7 de junho de 2008

IMAN MALEKI

Iman Maleki está considerado um dos maiores pintores realistas iranianos. Podemos bem entender isso quando observamos as suas pinturas, captadas como se ele próprio fosse uma máquina fotográfica de alta precisão.

Iman Maleki (autoretrato)


BIOGRAFIA:

“Iman Maleki nasceu em 1976 na capital iraniana (Teerão). Desde criança que se sentia fascinado pela pintura. Com a idade de 15 anos, começou a aprender pintura com o mestre Morteza Katouzian, seu primeiro e único professor. Entretando começou a pintar profissionalmente. Em 1999 graduou-se em Design Gráfico pela Universidade de Arte de Teerão. Desde 1998, tem participado em diversas exposições. No ano de 2000, casou-se e no ano seguinte criou ARA Estúdio de Pintura onde ensina pintura clássica e de valores tradicionais.”

1 de junho de 2008

Declaração Universal dos Direitos da Criança

Declaração dos Direitos da Criança

Proclamada pela Resolução da Assembleia Geral 1386 (XIV), de 20 de Novembro de 1959.


Preâmbulo

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, a sua fé nos direitos fundamentais, na dignidade do homem e no valor da pessoa humana e que resolveram favorecer o progresso social e instaurar melhores condições de vida numa liberdade mais ampla;

Considerando que as Nações Unidas, na Declaração dos Direitos do Homem, proclamaram que todos gozam dos direitos e liberdades nela estabelecidas, sem discriminação alguma, de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna ou outra situação;

Considerandoque a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade uma protecção e cuidados especiais, nomeadamente de protecção jurídica adequada, tanto antes como depois do nascimento;

Considerando que a necessidade de tal protecção foi proclamada na Declaração de Genebra dos Direitos da Criança de 1924 e reconhecida na Declaração Universal dos Direitos do Homem e nos estatutos de organismos especializados e organizações internacionais preocupadas com o bem-estar das crianças;

Considerando que a Humanidade deve à criança o melhor que tem para dar,

A Assembleia Geral

Proclama esta Declaração dos Direitos da Criança com vista a uma infância feliz e ao gozo, para bem da criança e da sociedade, dos direitos e liberdades aqui estabelecidos e com vista a chamar a atenção dos pais, enquanto homens e mulheres, das organizações voluntárias, autoridades locais e Governos nacionais, para o reconhecimento dos direitos e para a necessidade de se empenharem na respectiva aplicação através de medidas legislativas ou outras progressivamente tomadas de acordo com os seguintes princípios:

Princípio 1.º

A criança gozará dos direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão reconhecidos a todas as crianças sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou outra da criança, ou da sua família, da sua origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou de qualquer outra situação.

Princípio 2.º

A criança gozará de uma protecção especial e beneficiará de oportunidades e serviços dispensados pela lei e outros meios, para que possa desenvolver-se física, intelectual, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. Ao promulgar leis com este fim, a consideração fundamental a que se atenderá será o interesse superior da criança.

Princípio 3.º

A criança tem direito desde o nascimento a um nome e a uma nacionalidade.

Princípio 4.º

A criança deve beneficiar da segurança social. Tem direito a crescer e a desenvolver-se com boa saúde; para este fim, deverão proporcionar-se quer à criança quer à sua mãe cuidados especiais, designadamente, tratamento pré e pós-natal. A criança tem direito a uma adequada alimentação, habitação, recreio e cuidados médicos.

Princípio 5.º

A criança mental e físicamente deficiente ou que sofra de alguma diminuição social, deve beneficiar de tratamento, da educação e dos cuidados especiais requeridos pela sua particular condição.

Princípio 6.º

A criança precisa de amor e compreensão para o pleno e harmonioso desenvolvimento da sua personalidade. Na medida do possível, deverá crescer com os cuidados e sob a responsabilidade dos seus pais e, em qualquer caso, num ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo em circunstâncias excepcionais, a criança de tenra idade não deve ser separada da sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas têm o dever de cuidar especialmente das crianças sem família e das que careçam de meios de subsistência. Para a manutenção dos filhos de famílias numerosas é conveniente a atribuição de subsídios estatais ou outra assistência.

Princípio 7.º

A criança tem direito à educação, que deve ser gratuita e obrigatória, pelo menos nos graus elementares. Deve ser-lhe ministrada uma educação que promova a sua cultura e lhe permita, em condições de igualdade de oportunidades, desenvolver as suas aptidões mentais, o seu sentido de responsabilidade moral e social e tornar-se um membro útil à sociedade.
O interesse superior da criança deve ser o princípio directivo de quem tem a responsabilidade da sua educação e orientação, responsabilidade essa que cabe, em primeiro lugar, aos seus pais.
A criança deve ter plena oportunidade para brincar e para se dedicar a actividades recreativas, que devem ser orientados para os mesmos objectivos da educação; a sociedade e as autoridades públicas deverão esforçar-se por promover o gozo destes direitos.

Princípio 8.º

A criança deve, em todas as circunstâncias, ser das primeiras a beneficiar de protecção e socorro.

Princípio 9.º

A criança deve ser protegida contra todas as formas de abandono, crueldade e exploração, e não deverá ser objecto de qualquer tipo de tráfico. A criança não deverá ser admitida ao emprego antes de uma idade mínima adequada, e em caso algum será permitido que se dedique a uma ocupação ou emprego que possa prejudicar a sua saúde e impedir o seu desenvolvimento físico, mental e moral.

Princípio 10.º

A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universal, e com plena consciência de que deve devotar as suas energias e aptidões ao serviço dos seus semelhantes.

29 de maio de 2008

EM MEMORIA DE IRENA SENDLEROWA


Em Memória de Irena Sendlerowa
(1910 – 2008)
A heroina polaca que salvou crianças judias do Gueto de Varsóvia, durante a Segunda Guerra Mundial, faleceu no dia 12 de maio de 2008, às 8 horas da manhã, hora local. Irena foi e será sempre uma grande Mulher, uma grande Humanista, uma grande Alma.
Irena Sendler, em língua polaca Irena Sendlerowa, (15 de Fevereiro de 1910 - 12 de Maio de 2008), também conhecida como "o anjo do Gueto de Varsóvia", foi uma activista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, tendo contribuido para salvar mais de 2.500 vidas ao levar alimentos, roupa e medicamentos às pessoas barricadas no gueto, com risco da própria vida.
A Mãe das crianças do Holocausto
A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade. - Irena Sendler
Quando a Alemanha Nazi invadiu o país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, que organizava os espaços de refeição comunitários da cidade. Ali trabalhou incansavelmente para aliviar o sofrimento de milhares de pessoas, tanto judias como católicas. Graças a ela, esses locais não só proporcionavam comida para órfãos, anciãos e pobres como lhes entregavam roupa, medicamentos e dinheiro.
Em 1942, os názis criaram um gueto em Varsóvia, e Irena, horrorizada pelas condições em que ali se sobrevivia, uniu-se ao Conselho para a Ajuda aos Judeus, Zegota. Ela mesma contou: "Consegui, para mim e minha companheira Irena Schultz, identificações do gabinete sanitário, entre cujas tarefas estava a luta contra as doenças contagiosas. Mais tarde tive êxito ao conseguir passes para outras colaboradoras. Como os alemães invasores tinham medo de que ocorresse uma epidemia de tifo, permitiam que os polacos controlassem o recinto."
Quando Irena caminhava pelas ruas do gueto, levava uma braçadeira com a estrela de David, como sinal de solidariedade e para não chamar a atenção sobre si própria. Pôs-se rapidamente em contacto com famílias, a quem propôs levar os seus filhos para fora do gueto, mas não lhes podia dar garantias de êxito. Eram momentos extremamente difíceis, quando devia convencer os pais a que lhe entregassem os seus filhos e eles lhe perguntavam: "Podes prometer-me que o meu filho viverá?". Disse Irena, "Quê podia prometer, quando nem sequer sabia se conseguiriam sair do gueto? A única certeza era a de que as crianças morreriam se permanecessem lá. Muitas mães e avós eram reticentes na entrega das crianças, algo absolutamente compreensível, mas que viria a se tornar fatal para elas. Algumas vezes, quando Irena ou as suas companheiras voltavam a visitar as famílias para tentar fazê-las mudar de opinião, verificavam que todos tinham sido levados para os campos da morte.
Ao longo de um ano e meio, até à evacuação do gueto no Verão de 1942, conseguiu resgatar mais de 2.500 crianças por várias vias: começou a recolhê-las em ambulâncias como vítimas de tifo, mas logo se valia de todo o tipo de subterfúgios que servissem para os esconder: sacos, cestos de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacas de batatas, caixões... nas suas mãos qualquer elemento transformava-se numa via de fuga.
Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos de paz e por isso não fica satisfeita só por manter com vida as crianças. Queria que um dia pudessem recuperar os seus verdadeiros nomes, a sua identidade, as suas histórias pessoais e as suas famílias. Concebeu então um arquivo no qual registava os nomes e dados das crianças e as suas novas identidades.
Os názis souberam dessas actividades e em 20 de Outubro de 1943 Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infame prisão de Pawiak onde foi brutalmente torturada. Num colchão de palha encontrou uma pequena estampa de Jesus Misericordioso com a inscrição: “Jesus, em Vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II.
Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e as pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Foi condenada à morte. Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um "interrogatório adicional". Ao sair, gritou-lhe em polaco "Corra!". No dia seguinte Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados. Os membros da Żegota tinham conseguido deter a execução de Irena subornando os alemães, e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa.
Em 1944, durante o Levantamento de Varsóvia, colocou as suas listas em dois frascos de vidro e enterrou-os no jardim de uma vizinha para se assegurar de que chegariam às mãos indicadas se ela morresse. Ao finalizar a guerra, Irena desenterrou-os e entregou as notas ao doutor Adolfo Berman, o primeiro presidente do comité de salvação dos judeus sobreviventes. Lamentavelmente a maior parte das famílias das crianças tinha sido morta nos campos de extermínio názis. De início, as crianças que não tinham família adoptiva foram cuidadas em diferentes orfanatos e pouco a pouco foram enviadas para a Palestina.
As crianças só conheciam Irena pelo seu nome de código "Jolanta". Mas anos depois, quando a sua fotografia saiu num jornal depois de ser premiada pelas suas acções humanitárias durante a guerra, um homem chamou-a por telefone e disse-lhe: "Lembro-me da sua cara. Foi você quem me tirou do gueto." E assim começou a receber muitas chamadas e reconhecimentos públicos.
Em 1965 a organização Yad Vashem de Jerusalém outorgou-lhe o título de Justa entre as Nações e nomeou-a cidadã honorária de Israel.
Em Novembro de 2003 o presidente da República Aleksander Kwaśniewski, concedeu-lhe a mais alta distinção civil da Polónia: a Ordem da Águia Branca. Irena foi acompanhada pelos seus familiares e por Elżbieta Ficowska, uma das crianças que salvou, que recordava como "a menina da colher de prata".
Texto em itálico retirado da wikipedia.

26 de maio de 2008

PRIMEIRO VIERAM...



Als die Nazis die Kommunisten holten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Kommunist.

Als sie die Sozialdemokraten einsperrten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Sozialdemokrat.

Als sie die Gewerkschafter holten,
habe ich nicht protestiert;
ich war ja kein Gewerkschafter.

Als sie die Juden holten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Jude.

Als sie mich holten,
gab es keinen mehr, der protestieren konnte.



Martin Niemöller (Alemanha)





“ Primeiro vieram…” é um poema atribuído ao Pastor Martin Niemöller (1892–1984) sobre a inactividade dos intelectuais alemães depois da subida ao poder dos Nazis e da perseguição que se seguiu a determinados grupos que, uns após outros, foram alvo das suas actividades de limpeza: Comunistas, Judeus, Social-Democratas, Sindicalistas, Ciganos, Homossexuais e inclusivamente Católicos mas também outras muitas vozes incómodas ao regime, como foi o caso do Pastor alemão Martin Niemöller.
Inicialmente apoiante de Hitler, Niemöller veio, por volta de 1934, a opor-se totalmente ao Nazismo e graças às sua boas relações de amizade com influentes homens de negócios, conseguiu ser salvo da prisão até 1937, altura em que foi encarcerado, eventualmente, nos campos de concentração de Sachsenhausen e Dachau. O Pastor sobreviveu e depois da Segunda Guerra Mundial, tornou-se na principal voz de penitência e reconciliação do povo alemão. O seu poema é bastante conhecido e frequentemente citado tendo-se tornado num modelo popular para descrever os perigos de uma apatia política que, começando muitas vezes, com um alvo específico de medo e ódio, assume rapidamente proporções assustadoras e completamente fora de controlo.
O poema tem apresentado diversas variantes ao longo dos tempos. Apresentamos a versão original em alemão e várias versões em inglês. Contudo, existe alguma controvérsia sobre a autoria deste poema.
Primeiro vieram prender os judeus
E eu não levantei minha voz
Porque não era judeu.
Depois vieram prender os comunistas
E eu não levantei minha voz
Porque não era comunista.
Depois vieram prender os homossexuais
E eu nao levantei minha voz
Porque nao era homossexual.
Depois vieram prender os sindicalistas
E eu não levantei minha voz
Porque não era sindicalista.
Depois vieram prender-me
E já não havia mais ninguém
Que levantasse a voz por mim.
(Tradução do ingles de Namibiano Ferreira)


20 de maio de 2008

Internacionalização da Amazônia - Cristóvam Buarque


Em um debate numa Universidade americana, Cristóvam Buarque, ex-governador de Brasília, foi perguntado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. Quem perguntou disse que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Esta foi a resposta de Cristóvam Buarque:


"Como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se sob uma ética humanista, a amazônia deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Neste momento, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos Estados Unidos. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os candidatos a presidência dos Estados Unidos em defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de comer e de ir a escola. Internacionalizemos as crianças tratando todas elas como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro, ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, ou que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!"




Sobre o(a) autor(a):Ex-Ministro da Educação e ex-governador do Distrito Federal (PT). Criou o programa Bolsa-Escola. Escreveu 18 livros sobre temas de economia, educação, sociologia e história. Ex-reitor da Universidade de Brasília. Nasceu em Recife.Fonte: Programa Provocações da Tv Cultura.



1 de maio de 2008

Ondjaki e o Acordo Ortográfico

"Um dia ainda vou ser que nem Manoel de Barros que só faz entrevista por e-mail. É mais seguro, porque não deturpam. Aqui no Brasil já deturparam bastante. Não percebem (entendem) bem e deturpam. A ponto de eu falar uma coisa e aparecer outra. Ou então não entendem e começam a abrasileirar o discurso. Ora, eu não falo brasileiro, falo português de Angola, não gosto de ver as minhas citações abrasileiradas porque não falei assim. Tiram os artigos, põem gerúndios. Sou completamente a favor da particularidade cultural dos povos. O que não tem nada a ver com todos os outros laços que nos unem, que são muito bonitos. Mas também é bonito que cada um fale como fala. Não vamos todos falar igual. Nem todos falar como os portugueses, que não acho feio, nem todos falar como os brasileiros, só porque são mais. Que também não acho feio. Por isso não concordo quando o Agualusa argumenta: ‘Ah, mas os brasileiros são 180 milhões’. Podiam ser 500 milhões. Em Cabo Verde são 400 mil e falam como eles quiserem. Essa conversa tem passado tanto lá nos encontros que tivemos agora, do Acordo Ortográfico. Quem concorda, quem não concorda. E eu sempre argumento: Não posso concordar ou não concordar com uma coisa que eu não conheço. Nunca ninguém me explicou."

in Correio Braziliense



ler mais em
Eu, Um Negro, de Fábio Sena

Retirado de angolaharia.

Agualusa Defende Ortografia Brasileira

O escritor angolano, José Eduardo Agualusa, defende, em crônica divulgada pelo semanário A Capital, de Luanda, que Angola “deve optar pela ortografia brasileira”, caso o Acordo Ortográfico não venha a ser aplicado por “resistência” de Portugal.

Agualusa

José Eduardo Agualusa

Para esta tomada de posição de um dos mais respeitados escritores angolanos e lusófonos, José Eduardo Agualusa avança como justificação o fato de Angola ser um país independente, nada dever a Portugal e o Brasil ter 180 milhões de habitantes e produzir muito mais títulos e a preços mais baratos do que Portugal. Agualusa diz ainda, na crônica que publica regularmente n´A Capital, que Angola tem mais a ganhar com a existência de uma ortografia única do que Portugal ou o Brasil, porque o país não produz livros mas precisa desesperadamente deles.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi alcançado em 1991 e assinado por todos os países da CPLP, sendo imediatamente ratificado pelo Brasil, Cabo Verde e Portugal. Em 2004, em S. Tomé e Príncipe, foi acordado um Protocolo Modificativo, segundo o qual bastava este ser ratificado por três Estados para entrar imediatamente em vigor. Este Protocolo Modificativo foi assinado por todos os países lusófonos, mas apenas ratificado inicialmente pelo Brasil e Cabo Verde.

Em agosto do ano passado foi ratificado também por S. Tomé, “passando juridicamente a entrar em vigor”. Sobre a situação em Angola, a análise do documento para ratificação está entregue aos ministérios das Relações Exteriores e da Educação e, segundo fonte próxima do processo contatada pela Ag. Lusa em finais de 2007, o governo angolano está “desenvolvendo mecanismos internos” para a sua conclusão. O último passo será dado quando o processo passar pela aprovação do Conselho de Ministros e da Assembléia Nacional.

De acordo com a fonte contatada pela Lusa, existe uma “preocupação” de todos os estados lusófonos para resolver a questão, na medida em que há “atualmente uma fala e duas escritas”.

Para o governo angolano, o Acordo Ortográfico ainda não foi assinado porque “caiu no esquecimento”, considerando a fonte que agora é importante voltar a analisá-lo para lhe dar seguimento. Entretanto, em Portugal está em preparação a ratificação do Protocolo Modificativo ao acordo, embora sujeito a uma reserva de 10 anos, conforme anunciou recentemente a ex-ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima.

A posição do governo português, anunciada pela então ministra, é que juridicamente o Acordo Ortográfico, assinado e ratificado por Portugal em 1991, está em vigor. Todavia, invocou razões de ordem científica e empresarial para pedir 10 anos de reserva para avaliar com a sociedade civil a sua implementação.

Ainda no referido texto do escritor José Eduardo Agualusa, este defende que a educação das populações angolanas e o desenvolvimento do país depende da importação, nos próximos anos, de milhões de livros.

E defende que as autoridades angolanas devam criar rapidamente legislação que permita e facilite a entrada de produtos culturais e, em particular, de livros, no país. Agualusa aponta ainda como razões para a demora na ativação do acordo a “confusão” entre ortografia, as regras de escrita e linguagem, resumindo que o acordo tem por objetivo a existência de uma única ortografia no espaço de língua portuguesa, sendo absurdo pensar-se em unificar as diferentes variantes da nossa língua.

O autor aponta ainda o dedo a um “enraizado sentimento imperial” de Portugal em relação à língua para o protelamento de uma decisão.

E, contrariando esta possibilidade, diz que a História nega este sentimento porque “a língua portuguesa formou-se fora do espaço geográfico onde se situa Portugal - na Galiza”. Por outro lado, a língua portuguesa tem sido sempre, ao longo dos séculos, uma criação coletiva de portugueses, africanos, brasileiros e povos asiáticos, aponta.

Fonte: Diário Digital.pt

José Eduardo Agualusa considera Agostinho Neto "poeta medíocre"

«uma pessoa que ache que Agostinho Neto, por exemplo, foi extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre»

Jose Eduardo Agualusa

Lisboa, 08 Abr (Lusa) - Uma polémica literária em Angola, suscitada pela alegada mediocridade da obra poética de Agostinho Neto, está a resvalar para o domínio político-jurídico, com ameaças de processo-crime por ultraje à moral pública contra o escritor angolano José Eduardo Agualusa.

Em causa está uma passagem da entrevista que José Eduardo Agualusa deu ao jornal Angolense, de 15 de Março passado, em que o primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, é classificado como "poeta medíocre".

"Uma pessoa que ache que o Agostinho Neto, por exemplo, foi um extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre", assim se referiu Agualusa a Agostinho Neto, defendendo na entrevista que outros autores angolanos, como António Cardoso ou António Jacinto - a quem reconhece destaque na luta nacionalista angolana -, são igualmente "fracos poetas".

Na resposta, o Jornal de Angola acusou em editorial o escritor de procurar "humilhar figuras de relevo da História e Literatura Nacional".

José Eduardo Agualusa contra-argumentou na edição de 29 de Março do semanário A Capital, chamando "zombies" aos que lhe não reconhecem direito à opinião, considerando que no seio do MPLA, o partido maioritário angolano, "confrontam-se hoje em dia democratas autênticos, democratas de fantasia (...) e uma mão cheia de órfãos da ditadura".

Num outro texto publicado pelo Jornal de Angola, João Pinto, que se apresentou como jurista e docente de Ciência Política e Direito Público na Universidade Agostinho Neto, proclamou, sob o título "Literatura e Identidade e Política", a necessidade de "responsabilidade criminal e civil por estarem reunidos todos os requisitos do ultraje à moral pública, previsto e punido no artigo 420º do Código Penal".

"A escrita não pode servir para humilhar, banalizar, diabolizar os ícones, heróis, mitos, deuses ou divindades. considerou. "É preciso moralizar, sob pena de banalizar a figura mais importante da nossa memória colectiva contemporânea", justificou o jurista.

A respeito desta polémica, o poeta e tradutor Vasco Graça Moura disse à Lusa que embora reconheça "relativamente mal a poesia angolana", está de acordo com José Eduardo Agualusa.

"Conheço relativamente mal a poesia angolana. Mas daquilo que conheço, estou inteiramente de acordo com aquilo que diz o José Eduardo Agualusa", disse.

"Penso que ele faz uma apreciação do ponto de vista literário e isso está no exercício pleno da sua liberdade de expressão e do seu direito à crítica. Penso que confundir o plano da maior ou menor relevância política ou até histórica de determinadas figuras com a sua qualidade literária pode conduzir a equívocos terríveis", vincou Vasco Graça Moura.

Para José Eduardo Agualusa, contactado telefonicamente em Luanda pela Lusa, a partir de Lisboa, as reacções às suas opiniões vão para além do plano literário e insere-as num "processo de intimidação".

"Este processo de intimidação não tem a ver só comigo. Tem a ver com outras pessoas e com mais coisas", considerou o escritor, que associa este ambiente à proximidade das eleições em Angola, marcadas para Setembro próximo.

O recente encerramento em Luanda por ordem do Governo do escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos enquadra-se neste mesmo clima, acrescentou.

José Eduardo Agualusa considerou que o texto do jurista João Pinto "não é respondível. Está noutro plano. É surrealismo", salientando ainda que a sua crítica sobre a poesia de Agostinho Neto "não era política, era literária".

"O MPLA é uma estrutura complexa em que há pessoas que não concordam nada com isto. Tem havido comentários de várias pessoas ligadas ao MPLA alertando para o absurdo desta reacção", adiantou.

EL/HB.

Lusa/Fim

26 de abril de 2008

GARGOLAS


As gárgolas sem compaixão,
Horrendas, frias e feias...
Envoltas por solidão,
Prendem-me em suas veias.
Sem predicados ou versos,
Só teias...que num
doce cipreste a balançar,
Embalam-me suspensa
em epopeias.
Castradas de rimas a rimar
Suadas de amor por amar,
Sol aberto, vento a discursar
À luz tosca de candeias...
E no fresco verde a chilrear,
Pintam o canto exalado
E gemido por sereias.





By: Dinah Raphaellus (Portugal)
http://poesialilazcarmim.blogspot.com/



19 de abril de 2008

TEUS OLHOS

 
Olhos do meu Amor! Infantes loiros Que trazem os meus presos, endoidados! Neles deixei, um dia, os meus tesoiros: Meus anéis, minhas rendas, meus brocados. 
 Neles ficaram meus palácios moiros, Meus carros de combate, destroçados, Os meus diamantes, todos os meus oiros Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
  Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas... Enigmáticas campas medievais... Jardins de Espanha... catedrais eternas... 
 Berço vindo do Céu à minha porta... Ó meu leito de núpcias irreais!... Meu sumptuoso túmulo de morta!...                             
                               Florbela Espanca 

8 de abril de 2008

Fernando Caterça Valentim - Pintor Angolano

a aurora

Valentim é o nome do artista angolano Fernando Caterça Valentim. Nasceu em Gabela, na província do Kwanza Sul, no dia 5 de Maio de 1950.
Valentim é um pintor autodidacta, tendo sido aluno do pintor angolano Luzolano João de Deus, desenvolveu a sua arte mostrando a paixão pelos motivos angolanos. É membro da UNAP – União Nacional de Artistas Angolanos – desde 1977 e da Sociedade Portuguesa de Autores, em Portugal.
Valentim luta pelo crescimento da sua arte e da sua expressão artística, aprofundando os seus conhecimentos técnicos também, sendo referido no catálogo da IV Bienal da Arte Bantu, realizada em Libreville-Gabão pelo CICIBA, como um dos grandes pintores angolanos.
Está presente em várias exposições nacionais e internacionais, como é o caso de França, Inglaterra, Portugal, Itália, Argélia, Brasil e Egipto. Em Angola, a sua obra já viajou por Benguela, Huíla e Luanda. Em 1985, esteve presente na Exposição Internacional de Arte Bantu, organizada pela CICIBA.
As suas obras mais emblemáticas e de maior expressão mediática são “Lágrimas da Negra” e “O Sol Negro”. A primeira foi doada à galeria de pintura Naif Podgorica – ex-Titorgad – e representou Angola na Exposição de Arte dos Países Não Alinhados, no Cairo - Egipto. A famosa “O Sol Negro” encontra-se no Museu da Torre Nabemba, em Brazzaville, na República do Congo. A sensibilidade artística conduziu-o à publicação do livro de poemas “Sentimentos” em 1993, do qual deixamos nestas páginas o poema “Minha África”.
Em Julho de 1994, Valentim é o vencedor do grande prémio Presidente da República do Congo, na V Bienal de Arte Bantu Contemporânea, realizada em Brazzaville e promovida pelo CICIBA, com a sua obra “A Aurora”.
Multifacetado, o pintor frequentou também o curso de pintura de azulejos, na escola Inatel, nos anos de 97-98. A exposição “O Paraíso das Pérolas”, dedicada aos azulejos, desenhos e à pintura de Valentim, foi um êxito em Portugal, no Lagar do Azeite em 1998.
Durante vários anos, foram muitas as exposições nacionais e internacionais, que deram e dão vida à arte de Valentim, «…que é hoje um dos grandes pintores angolanos».

o cantico

pintura sobre azulejo, sem titulo


NomeFernando Caterça Valentim
Data de nascimento05/05/1950
NaturalidadeCuanza Sul
PaísAngola


  • autodidacta

  • MANKEU MAHUMANA - PINTOR MOCAMBICANO

    NomeMankeu Mahumana
    Data de nascimento1934
    NaturalidadeMarraquene
    País

    Mocambique

    PINTOR ANGOLANO - CARLOS DA ROCHA FERREIRA



    soba dos dembos

    homem mukubal



    mulher muila

    Nome: Carlos Albino da Rocha Ferreira
    Data de nascimento: 30/04/1925
    Naturalidade: Luanda - Angola

    4 de abril de 2008

    MARTIN LUTHER KING 1968 - 2008


    A mural in Kansas City, Missouri, commemorating King's activism


    “He has taught us that we are all equal in every way, no matter what color of skin we have. He enlightened the people with his bravery to stand up for what he believed in."


    15 de Janeiro de 1929 - 4 de Abril de 1968


    http://video.google.com/videoplay?docid=1732754907698549493



    31 de março de 2008

    CANÇÃO DO SUBÚRBIO

    Cubatas velhas
    vermelhas
    do solo velho
    vermelho,
    e a chuva tamborilando
    por cima do zinco velho
    e a minha velha
    lavando
    na velha celha
    cantando
    já não há mais folhas secas
    sobre o zinco das cubatas,
    umas o vento as levou
    outras são velhas canoas
    sobre as vermelhas lagoas,
    que a chuva improvisou
    e onde o neto da ximinha
    xapinha contente e nu"


    by Eleutério Sanches (Angola)

    Retirado de: http://kaluanda.zip.net/

    21 de março de 2008

    DIA MUNDIAL DA POESIA - 21/03/2008

    Agostinho Neto


    Mãos Esculturais

    Além deste olhar vencido
    cheio dos mares negreiros
    fatigado
    e das cadeias aterradoras que envolvem lares
    além do silhuetar mágico das figuras
    nocturnas
    após cansaços em outros continentes dentro de África

    Além desta África
    de mosquitos
    e feitiços sentinelas
    de almas negras mistério orlado de sorrisos brancos
    adentro das caridades que exploram e das medicinas
    que matam

    Além África dos atrasos seculares
    em corações tristes

    Eu vejo
    as mãos esculturais
    dum povo eternizado nos mitos
    inventados nas terras áridas da dominação
    as mãos esculturais dum povo que constrói
    sob o peso do que fabrica para se destruir

    Eu vejo além África
    amor brotando virgem em cada boca
    em lianas invencíveis da vida espontânea
    e as mãos esculturais entre si ligadas
    contra as catadupas demolidoras do antigo

    Além deste cansaço em outros continentes
    a África viva
    sinto-a nas mãos esculturais dos fortes que são povo
    e rosas e pão
    e futuro.

    Um optimo dia e que todos os dias sejam dias paz e poesia....

    15 de março de 2008

    AFRICA



    (to africans in diaspora)

    africa here i come, africa
    africa of the black soul
    the soul of an ancient culture
    the culture of your timid tribes.

    its your voice i hear africa
    your voice of the talking drums
    your beaded drums and the royal trumpeter
    the metal gong of your town crier

    i have come to see your music dance
    i have heard of your ageless minstrels
    have i not heard of your swinging hips!
    i have heard enough and have come to watch
    wouldn't you dance for me africa

    africa here i come africa
    would you not show me to your tribes
    the timid tribes of your sweetened tongues
    the varied tongues of your virtuous men

    africa, black soul africa
    tell me about your gods
    your gods of the sky and of the mother earth
    your gods of the hills and of the rivers abound

    show me to your kings africa
    your kings of the ancient dynasty
    the ancient dynasty of rusted spear and shield
    africa, here i come africa

    Chime Hilary Uchenna

    12 de março de 2008

    THE ANGEL OF BORDEAUX



    "Whoever destroys a single life is as guilty as though he had destroyed the entire world; and whoever rescues a single life earns as much merit as though he had rescued the entire world"
    The Talmud


    Aristides de Sousa Mendes (1885 - 1954)



    Sousa Mendes family


    Aristides de Sousa Mendes
    Aristides was born on July 9, 1885, in
    Cabanas de Viriato (Viseu) northern Portugal.
    He and his identical twin, Cesar, followed in their
    father’s footsteps and received law
    degrees. They graduated in 1907 from
    Coimbra University and both entered
    the diplomatic corps. Raised in a
    deeply devout Catholic family, Aristides
    was to put these values into practice
    throughout his diplomatic career.
    Aristides married his cousin Angelina
    and together they raised their fourteen
    children in Spain, California, British
    Guyana and Belgium. Evenings in the
    Sousa Mendes household were family
    events filled with music and concluding
    with the Rosary before bedtime.
    Unfortunately, these happy times
    ended in 1934, when the second son,
    Manuel, dropped dead in front of the
    family due to a ruptured blood vessel.
    Several months later, their youngest
    child also died. In August of 1938, the
    family moved to Bordeaux, France,
    where Sousa Mendes was Consul-
    General. Soon, the family would be
    caught up in the events of the Second
    World War. In the spring of 1940, as
    German troops invaded and conquered
    Belgium, Holland and then
    France, thousands of refugees fled
    ahead of the advancing army. The refugees
    jamming the roads were Jews,
    defeated soldiers, opponents of Nazism,
    the elderly, the young. These
    refugees sought safety in neutral countries
    like Spain and Portugal. The city
    of Bordeaux, with its port, was a natural
    destination for thousands of the
    refugees. However, only the very
    wealthy were able to afford the artificially
    high prices for passage on a ship.
    The only other alternative was to get a
    transit visa to leave France and enter
    Spain and then go on to Portugal;
    people thought they would be able to
    get such a visa at the Portuguese consulate.
    To add to the fear of the refugees,
    the German Army had no mercy
    on the crowds on the roads. The refugees
    were often attacked by fighter
    pilots who killed hundreds if not thousands.
    So, the people who survived
    the attacks arrived in Bordeaux, hungry
    and frightened.
    Transit visa
    To better understand the moral predicament
    Sousa Mendes was about to
    be put in, it is important to understand
    the political situation in Spain and Portugal.
    In Spain, Francisco Franco had
    been helped by Hitler during the Spanish
    Civil War. By closing Spanish borders
    to refugees fleeing Hitler, Franco
    could avoid joining the war but still express
    his support for Hitler. Portugal’s
    premier, Antonio de Oliveira Salazar,
    also followed a policy of strict neutrality
    but for different reasons. Portugal
    had a long standing treaty with England
    and a new one with Spain. If Salazar
    sided with the English, Spain might invade
    Portugal. If Salazar sided too
    heavily with Spain, England might pressure
    Portugal to join the war on
    England’s side. Salazar showed his
    solidarity with the Spanish dictator by
    following Spain’s policy of not allowing
    refugees into Portugal. On May 17,
    1940, Salazar sent his diplomats in
    Europe a directive that no visa was to
    be granted unless they received special
    permission from Lisbon. In effect,
    this policy kept any Portuguese diplomat
    from granting visas to any refugee.
    Throughout May, as France
    crumbled before the German onslaught,
    thousands of refugees tried
    to escape to Spain. Spain would only
    allow in refugees who had a Portuguese
    transit visa, so the refugees’ last
    hope was the Portuguese consulate.
    The consulate where Sousa Mendes
    worked and lived with his family was
    literally jammed with thousands of refugees.
    Without authority, Sousa
    Mendes was suddenly responsible for
    the lives of thousands of his fellow human
    beings. As the crowds kept pouring
    into the consulate, Sousa Mendes
    sent hundreds of telegrams to Lisbon
    requesting visas. Lisbon’s response
    was silence. Tensions increased as
    the German Army drew closer to the
    city. The consulate was full of people,
    sleeping on chairs and rugs, and
    Sousa Mendes had orders not to help.
    Then, the consul fell ill. For three days,
    Sousa Mendes struggled, torn between
    service to his country and duty
    toward his God. According to his
    nephew, after the illness, Sousa
    Mendes got up by a “divine power” (1)
    and began granting visas to all who
    asked. The consul was disobeying
    specific orders and in the end it would
    cost him his career. But, as he would
    tell his government later, “I would stand
    with God against man, rather than with
    man against God.” (2) The consul set
    up a work station and enlisted workers.
    Passports were stamped, reasons
    given for the visas, and Sousa Mendes
    signed them. If refugees had no documents,
    visas were stamped on pieces
    of paper. Their work continued day and
    night and the crowds began to head
    for the Spanish border. Spain had to
    honor the Portuguese visas-the refugees
    were allowed to cross through
    Spain to get to Portugal but they could
    not stay. Once the refugees reached
    Portugal, they could not be denied
    entry because the Spanish would not
    let them back into Spain. The Premier
    of Portugal was furious; Sousa
    Mendes had forced Salazar to accept
    the refugees. On June 19, German
    planes bombed Bordeaux. The terrorstricken
    crowds fled closer to the
    Spanish border at Bayonne where
    there was a Portuguese consulate besieged
    by refugees. The staff at this
    consulate were obeying their orders
    and not issuing visas. Fortunately,
    Sousa Mendes had authority over
    Bayonne and immediately began issuing
    visas. For the next two days, Sousa
    Mendes signed his name and stamped
    visas which would save the lives of
    thousands. When the consul returned
    to Bordeaux on June 26, he found a
    cable from Salazar relieving him of his
    post and ordering him home. As German
    troops began occupying Bordeaux,
    Sousa Mendes began issuing
    Portuguese passports. Although the
    passports would not allow people to
    cross the border, they could prevent
    people from being arrested and deported
    to concentration camps. Once
    again, he was ordered to stop and return
    to Portugal. Ironically, Salazar received
    a great deal of praise for accepting
    war refugees, a policy he continued
    throughout the war. Unfortunately,
    he never forgave the man who
    began it all. After returning to Portugal,
    a disciplinary council found Sousa
    Mendes professionally incapacitated.
    He was officially shunned and he could
    neither work nor retire. With no way to
    earn an income, the family was reduced
    to poverty. The younger children
    could not continue their education
    and the older ones were unable
    to find work. Eventually, the family began
    taking meals with refugees at a
    soup kitchen run by the Hebrew Immigrant
    Aid Society. Shortly before the
    war’s end, Sousa Mendes had a stroke
    which left him partially paralyzed. His
    beloved wife and helper, Angelina, had
    a cerebral hemorrhage in 1948. She
    spent the last six months of her life in
    a coma in a basement apartment in
    Lisbon. Sousa Mendes survived his
    wife by six years, never giving up hope
    that his name would be cleared. On
    April 3, 1954, he died at a Franciscan
    hospital in Lisbon with only a niece at
    his side. It is believed that at least
    30,000 people received visas, including
    10,000 Jews. However, Premier
    Salazar never closed Portugal’s borders
    to war refugees and it is estimated
    that one million refugees were
    able to escape through Portugal because
    of what Sousa Mendes had done.
    Other sites to visit:
    Postagem em portugues:

    QUOTES OF ARISTIDES DE SOUSA MENDES:
    I will not condone murder, therefore I disobey and continue to disobey Salazar.
    My desire is to be with God against men, rather than with men against God.
    If thousands of Jews can suffer because of one Catholic [Hitler], then surely it is permitted for one Catholic to suffer for so many Jews.
    I could not have acted otherwise, and I therefore accept all that has befallen me with love.