouxe d'Além-Mundos ignorados! Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas... Enigmáticas campas medievais... Jardins de Espanha... catedrais eternas... Berço vindo do Céu à minha porta... Ó meu leito de núpcias irreais!... Meu sumptuoso túmulo de morta!... Florbela Espanca 





THE MISS LANDMINE MANIFESTO (in no particular order) 





